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Mostrando postagens de Setembro, 2012

Os pequenos aprendizes de poesia

Recebi o seguinte e-mail de minha amiga Marta Teixeira:

Os Poetas

O Eduardo tinha que fazer uma poesia para a Escola.Então resolvi visitar um poeta de verdade (Salomão Sousa). Levei comigo dois seguidores e aprendizes de poeta: Eduardo e Lucca - embora contra a vontade deles que queriam o vídeo game. Salomão ensinou que a poesia pode brotar de qualquer coisa: da lua, da cachoeira, da janela do carro. Qualquer coisa. Coloquei o jantar em casa para os dois meninos - escondidinho de carne moída. E iniciei a conversa: Que tal a gente fazer uma poesia? Pode ser para o escondidinho, que já ganhou o título. Lucca engrenou logo os três primeiros versos. Eduardo continuou. Tira dali, tira daqui, veja o que sobrou:
Escondidinho
Pega carne Pega batata Acho que bate Amassa batata Faz o purê Bota no fundo Pega carne Bota no meio Pega o purê Bota em cima Tudo isso em uma grande forma Que  bota no forno Assa correndo Espera faminto Bota no prato Tudo quentinho Hum!!! Que delícia!

EXERCÍCIOS PARA DEVORAR UM CARVALHO

Para não continuar morrendo de inveja das conferências fictícias de Eliot no livro de perfeição incontestável de Gonçalo M. Tavares, isolo uma frase do romance As vidas de Dubin, do norteamericano Bernard Malamud, para uma análise também fictícia, pois tudo que gira na esfera do teórico é imaterial. Bernard Malamud é mestre na inserção de silogismos poéticos de extrema sabedoria em suas narrativas. No entanto, nem tudo que é sábio carrega praticidade no momento de aplicação nos atos de enfrentamento da realidade. A poesia e a sabedoria não existem para serem postas em execução na práxis. A poesia e a sabedoria existem para enlevar, engrandecer, deixar evidente que em algum momento o indivíduo pode agir heroica e belamente. Em minhas análises da frase de Malamud, não vou ter em mente o personagem romanesco a que ela se refere, mas o homem enquanto ser presente na realidade, materializado, que atua, constrói e destrói, pois, o ato de devorar exige materialidade tanto do devorador quanto…

Edson Guedes de Morais

~Edson Guedes de Morais me manda uma caixinha com cartões montados com poemas de minha autoria. Outras vezes ela já me brindou com trabalhos artesanais. E assim ele tem feito com diversos poetas. Só de Brasília, tenho conhecimento que ele já montou caixinhas com poemas de João Carlos Taveira, Antonio Miranda e Alexandre Marino. Tenho imaginado uma forma de retribuição, mas nem sempre conseguimos equilibrar os gestos da paixão. O que Edson Guedes de Morais faz é por paixão pela poesia. E estou comovido pela escolha para estar entre os trabalhos de José Edson de Morais. Parece até que meus poemas ficaram mais expressivos depois de passar por suas mãos carinhosas. Ele é contista e poeta nascido em Campina Grande (PB).


Tropicália

Voltei ao cinema. Desta vez para assistir o documentário "Tropicália", acompanhado dos amigos Poesia Iberoamericana Antonio Miranda e Zenilto. O filme se destaca pela recuperação de imagens do movimento, principalmente de Caetano Veloso cantando "Asa Branca" - ponto altíssimo do filme, junto com o depoimento de Tom Zé. O cinema estava vazio, mas será que a juventude terá interesse em participar  
criticamente dos movimentos artísticos e momentos históricos do País? A tropicália se deu num instante em que a juventude queria participação, queria produzir. Hoje em dia a coisa tá melancólica. Fui à pecuária de Silvânia e fiquei entristecido. Até julguei que na cidade não tenha promotoria. Como é que as autoridades permitam que as famílias tenham de participar de shows construídos só com palavrões e músicas do mais baixo (deixa pra lá). Olha, essa música "minha capirinha está com cheiro de..." é vergonhosa. Os eventos custeados com dinheiro público …

Cosmopolis

Apesar de os filmes que se encontram em cartaz não serem nada animadores, arrisquei a ver "Cosmopolis". Fui na cara e na coragem, sem ver, inclusive, que era sobre o romance homônimo de Don Delillo. Assustei quando cheguei ao cinema e os funcionários do café e da limpeza da área do cinema já anunciarem que o filme é o pior que já esteve em cartaz, pois alguns que vão assisti-lo chegam a sair com menos de dez minutos de exibição. Só isso já foi um desafio. Precisava compreender essa façanha de Cronemberg! Primeiramente, o filme não é acelerado como a sinopse apregoa. É lento como um ensaio de Derrida! No entanto, é oportuno, pois todo Don Delillo é oportuno, e também todo Cronemberg. Arrasa com o universo capitalista, de isolamento do indivíduo dentro de seus bens e interesses. O personagem chega, na condição de capitalista, a ter uma chefe, em sua organização, para tratar das "teorias". Portanto, é um filme teórico. Inclusive há uma frase, que não dec…

Cléa Marsiglia

Hoje foi meu dia de ir aos sebos de Maceió. São vários. Lamentável que o preço de livro usado no Brasil  tenha se elevado muito em razão da concorrência da internet. Talvez por isso as livrarias fiquem vazias.
Alagoas é a terra de dois grande poetas: Jorge de Lima (um dos mais perfeitos do Brasil, e de Lêdo Ivo).
Comprei dois livros de Cléa Marsiglia. Fiz um verbete da poesia dela para a Poesia Iberoamericana Antonio Miranda. Deixo aqui um dos poemas do livro.

Bem de leve caminhar e lembrar
sem entristecer o  presente
nem esconder a beleza do passar.
Não fala do ontem
nem foge do hoje.
Sabe que tudo está sempre andando
para outros lugares
até chegar ao perfeito não ser.

Bem de leve passa a ternura
pelo imenso do amar
até se desmanchar no eterno.