outubro 26, 2013

O dia nasce em Silvânia
com o céu de plasma da poesia.
Suco de limas da Cracóvia
viajantes parceiros das nuvens
preparam em outras varandas.

Outros preparam geleias de laranja,
empastam pão com essência
de jabuticabas e das mãos.
Não muda, não muda o desejo,
permanece um dogma a opinião.

Na mesma hora anda a mulher,
só de curtas galochas,,
pela rua que esteve num sonho.
Maracanãs no galho de madressilva
advinhe em que céu,  em que dia.

outubro 23, 2013

ANE

Foto com as poetas Maria Abadia Silva, de Goiás, e Myriam Fraga, de Salvador, na sede da Associação Nacional de Escritores, em 22.10.13, no lançamento da antolologia peruanaTransbrasiliana , de poetas brasileiras.


outubro 20, 2013

poeminha banal

Estou enamorado de tudo
Não há ausência de sol
A língua afiada
näo haverá dormência de uivos

Certezas de que irei encontrar
ainda que atrás do muro
ainda que esteja cercado
de mínguas e brejal

Não tem importância
que demore a íngua
Não tem importância
que seja banal

biografia autorizada

Aguardo o biógrafo desautorizado
que irá corrigir minha pobreza corrosiva
As cáries e falhas dentárias
Eu em sangue entre engradados
num cômodo escuro e sem água
na empoeirada Vila Matias
com o prático dependurado em minha boca

Teria outras para o biógrafo corrigir
se julgar pouco as minhas torções de dor
só com a droga da poesia
num quarto de frestas e tábuas
As minhas metamorfoses explosivas
A primeira noite de sexo
diante de uma lagarta na parede
Impedir a vizinhança toda acorrendo
para socorrer a amada aos gritos
Arrancar de dentro dos móveis
a correspondência interdita

O biógrafo para corrigir
os bullyngs eu jogado na poeira
gingles ditados à minha nuca
Calu Calu
quantas pregas tem teu vestido azul
O biógrafo não terá de pagar
a percentagem por minha miséria

Se a vida não me inventou outra história
Se não me inventei melhor
melhor invenção pode ocorrer
na máquina de invenção de outro

Poema

Areia flexível penetrável
movente nas longas margens
onde qualquer pata se afunda
qualquer cão babuja fezes

Flacidez desmontada por garras guerras
e não me reconhecem pó ao desamparo
às debulhadas de floradas secas
a ansiar por sangue e rigidez

Resseca a cola vermelha de tuas veias
de permeio em mim
e me encaminharei à margem
das ameias fixas

Gerações aguardarão sobre a muralha
Vão apontar as armas
Vão mirar horizontes
tremeluzes de miragens

Areia e sangue cimentados nas travessias
em defesa das eternas pátrias
Vão admirar as flexíveis plataformas
as irremovíveis montanhas as corcovas

Seguirei afeto ao sólido
interminável marca pelos territórios
impenetrável ao piche da fezes
à acidez das babugens

a Rita Cruz