julho 29, 2011

Viagem a Jataí

Depois de uma longa espera, consigo visitar Jataí (GO) para busca de raízes do poeta José Godoy Garcia. O seu irmão mais novo, o advogado Galeno Godoy, concedeu-me uma longa entrevista e visitou os locais em que passaram a infância. A casa da rua onde o poeta Godoy nasceu está um pouco desconfigurada, restando as vigas e o telhado originais. Permanece intacta a casa dos arreios. Alguns detalhes do material colhido são emocionantes. Nunca imaginei como a água pudesse ser distribuída numa cidade do tempo da colonização. Um rego era puxado de uma nascente, passando pelo quintal das diversas casas, servindo às casas dos patrões e da casa dos arreios. Tenho de ir imaginando e coletanto este material para a possível biografia que pretendo escrever sobre o poeta José Godoy Garcia. A família liberou, para escaneamento, mais de 50 cartas escritas por José Godoy.
Jataí é extraordinária, começando a explorar o seu potencial turístico, de águas termais. Estou muito bem instalado num hotel termal. Termas Bonsucesso.

Fotos: 1) pedras do calçamento da rua em que residiu, durante a infância, o poeta José Godoy Garcia. As pedras foram cobertas por asfalto, apagando as pegadas do filho famoso. 2) apareço ao lado da charmosa anfitriã da viagem. Andrea Godoy, sobrinha do poeta. 3) a Francisca ao lado da anfitriã. 4) no Café Relíquia, eu e Galeno Godoy aparecemos com Marlene Moraes de Freitas, ex-miss de Jataí, trabalhando agora em Goiânia como modelo.




julho 27, 2011

Novamente Degrazia

José Eduardo Degrazia me reenvia o livro Um animal espera — com poemas livres que o livro anterior. O livro integra a coleção minibuks da Território das Artes (Porto Alegre). O livro veio acompanhado de uma carta carinhosa, no estilo antigo — em manuscrito de punho azul. As cartas que me chegarem agora escritas de próprio punho passarei  a postar aqui como "autógrafos do blog". Sempre lembrando que qualquer imagem pode ser ampliada — basta clicar sobre ela.
Neste Um animal espera, Degrazia faz uma espécie de diário íntimo, lírico, do poeta dentro da cidade, com a sua crença e descrença. Posto aqui o primeiro poema do livro. Assim um Bloom que se levanta para o dia.




FEITO FLORES EXPLODINDO NOS VASOS

Feito um homem que estivesse lendo um poema
diante da janela subitamente azul da manhã,
um homem recém-levantado da mesa do café
em que migalhas de pão convidam os pássaros,
um homem que leu nos jornais as notícias do mundo
e ficou olhando as árvores pensativas da avenida,
um homem a olhar o céu onde andorinhas retornadas
de terras distantes anunciam a chegada da primavera,
um homem como todos com calor e frio e sede
e se dispõe a viver mais uma manhã por acreditar
na vida e nas pequenas coisas que acontecem
ao seu redor, feito flores explodindo nos vasos
e abelhas em sintonia com o mel das estações,
um homem apenas com a certeza de ser ainda
a encruzilhada no cosmos, vivendo o instante
sutil que lhe foi dado estar no mundo,
instante único e mágico da aventura de estar vivo. 

julho 23, 2011

Autógrafos do blog - Zé Nobre


No lançamento do livro Navegante ao léu, do Sóter, aproveitamos para colher o autógrafo de Zé Nobre, que colocou brilho na capa do livro. Zé Nobre fez e faz história na ilustração de Brasília.  

Autógrafos do blogo - Geraldo Lima



Estivemos no lançamento do livro Tesselário, de Geraldo Lima, e aproveitamos para pedir a ele o autógrafo para esta séria que aqui estou postando aqui no blog. Tesselário é um livro de minicontos que pode e deve ser adquirido pela internet e só pela internet, pois foi publicado por este sistema de venda por demanda. Consultar o site do próprio Geraldo Lima para compreender como se faz a aquisição.Geraldo Lima, além de autor generoso, é ágil na produção cultural. Depois do lançamento do livro de minicontos, já está com uma peça de teatro na praça (Trinta gatos e um cão envenenado).

julho 15, 2011

Livros de José Eduardo Degrazia e Rodrigo Marques

Recebi nesta semana dois livros de poesia. Os dois poetas chegaram. certamente, por orientação de amigos.
"O livro de Marta", do cearense Rodrigo Marques,  cujo autor deve ser do círculo de Nilto Maciel; e "A flor fugaz", de José Eduardo Degrazia, vem de Porto Alegre, mas traz apresentação de Anderson Braga Horta. Os dois livos são dedicados a amadas, pois bem líricos. O de Rodrigo Marques chega quase a um escracho, bem coisa de cearense, que nem sei se fica muito bem para a poesia, que sempre deseja se apresentar liricamente ereta, serena... Mas o poema que deixamos aqui ainda tem um quê de Camões-Século XXI. O de Degrazia, mais contido. Gosto de uma lírica em que os elementos se universalizem. Onde o amor se transparece em excesso, às vezes, perdemos em universalidade. No poemas de Degrazia, por exemplo, se a palavra do penúltimo verso fosse "amigo", acredito, a unieversalização aconteceria com muito mais perenidade.


Vamos aos poemas:

Soneto do amor quebrado
à Marta
de Rodrigo Marques 

Sem esvaziar a estrutura,
Sem escapar à linha-curva,
Agachas inteira a carne
Num biquini quase marca.

Vejo-te aí contendo a fruta,
Assim e tanto, corpo e parte,
O pomo agachado que bifurcas,
Que meus olhos escodem a cidade.

E de te lhar sozinho, à parte,
Sou-te muito o amor mais fácil:
Que não fixa e que não passa,

Que se acende e que não arde,
Posto que carne quando agachas,
Posto inteiro quando partes.



ABRIGO
de José Eduardo Degrazia

Um sino que repica no silêncio,
uma porta que bate em meio à bruma,
um sonho que se tem em meio à noite,
um amor que surpreende e que se esconde.

Uma nota de piano em meio à sala,
uma canção soprano em seu concerto,
um coração que fala em cada verso,
uma oração que cala em cada terço.

Tudo o que a vida nos ensina em calma,
tudo o que a alma reflete em seu refúgio,
tudo o que vem de um céu azul e limpo,

só para ver abrir-se o teu sorriso,
só para crer em ti — a melhor amiga,
só para ter em ti por fim, abrigo.