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Mostrando postagens de Agosto, 2009

JOAQUIM CARDOZO

Antes de sair para Recife nas férias de julho, já andava atrás livro Poesia completa e prosa, de Joaquim Cardozo, editado em 2009 pela Nova Aguilar/Massangana. Estou com a edição aqui entre as mãos, cheirando a livro e poesia. Podiam ter incluído a obra teatral do autor. Nunca as coisas são tão completas tão assim.

Defrontei-me com uma espécie de bilhete de Drummond numa página. Fui ao poema citado por ele e fico pensando nas formas como nos comportamos. O poema citado por Drummond tem de estar entre os grandes da poesia brasileira, com destaque nas antologias, nos livros escolares. Antecipa as pós-vanguardas, apesar de trazer nas entrelinhas as ressonâncias regionais de sua terra. Mas só sendo um poeta com um pé numa cultura bravíssima, de fontes populares nordestinas, e outro na modernidade daqueles que construíram Brasília para aventuras de linguagem futurísticas. Ele mesmo, em três momentos, insere observações sobre essa necessidade de intercessões culturais na vontade do criador.

B…

Encontro Ano Cultural do Senado

A notícia do evento tem gerado bastante expectativa. O Brasigóis Felício acaba de me informar que virá um ônibus com 40 lugares e a esperança é que de ele venha cheio (de escritores). O Edval Lourenço já informou que sua vinda é certa. Cada um que vier que faça a sua confirmação aqui mesmo nesta postagem como comentário.

Estamos convidados como um dos escritores que participarão do evento descrito no convite. Virão de Goiás mais de 18 escritores. Não tenho em mãos a relação completa, mas sei que virão Brasigóis Felício, Aidenor Aires, Gabriel Nascente e e e. Lançamentos. Conversas. Intercâmbio.

pneumonia

E eu não podia disfarçar.
Na foto externa não aparecia
ainda a pneumonia.
Estou aqui recostado por oito dias.

Leio para gastar o tempo a primeira Clarice. A narrativa exige realmente algo convincente,
algo vivente, que sai de um fole que nem sempre todos trazem esbraseado.
O meu pequeno fole também está um tanto sem carvão, mas movemo-lo nas manivelas:



Por dissolvidas dunas
por drenos engastados nas areias podres
de drágeas moles e úteros
iguais a foles desgastados
ar não sugam
e o sopro desgastado
Na contínua missão de dissolver
os pés se movem
nos desertos de poros com drenos
Seguem pelo deserto de drogas
Nada respira ou suga ou sara
Desertaram-se as pétalas vivas
os jatos de um caudal
de um prazer que se engasta num útero
No deserto a sarna desampara
No deserto os pés de movem
e dissolvidos o meu caudal e meu útero
Ordem na foto: Miguel Ángel Fernandez, Salomão Sousa e Antonio Miranda.

Na boca da noite deste sábado, recebi a visita do amigo Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, na companhia de Miguel Ángel Fernandez — uma das grandes expressões da poesia paraguaia. Em conversa rápida para tanta poesia, anunciaram que estão desenvolvendo projeto voltado para a publicação de textos inéditos, principalmente cartas, de escritores brasileiros — no naipe de Drummond e João Cabral — que pertencem ao acervo de Miguel Ángel Fernandez.
Conheçam a poesia de Miguel Ángel Fernandez na página do Antonio Miranda. Perdão: tentei, mas não consegui disfarçar na foto a convalescença de uma bronquite contraída na semana passada.
Neste Dia dos Pais, levei meus netos para um passeio ecológico em plena cidade, assim sem sair mais de quinhentos metros de minha casa. Ver aspectos microscópicos da natureza. O poeta e as crianças - o Homem, enfim - precisam da da natureza para criação da linguagem. A linguagem cria e consolida o Humanismo.
Veja as pequenas frutas do jenipapo, que me acompanham desde os tempos de minha avó; a pequena flor amarela, da serralha; e a pequena flor, ao sol, do boldo.

B. Lopes

Vem em boa hora a palestra do amigo Luiz Carlos de Oliveira Cerqueira, na terça-feira, 11 de agosto de 2009, às 19h, na sede da Associação Nacional de Escritores, em Brasília, sobre a poesia de B. Lopes, este poeta mestiço-dândi (alcóolotra, epiléptico, escandaloso nas vestimentas exóticas), que contribuiu para a evolução da poesia brasileira para o Romantismo.
Um dos sonetos dele que alegrou a minha juventude pelo lado telúrico, por que não?, romântico na forma de ver e se integrar com a própria realidade:

Berço

Recordo: um largo verde e uma igrejinha,
um sino, um rio, um pontilhão e um carro
de três juntas bovinas, que ia e vinha,
rinchando alegre, carregando barro;

havia a escola que era azul e tinha
um mestre mau, de assustador pigarro…
(Meu Deus! que é isto? Que emoção a minha,
quando estas cousas tão singelas narro?)Seu Alexandre, um bom velhinho rico,
que hospedara a Princesa; o tico-tico,
que me acordava de manhã, e a serra…com seu nome de amor Boa Esperança,
eis tudo quanto guardo na lem…

Maneiras de ver

Onde vou
vou filmando
com minhas maneiras de ver.
O urubu na praia.
O cachorro e o urubu
na praia de Boa Viagem
entre crianças
e preservativos.
Disputam a cabeça
cheia de serrilhas.
Seguir para mais distante
para fugir das ratazanas no quintal.
E as ratazanas passeiam
no caminho das crianças em viagem.
Melhor regressar.
O varal ao lado do Palácio da Justiça.
Aguardam nus, ao lado da equipagem,
as roupas secarem ao sol,
os técnicos da filmagem.