maio 25, 2010

Nao era pra ser uma referência drummondiana

A máquina fala por mim
respira, traduz
A máquina come por mim
me lava, me induz
Minhas mãos perderam a utilidade

Deixei de ser caipira
Drummondiano não mais
O chão está plantado
Não desejo ir
não me peçam pra ver
Legaste-me um maquinismo para o sexo
Uma cápsula
para conformar a ausência de amor

A máquina me traz
todas as paisagens pra casa
Se peço algodão
a máquina me dá a paisagem
mais branca
me tece a paisagem retilínea
quase uma linha
A máquina me dá
a paisagem da ferrugem
se peço para ser ferro
Não preciso sair de meu quarto
pra ir a Itabira

maio 23, 2010

Poemação

POEMAÇÃO DEZ
Uma Homenagem à poesia Lusófona
Um Sarau Videoliteromusical

A Biblioteca Nacional abre suas portas para o décimo POEMAÇÃO privilegiando a poesia brasiliense, visando à II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, a ser realizada em setembro de 2010.
O Poemação 10 faz uma homenagem à poesia lusófona, numa breve citação de poetas de Cabo Verde, Guiné-Bissau, S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Timor Leste. A poesia de Portugal será lembrada por Francisco Cruz (O Sid), poeta, recitador e filósofo num recital com poemas de Fernando Pessoa. O Brasil terá a poesia autoral de Salomão Sousa, autor de vários livros entre eles Safra Quebrada, uma coletânea de sua obra. O poeta Vicente de Paulo Junqueira nos mostra o Abcedário seu recém lançado livro e a performática do poeta maranhense Rego Junior com participação de Wellington Rios, violão e voz, e, George Carvalho, percussão.
Sotaques (Electronic Brasil Roots) de-formance poético-vídeo-musical com o VJ Xorume (Alexandre Rangel) e o poeta/DJ/MC Gérson De Veras interpretando Teoria e Prática do Poema de Haroldo de Campos, texto próprio e Epitáfio para o Corpo e para a Alma, ambos de Paulo Leminski no Poemação 10.
O acordeonista João Carlos de Mendonça Nascentes, sorteios de livros e poesia na platéia completam a homenagem à poesia de língua portuguesa.
O Sarau é realizado todas as primeiras terças feiras do mês no auditório da Biblioteca Nacional. Sob a coordenação dos poetas Jorge Amâncio e Marcos Freitas.

POEMAÇÃO 10

Alexandre Rangel – Gérson De Veras – Vicente de Paulo Siqueira João Carlos de Mendonça Nascentes
Salomão Sousa - Rego jr. - Wellington Rios- George Carvalho
Francisco Cruz (O Sid)


LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional (2º Andar)
Data: 01 de junho de 2010
Horário: das 19h00min as 21h00min
Entrada Franca

maio 07, 2010

Poema Brasília

Quase não retorno a este blog. Mas a minha amiga Emília me pediu um poema sobre Brasília para apresentação de umas fotos da cidade em sua faculdade. Acveitei o desafio e está aí o poema. Espero que ele tenha a sua respiração autônoma.



É uma imensa porta de vidro
com horas de pôr de sol
com estações de mar de mariposas
É o céu violento
das luas de brasas excessivas

É uma nave espacial de luzes
a trincar vitrais e narizes
a tornar as flores explosivas
De jenipapos de pipas
de painas espatifos

É um esparramado ninho
de onde nascem sabiás-da-terra
de onde os quero-queros vigiam os filhos
É um chão violento
das gramíneas abrasivas

É um grande hospício
de homens laicos loucos
Assista um gritar lírico:
— Ei, você aí do fundo
sentado sobre as hemorroidas!

Quando a matemática enlouquece
desfaz-se a lógica do vazio
Na rodô são seis habitantes
por metro quadrado
Os trinta e seis templos
por 1500 m de avenida
— Meu Deus, como sois generoso

E têm as mulheres que querem
acreditar nos homens, Emília
Acreditar pela fertilidade dos corpos
que têm de estar juntos dentro da cidade

Da Concha Acústica,
com a imitação do amor,
os homens contemplam
abrasados o mar imitado.
As pequenas embarcações de brinquedo,
que circulam e não partem nunca
para alguma exploração.
As embarcações são fiéis à cidade.

Também não vamos nos apressar
e dizer que os homens não amam, Otília.
Em fidelidade ao amor,
há os homens que invadem
os lares das amantes.
Cobram maridos que as amem.

E têm as horas solenes,
dos grandes assassinatos, Ana Lídia.
Os corpos levados ao mato,
estocados em sacos.
Só um pouco de cinza
recolhida do assento
da parada de ônibus.
Em duplas, em trios, em casais
os corpos são violados.
Depois ateados em fogo,
pois o desejo na cidade é quente.

E são as horas do advento dos carros, Otacílio
Eles param em plena Esplanada.
Em fidelidade à cidade,
os carros parecem dizer
que não querem partir
Já com o céu de mofo,
os funcionários exaustos
aguardam que os carros
decidam se mover

E Brasília decide se mover

Na ondulação dos ipês,
Nas embarcações quase paradas.
Ai! se move nas segredanças
das cores. Buganvílias
Ai! Brasília se move
no fremir louco de vida
em Otílias, em Otacílios
Em ti, Emílias