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Mostrando postagens de Julho, 2007
Ao preparar o verbete do poeta Jesus Barros Boquady para inclusão na página virtual do Antonio Miranda (www.antoniomiranda.com.br), notei que um de seus poemas certamente terá sido a gênese para a música "Construção", de Chico Buarque, que está no disco homônimo de 1971. O poema de Jesus Barros Boquady saiu em 1964 no livro A Poesia em Goiás, de Gilberto Mendonça Teles. Em ambas peças, a presença integrada do operário com o edifício em construção e a cidade. É claro, no poeta goiano, a cidade ainda é verde, mas, para o compositor paulista, a cidade é mais asfáltica. Fica a análise aprofundada para as autoridades em intertexto (o próprio Gulberto Mendonça Teles é uma delas).

MORTE EM TRABALHO CONSIDERADA


Jesus Barros Boquady



em qualquer que seja a lida
há lances de queda, ritmo
que se perde em segmentos,
choque de aço no crescer
dos edifícios,
polias
fervilhantes,
com as lixas
percorrendo as faces ásperas
da madeira não mais virgem,
nervos,
sangue,
coração
de repente pára a vida,
um gest…

Novo poema

Se há ruídos detenções nos hangares
fuselagem mãos em carvão nos entrepostos
explicações às dúvidas de Orfeu
não vêm com os torsos de morte ou de alegria

Se há amplidão, fora de mim ela se esgota
E não há outra procura, outras perdições
Se houver outros guerreiros, outros heróis
em minha história não transitam

Não digladio com as ferramentas dos cuteleiros
E certamente forjam com fogo
e certamente martelam martelam
à espera dos guerreiros

Não me irradio com as lâmpadas
que certamente trouxeram ao Levante
Deixei-me sem a combinação das palavras
Deixei-me sem balas e o bônus de uma mão

Se há lugares para ilustrar plumas de explosões
fora de mim tudo se ilustra
Se há pólvora e se há herói
fora de mim tudo pensa fogo e tudo vence

@ Salomão Sousa
Poxa, este meu blog completou um ano e nem teve comemorações!!!

Escrevi hoje para a página virtual de Silvânia (www.silvaniense.com.br) uma pequena croniqueta para afirmar a necessidade de esta cidade histórica estar presente, de forma mais precisa, na consciência dos brasileiros. Abraços ao Cleverlan. E obrigado ao Antonio da Costa Neto pela foto da igreja.


No final da década de 60, a ditadura decidiu investir algum resto de recurso no interior do País para disfarçar suas perseguições políticas. Silvânia já perdera filhos nas guerrilhas e sequer notou que aquelas sobras de orçamento chegavam para investimentos que desfigurariam ainda mais o seu retrato histórico. Com a construção de monstrengos de concretos na praça do Rosário — uma passarela que não leva a lugar nenhum (cansei de subir e descer e retornar sem nada encontrar) e uma fonte luminosa que até hoje deve dar dor de cabeça aos administradores para que permaneça ligada —, mais patrimônio histórico foi ao chão.

Naquela época, …

poema de VANESSA PAIVA, amiga de Juiz de Fora (MG

Eu quero saber do que está perto,
Do que quase me toca, sopra, venta

Eu quero saber do que me cheira,
Me olha, me atenta, e aqui estou, à mostra

Eu quero saber do que não importa
Aos grandes, mas do que ficou na gaveta
Do que cheira guardado – pó – do que está
Por debaixo das coisas

Eu quero saber dos rascunhos, das palavras ditas,
Dos gestos no ar, das despedidas, dos
Abraços lançados via vales-presente, desenhos de beijos,
mensagens telegráficas, gravadas, audiovisuais,
Vídeo-tele-conferência, centrais, webcams, cartões postais gerais (qualquer lugar).
Dessas coisas de banca, esquina, lan, grandes salas, teatros, escolas, todos os não lugares, lugar nenhum.

Que são esses lugares? Que me trazem? Por onde saio?

Quero saber o que é isso que me provoca e me fere,
Isso que não se deixa ver
Mas que, escancarado, me engole.

E salto, sim, para o fundo.

lançamento em Silvânia

A caravana pegou a estrada para o lançamento do meu livro "Safra Quebrada", em Silvânia, no último dia 30 de junho. Vários amigos foram para o evento — Antonio Miranda, Fábio Coutinho, Robson Correa de Araújo, estes dois últimos com as esposas Bizé e Beth. De Goiânia, não podiam faltar Vassil Oliveira e Euler Belém, e eles fizeram a caravana de Goiânia.
O evento seguiu o script. O Palas, sob a batuta do Edmar Cotrim, emocionou todos os presentes. Arrancaram sangue deste poeta. Maravilhosa a decisão de fazer banners com meus poemas para exposição itinerante em escolas e em órgãos públicos.
O Célio Silva nos chamou para o "Giro da Cultura", na Rádio Rio Vermelho, que ele dirige. Uma hora e meia de debate sobre a imprtância do Palas como agente disseminador e formador de cultura. Tá gravado.
Deixo os detalhes da festa para outros divulgarem e analisarem. Como homenageado, sou suspeito. Mas foi uma festa insuspeitável!
De nossa estadia em Silvânia, escolhi cinco fotos pa…
Dois lançamentos de livros nesta semana, de autores de Brasília.

No sábado, dia 7 de julho, a partir das 18 horas, lançamento do livro "O champanhe", do meu amigo Adrino Aragão. Será na livraria Sebinho (406 norte), organizadora do III Festival de Inverno
da Rua da Cultura. Eihn!, Adrino, o Nilto Maciel "devias vir", como diz o cancioneiro!

E nesta quarta-feira, 4 de julho, a partir das 20 horas, noite de autógrafos do livro "Eva - Poesia em Verso e Prosa", de Amneres (Bilau). Acontece no Bistrô Bom Demais, no CCBB.
Por volta das 21 horas, a autora fará recital especialmente para os convidados que comparecerem.