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Mostrando postagens de Julho, 2013

UM DISCURSO DE GÓRGIAS

Poema de Antonio Miranda
para Salomão Sousa A minha poesia
só existe para mim.
É incomunicável.
O que se escreve é
incompreensível. Faço minhas leituras
de Drummond, sem jamais
apreendê-lo: palavras
me levam a outro sentido.

Releio e recrio. Por isso
o crítico escreve mil palavras
sobre um mesmo verso
de Pessoa, e apenas
o intuímos: o sentimento
é intransferível!  Uns
dizem entender, outros
abominam, nos desentendemos.

Insondáveis, alteregos
do diálogo de equívocos.
Intencionalidades. Tent
ativas, aproximações. Sempre nos vemos nos
outros sem que nos vejam.
Não vemos ninguém,
só a nós mesmos.

Condenados ao solipsismo.
A sós, nós
na multidão.
Em vão.  Brasília, 14-07-2013