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Mostrando postagens de Maio, 2010

Nao era pra ser uma referência drummondiana

A máquina fala por mim
respira, traduz
A máquina come por mim
me lava, me induz
Minhas mãos perderam a utilidade

Deixei de ser caipira
Drummondiano não mais
O chão está plantado
Não desejo ir
não me peçam pra ver
Legaste-me um maquinismo para o sexo
Uma cápsula
para conformar a ausência de amor

A máquina me traz
todas as paisagens pra casa
Se peço algodão
a máquina me dá a paisagem
mais branca
me tece a paisagem retilínea
quase uma linha
A máquina me dá
a paisagem da ferrugem
se peço para ser ferro
Não preciso sair de meu quarto
pra ir a Itabira

Poemação

POEMAÇÃO DEZ
Uma Homenagem à poesia Lusófona
Um Sarau Videoliteromusical

A Biblioteca Nacional abre suas portas para o décimo POEMAÇÃO privilegiando a poesia brasiliense, visando à II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, a ser realizada em setembro de 2010.
O Poemação 10 faz uma homenagem à poesia lusófona, numa breve citação de poetas de Cabo Verde, Guiné-Bissau, S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola e Timor Leste. A poesia de Portugal será lembrada por Francisco Cruz (O Sid), poeta, recitador e filósofo num recital com poemas de Fernando Pessoa. O Brasil terá a poesia autoral de Salomão Sousa, autor de vários livros entre eles Safra Quebrada, uma coletânea de sua obra. O poeta Vicente de Paulo Junqueira nos mostra o Abcedário seu recém lançado livro e a performática do poeta maranhense Rego Junior com participação de Wellington Rios, violão e voz, e, George Carvalho, percussão.
Sotaques (Electronic Brasil Roots) de-formance poético-vídeo-musical com o VJ Xorume (Alexandre Rangel…

Poema Brasília

Quase não retorno a este blog. Mas a minha amiga Emília me pediu um poema sobre Brasília para apresentação de umas fotos da cidade em sua faculdade. Acveitei o desafio e está aí o poema. Espero que ele tenha a sua respiração autônoma.



É uma imensa porta de vidro
com horas de pôr de sol
com estações de mar de mariposas
É o céu violento
das luas de brasas excessivas

É uma nave espacial de luzes
a trincar vitrais e narizes
a tornar as flores explosivas
De jenipapos de pipas
de painas espatifos

É um esparramado ninho
de onde nascem sabiás-da-terra
de onde os quero-queros vigiam os filhos
É um chão violento
das gramíneas abrasivas

É um grande hospício
de homens laicos loucos
Assista um gritar lírico:
— Ei, você aí do fundo
sentado sobre as hemorroidas!

Quando a matemática enlouquece
desfaz-se a lógica do vazio
Na rodô são seis habitantes
por metro quadrado
Os trinta e seis templos
por 1500 m de avenida
— Meu Deus, como sois generoso

E têm as mulheres que querem
acreditar nos homens, Emília
Acreditar pela fertilidade d…