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Mostrando postagens de Julho, 2009

Estrela Solitária

Realmente me apaixonei pela interpretação da música Bambino, no filme Estrela Solitária, ficção sobre a vida do Garrincha. Até meu pai João Miguel, que não era Wisnik, iria reconhecer que a rima em ar, nesta música, nos paralelismos com ir e á, apresenta um momento de rara beleza, principalmente na interpretação de Elza Soares. Wisnik, é muito mais que vã filosofia. ... seguindo seguir, só mesmo com os universos pós-vãsfilosofias. E a Taís Araújo, só brilho brilhar.
BambinoElza SoaresComposição: Ernesto Nazareth E Zé Miguel WisnikE se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar

E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor

E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir
Quand…
encontrei-me na Livraria Leitura com o poeta Oleg Almeida, bielo-russo há quatro anos em Brasília. conversa para mais de hora e meia sobre culturas e História de nossos países. seu recente livro de poemas pela 7 Letras — Memórias dum hiperbóreo — está aqui elegante ao meu lado, com abonação de Antonio Cicero e Marco Lucchesi. o livro é composto de XV diálogos, vivos sobre a cultura pessoal do autor.
e, em seguida, estive na Biblioteca Nacional de Brasília, para assistir o tributo à poetisa Renata Pallotini. foi vibrante as leituras dramáticas de Augusto Rodrigues e Heloísa Sousa (talvez minha parente). e André Gomes foi feliz na sua palestra, bem condizente com o calor lírico da poesia da homenageada. pçude abraçar Renata Pallotini, que eu nunca tinha encontrado corporalmente.
Mais detalhes no link da BNB.

Viajei

Viajei. Vi homens no luxo
Vi crianças no lixo
e no lixo tropecei
Roupas lavadas próximas aos meus passos
e o que encobria úmida
podia ser relva, pedra ou trevo
Nas seis manhãs
as roupas estendidas nas calçadas

Viajei. Vi casais que quase se abraçavam
As sete pontes, algumas de ferro recortado
no estrangeiro
Vi mulheres a sós com os filhos
se sentindo alienígenas
Não pude ver os ausentes companheiros
Não pude ver as freiras recolhidas
e a zabumba a ensaiar o próximo frevo

Viajei. Senti este cheiro de homem
Fezes. Este cheiro ejaculado.
Vestido de passado
comi as minhas sete refeições
bebi os meus sete cálices
Não estive próximo à arma do tiro
Ao morto não levei luto nem mortalha

Viajei. Vi e apalpei
E se acreditei foi pela flor agreste
Foi pelo tremeluzir das luzes sobre as fezes

Kes

Por sugestão de uma pequena nota na Folha de S. Paulo, assisti ao filme “Kes” (1969), de Ken Loach – um dos belos filmes ingleses, se é que a miséria possa gerar algo belo. Ainda que me assuste, é esta espécie de filme que me cativa – arrancam verdades com a voz mais cruenta. E a violência é tão real na direção de Ken Loach que acreditamos que ela não é fruto da arte, mas da realidade. Creio que aquela mãe não era uma atriz, mas alguém que atravessava uma crise real. Até onde somos capazes de agredir? Até onde as pessoas precisam ser agredidas? Uma vez ouvi uma chefia dizer para sua copeira: você merece sofrer! Quem merece o sofrimento? Quem tem o direito de provocar sofrimento? As nossas frustrações têm de gerar outros sofrimentos? Às vezes agredimos onde devíamos amar. Não terei coragem de rever “Kes”. Vou deixá-lo na minha reserva de obras que vão assinalando alertas sobre as ridicularias humanas. Em umas épocas, mas agressivas; noutras, pior ainda. A leitura da trilogia das Eras..…