setembro 30, 2011

Novo livro do Ronaldo Cagiano

"O sol nas feridas", de poesia
de Ronaldo Cagiano, lançamento em Brasília
dia 30 de setembro de 2011,
sexta-feira, a partir das 19h
Café Martinica
CLN 303 - BLOCO A - LJ 4
ASA NORTE
BRASÍLIA - DF

setembro 23, 2011

Entrevista

Agradeço à equipe da Comunicação Social do Ministério da Fazenda, sobretudo ao Rafa, pela divulgação de uma entrevista comigo na página institucional do Gabinete do Ministro. Como a entrevista fica mais restrita aos funcionários do Gabinete, transfiro-a integralmente aqui para o blog.

Onde nasceu?

R: Nasci entre capoeiras na Fazenda Calvo, no município de Vianópolis, em Goiás. Mas me considero de Silvânia, pois a fazenda de meus avós se estendia pelos dois municípios, e nasci do outro lado do rio. Para afirmação de minha naturalidade, passaria a morar Silvânia, onde estudei no ginásio dos salesianos.

Quais suas paixões?
R: Como gosto da sagração de estar vivo, de participar das belezas que povoam cada margem de nosso caminho, são muitas as paixões de minha vida. Num dia pode ser as estrias amarelas de uma moita de bambu. Noutro, a rebeldia de uma pichação no tapume ao lado do meu caminho. As mulheres, os homens, as crianças, bem como a poesia e a música — são paixões obrigatórias. Estas não contam.

Algum ídolo?
R: Na minha geração, nasceram muitos ídolos, que agora se esfacelam. Lamento que a carência de ídolos transforme a geração atual em massas sem referenciais. Um ídolo? Antonio Conselheiro. Dois ídolos? Miles Davis e Beethoven. Três ídolos? Antonio Conselheiro, Miles Davis, Beethoven, Whitman. Uai, quatro? Eu seria muito mais pobre se não tivesse ouvido diversas vezes a Nona Sinfonia, e não seria rico sem os gumirins sobre as cevas dos rios de minha infância.

Algum hobby?
R: Conversar com um amigo e, se possível, ao som de jazz.

Qual estilo de musica que você mais gosta? Uma música para o dia de hoje.
R: Jazz, desde o dixeland ao minimalista. Mas, para ouvir hoje, “Bambino”, de José Miguel Wisnik, o sábio, com Elza Soares. Ou “Shout”, de Miles Davis.

Qual desejo de consumo?
R: Um livro de Hafiz, ainda a ser traduzido, com os seus 500 gazéis.

Quanto tempo de Fazenda?
R: Tempo suficiente para me aposentar. Mas, como os quadros do ministério estão renovados com a necessária juventude, muito me instiga a permanência. Vou ficando...

Fez algum curso de música? Desenho? Dança?
R: Nunca fiz nenhum curso específico de arte. Nem de música, desenho ou dança. Só de estética. Por isso, gosto de filosofia da arte, de história da música, de psicologia social. Lamentavelmente, danço abaixo do sofrível.

Esporte preferido.
R: Já pesquei, já nadei, já joguei cartas. Mas não pratico nenhum esporte com regularidade.

Uma viagem inesquecível. Por que?
R: Tenho muitos projetos de viagem, que acabam abortados na última hora. Para todo lugar que vou, acabo dentro de uma livraria. Mas sei que irei a Macchu Picchu e, lá em cima, lerei os poemas de Pablo Neruda sobre a localidade. Mas, qualquer travessia de vereda, para mim, é uma grande viagem. Não adianta viajarmos se não for para nos extasiarmos com a beleza e a história locais. Deixo a minha viagem a Carolina (MA), pois fui muito feliz diante de suas águas. Ou sentado diante do púlpito de Antonio Vieira, em Salvador, imaginando ouvir um de seus sermões.

Quando chega em casa, qual seus pensamentos, seus rituais?
R: Como raramente me alimento no meio da tarde, já entro em casa com fome. Não faço uma refeição completa — lancho, às vezes de pé. Assisto o jornal para repousar os pés, podendo deixar, muitas vezes, o banho para mais tarde. Leio, alimento meu blog, ouço música.

Tem plantas? Animais?
R: Tenho uma cadelinha dachshund. A Mel. E um limoeiro em homenagem ao poema Canção de Mignon, de Goethe, que serve de epígrafe para a Canção do exílio, de Gonçalves Dias :

Conheces o país onde florescem os limoeiros,
Em meio à folhagem escura ardem os pomos de ouro,
Uma brisa suave sopra no céu azul,
E o mirto e o louro em silêncio crescem?
Não o conheces?
Pois lá, para lá,
Quisera contigo, meu-bem amado, ir!

Conheces a casa, cujo teto repousa sobre colunas,
E onde brilham o salão e o aposento,
E marmóreas estátuas se erguem e me fitam:
Que te fizeram, minha pobre criança?
Não a conheces?
Pois lá, para lá,
Quisera contigo, meu protetor, ir!

Conheces a montanha e suas veredas enevoadas
Onde a mula, entre a neblinas, seu caminho procura
Nas cavernas habita a velha cria do Dragão
Onde a rocha se precipita, e sobre ela a torrente:
Não a conheces?
Pois lá, para lá,
Leva nossa caminho! Ó pai, sigamos pois tu e eu!

Sonhos?
R: Que não exista a eternidade! pois, se nos aborrecermos, estaremos impossibilitados de sair. A nossa cota de alegria e de infelicidade já é suficiente ao longo da existência terrena.

Conte uma história engraçada. Pode ser no trabalho, na vida pessoal. Qualquer uma.
R: Durante as crises econômicas das décadas 80/90, acontecia de alguma chefia não durar mais de um mês. Cada uma chegava alegando que “agora vai mudar”. Mandavam mudar as divisórias de lugar — até que se desgastaram os encaixes dos parafusos.
Além da história, eu gostaria de deixar um poema de minha autoria:

No galho a casca não é definitiva
Para filhotes surgem tocas,
as juntas amontoam pó e surgem trevos

Muda o pássaro a plumagem
só para ter outra coisa mais viva
e assim combinar com a nuvem

Vivo de me mudar de caminhos
para não ter de dar o mesmo tédio
Dar outro gosto à ternura

Vamos mudar de banda
Vamos mudar de brisa
E em meus braços nasçam ninhos



  

setembro 22, 2011

Silvia Perazzo

Surpreendeu-me a elegância dos poemas do livro "Kommos a uma só voz", de Silvia Perazzo, avó de Philippe Perazzo, nosso colega de trabalho. Poemas angustiados, mas lindíssimos. Informam-me que, além de poeta, é também compositora. Informam também a festa de lançamento do livro foi extraordinária, concorrida e aplaudida. Campina Grande (PB) está de parabens. Vejam este

SENTIDO PRÓPRIO


Plasmada na tristeza?!...
         Ainda não alcancei
                   o sentido de mim!
O que hoje sou?
                    Poeira de estrada?
                    Erva rasteira?
                    Raios frios de sol poente
soterrando-me na febre
                                     dos sentidos a fenecer?
          Descrente
                     plasmada na incerteza?...
Nada fui além de mim                   
                     que a mim cansou
Na sinuosidade dos sentimentos
meu eu ultrapassou
                                       só para mim mesma?
Só sei que eu não sei
porque sufoquei verdades
          — fingi...
          — fugi...
e me perdi na idade
          ladeada de lágrimas cortantes
sem mais cânticos para crecuperação
                                           que liberte.


setembro 17, 2011

Poema 59


se ninguém nunca
formular o convite
nunca haverá desfrute
e é quando se acende a luz
e acaba o lado escuro

Não haverá conhecimento
do horto da fruta
não haverá desfrute
se o convite é a fala muda

vem o convite para os vôos
e há o enfrentamento do sutil
e do inútil
o corpo serve às baixezas
e às alturas

o corpo da cidade
é um relógio de luz
e aquele que aguarda
é só um ponto fixo e escuro

vem o convite e a cidade luz
e o corpo aceita
e o escuro acolhe o fluxo
de um gesto de um flux

setembro 14, 2011

Lançamento de Francisco K

Lançamento novo livro do poeta de Francisco K
poeta inventivo da nova geração de Brasília,
nova que já vem de tempos antigos
sempre rejunovando


POESIA? E OUTRAS PERGUNTAS – Textos Críticos
de Francisco K
(7 Letras, 2011)
 
o q acontecerá em
21/setembro/2011 (quarta), a partir das 19 hs.

no Café Corbucci - CLN 203, Bl. D (esquina de fundos)


setembro 09, 2011

Miguel Jorge e Joilson Portocalvo

Sempre fico feliz com novos trabalhos dos amigos.
Parabens ao Joilson Portocalvo pelo lançamento de mais um livo infantil, que vale pra todo mundo;
e ao Miguel Jorge, pela tradução do seu histórico livro de contos "Veias e Vinhos" para o italiano. O livro traduzido será lançado em Goiânia no dia 28 de setembro deste anodomine de 2011.
Vejam o convite do Miguel Jorge.
Não consegui converter o convite do Joilson, que veio em PDF.
Informações sobre o lançamento do Joilson

Dia: 16 de setembro de 2011 Horário: 17h30
Local: Colégio Dromos sudoeste EQ SW 303/304 lote 3


setembro 07, 2011

Jonatham Franzen

Estou um pouco sumido daqui do blog, mas a cultura está fervilhando em minha cabeça. Primeiramente, a frustração do cancelamento da Bienal Internacional de Poesia. Agora terei de encontraroutra saída para a antologia da poesia goiana, que organizei para o abortado evento. A antologia está pronta. Agora vamos precisar de outro patrocínio ou de alguma editora encampar a publicação. Vou ver isso com  calma, e aceitamos indicações de soluções. Não foi culpa do Antonio Miranda, mas de visões caolhas da administração.

Vi poucos filmes. "Árvore da vida", de Malick, é frustrante. Não merecia estar em Cannes. Imagens desconexas, roteiro que não sabe o que quer: misticismo ou crítica à família. Li um livro de Amin Malhouf. Líbio residente em Paris. Ver como outras culturas  pensam a organização do mundo. Só a visão americana ofusca a forma de como a humanidade deseja o domínio econômico e as relações internacionais.

Finalmente, li o aclamado "Liberdade", de Jonathan Franzen. Romance caudaloso (605 páginas) sobre a fragmentação da sociedade americana. Não só da sociedade — de sua cultura. O livro mostra como a forma de ser realista de composição romanesca mudou. Venho brigando: sem conhecer a sociedade não é possível escrever. E Franzen conhece. Às vezes pisa na bola: no momento em que vai escrever sobre gerações anteriores, continua no mesmo tratamento que dá aos aspectos contemporâneoas. Mas é um autor oportuno e importante — não tem como deixar de reconhecer. Vou agora passar para a leitura do seu livro anterior — "As correções", que é considerado a sua obra prima. Se é assim, Franzen vai muito bem. Ainda mais para um autor novo: 42 anos. Em alguns momentos a tradução escorrega, mas a própria formatação do estilo, que está preocupado em mostrar a deterioração da linguagem, também complica ou mascara o trabalho do tradutor. Mas há erros na edição, que merecem "correções" em edições futuras. Umas duas que assinalei, só para encher o saco: "Mas pode dizer que antecipar" (pg 362) — a frase não pode ser esta, pois está totalmente sem conecção; "E provavelmete conseguir" (pg 161) — anotei esta, mas a frase está correta, só que a tradição do português recomenda as vírgulas. Acabei não assinalando outros exemplos... Mas são muitos, sobretudo a falta de ajuste às tradições do português em nome à fidelidade do original. Muita coisa não funcionou bem. Mas é um romance de extraordinária oportunidade. Vai ter o seu espaço e merece leitura.    

Ponto de Partida


Comecei bem o dia de nossa nacionalidade. Ouvi o DVD "Pra Nhá Terra", do Grupo Ponto de Partida e Meninos de Araçuai. Acredito que desde "O Grande Circo Místico", de Chico Buarque, esta é a produção mais importante para um universo infanto-juvenil. E pro adulto também. É emocionante de ver e ouvir. Fiquei comovido a cada música, que, dentro de uma visualidade simples, inaugural, nos arrasta para origens e alegrias. Lamento que o trabalho de Pablo Bertola não esteja em destaque na capa do DVD.  As suas músicas são perfeitas, ainda mais com o violão de Gilvan de Oliveira, que eu já conhecia de outros cds. Não. Não queiro comentar. É obrigatório ouvir e rever. Parabéns para todos os envolvidos.

Deixo aqui a capa do DVD e a ficha técnica que está na página do grupo:


Esse DVD é fruto da parceria entre Grupo Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí e foi gravado ao vivo, no dia Mundial do Meio Ambiente no Auditório Ibirapuera em São Paulo. Com textos de Manoel de Barros e canções originais de Pablo Bertola, Lido Loschi, Júlia Medeiros e Leandro Aguiar, além de composições de nomes consagrados da canção brasileira (e mineira): "Dois Rios" (de Tavinho Moura, Sérgio Santos e Fernando Brant) e "Estrelada" (de Milton Nascimento e Márcio Borges). A direção musical e os arranjos são de Gilvan de Oliveira. O DVD foi gravado pela Conspiração Filmes com direção de Sergio Glasberg. O espetáculo foi concebido pelo Ponto de Partida, com dramaturgia e direção geral de Regina Bertola.