junho 24, 2010

AUDEN

Estou sempre preocupado com a poesia, e sobretudo com o meu blog. Um tanto desanimado com a burocracia do FAC, que levou à desclassificação da quase totalidade dos projetos de literatura, ibnclusive de meu livro. Precisamos eliminar a burocracia, pois, caso contrário, será melhor extinguir o projeto, pois a manutenção da máquina acabará mais cara para o cidadão do que o número de obras publicadas, de projetos aprovados. Estou maturando um processo crítico sobre a atuação da Secretaria de Cutura do Distrito Federal no que respeita a administração do FAC, pois, realmente, confundiu todo o meu de campo.

Enquanto isso, a tradução de um poema de AUDEN, a partir de outras versões. Só para sentir as rimas:

FUNERAL BLUES

Parem todos os relógios, o telefone emudeça,
jogue ao cão um osso e ele já não enfureça,
silenciem os pianos e ao toque dos tambores,
à frente do cortejo, o caixão apareça.

Voem em círculo os aviões em total conforto
descrevendo no céu a mensagem: está morto.
No peito das pombas brancas os laços das viúvas
e, os guardas de trânsito, em cor de breu tragam as luvas.

Era meu Leste, meu Oeste, meu Norte, meu Sul,
viveu minhas semanas úteis, meu verde, meu azul,
minha lua, minha meia-noite, minha fala, meu canto;
eu julgava eterno o amor: errei, no entanto.

Não é hora para estrelas; partam todas agora,
esconda-se a lua; desmantelado, o sol vá embora;
despejem o oceano, varram as florestas,
agora, a tudo de bom fecharam-se as frestas.



April 1936

junho 18, 2010

Morte de José Saramago

Não é só Lazarote que está de luto. O luto está em mim, no Brasil, pois José Saramago está na intimidade da cidadania brasileira. Não morre só uma maneira de escrever, mas uma voz participativa de nosso tempo — um tempo quase nulo de vozes defensoras do humanismo. Estou emocionado, só me senti assim quando recebi a notícia da morte de meu amigo-poeta José Godoy Garcia. Ainda me lembro de uma palestra sua no auditório do jornal Correio Braziliense e eu lhe perguntei sobre a atividade da imprensa que está preocupada apenas em se comunicar com determinada parcela da população, rebaixando o processo crítico, e ele respondeu com uma única palavra, com a sua voz participativa: "hipócrita".

junho 04, 2010

Correção da tradução de um poema de Cesar Vallejo

Pedra negra sobre uma pedra branca


Morrerei em Paris com aguaceiro,
num dia do qual já tenho lembrança.
Morrerei em Paris — e não me apresso —
talvez numa quinta-feira, como hoje, de outono.

Será quinta-feira, porque hoje, quinta-feira,
em que proso esses versos, pus os úmeros
na malas e, nunca como hoje, me deixei,
com todo o meu caminho, a me ver só.

César Vallejo morreu, surravam-no
todos sem que a eles não tenha feito nada;
lhe batiam duro com um pau e duro

também com uma soga; são testemunhas
os dias de quinta feira e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos…