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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

De Luiz Marins da Silva

Luiz Martins Da Silva comentou um link que você compartilhou.Luiz Martins escreveu: "De Jorge Luis Borges -- Two English Poems: http://www-ccs.cs.umass.edu/cris/texts/two-english-poems.html"Two English Poems I The useless dawn finds me in a deserted street- corner; I have outlived the night. Nights are proud waves; darkblue topheavy waves laden with all the hues of deep spoil, laden with things unlikely and desirable. Nights have a habit of mysterious gifts and refusals, of things half given away, half withheld, of joys with a dark hemisphere. Nights act that way, I tell you. The surge, that night, left me the customary shreds and odd ends: some hated friends to chat with, music for dreams, and the smoking of bitter ashes. The things my hungry heart has no use for. The big wave brought you. Words, any words, your laughter; and you so lazily and incessantly be…

De Ronaldo Cagiano

Salomão, sem dúvida, Cântico Negro, de José Régio, é minha eleita, no que espero simbolizar a essência dessa consciência estética que nos sugere um contraponto ao status quo vigente, principalmente na literatura.

Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde

De Leo Barbosa

Leo Barbosa: É difícil escolher (escolher um poema predileto), mas o primeiro que me veio à mente foi TABACARIA, do Fernando Pessoa - talvez a escolha seja por demais clichê, mas tá valendo http://www.jornaldepoesia.jor.br/facam08.html

Késia Mota: Tabacaria, com certeza, o melhor poema de todos os tempos!

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.


Estou hoje vencido, como se soube…

De João Carlos Taveira

Salomão, atendendo a sua solicitação, envio-lhe um poema do Rilke muito propício ao instante: sem título, ele pertence ao livro 

VIDA DE MARIA.
Rilke


Minha miséria agora é completa. Algo sem
nome
apoderou-se do meu ser. Imóvel,
como se fora pedra,
o cerne também de pedra.
Apenas uma coisa eu sei:
Cresceste
... cresceste muito
até alcançar a grande dor
que meu coração não pode compreender.
Jazes deitado obliquamente no meu colo
e então, então é impossível de novo
te gerar.

De Cristiana Moura

Salomão Sousa, obrigada pelo convite e atendendo a sua solicitação com muita felicidade envio um poema que amo desde a infância. Motivo de Cecília Meireles sempre me encanta pela delicadeza com que aborda temas universais que acompanham a humanidade como amor, transitoriedade da vida, morte e efemeridade do tempo. Além de possuir uma musicalidade que canta nos nossos ouvidos a sua linguagem altamente feminina, intuitiva e sensorial. Uma poeta e seu poema que amo 

- Motivo - 
Cecília Meireles 

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Brasigois Felício

você não está fora de foco: penso também que a poesia não deve ser só a anotação ligeira, à moda Leminskyana - tem de voltar e está voltando a ser o que sempre foi, um mergulho lírico ou filosófico, sempre profundo, na vasta e complexa realidade do mundo.Grande abraço!

A Máquina do Mundo

Carlos Drummond de Andrade

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do …

De Ronaldo Mousinho:

Cogito, de nossa autoria, saúda o experimento do clone: 

Viver é constatar em esplendor,
É vislumbrar o impossível no potencial possível
Ser humano é ser Deus em juventude,
É cogitar mistério ante o existir,
É transição, arrebatamento,
Ascensão cosmológica ou niílica prostração ante a falibilidade.
Que somos?
Fagulha anímica, átomo eterno,
Ou mero vivente transitório?
Morte, até qdo. serás mistério?
Trajetória estimulada por contínua busca do "onde, para onde"
Mistério q. se eterniza em vida onde navegamos à deriva
Cogitando.

De José Carlos Peliano

Segue aqui um poema simples mas poderoso de Clarice Lispector, aquele de duas imagens da mesma imagem no espelho, atendendo ao chamado de meu amigo poeta da safra que nunca se quebra:

Não te amo mais
Clarice Lispector
Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

(Obs importante: vale ressaltar que sua leitura é feita de ordem inversa, ou seja de baixo para cima - ocorre duas interpretações distintas conforme o fluxo da leitura)
Surpreendi-me com a leitura do livro infanto-juvenil "A diaba e sua filha", da africana Marie NDiaye, publicado pela editora Cosac. É uma história simples, de uma diaba que procura pela filha. No entanto, é uma fábula que todos pais dêvem ler com seus filhos e interpretá-lá num diálogo aberto. Pois fica claro que aquilo que abandonamos é o que nos ameaça e intimida. Fiquei comovido.
Pena que os livros estejam tão sobrepreçados para grandes lucros e descontos pelas grandes redes. Um livro destes devia estar com o preço abaixo da metade. Até sugiro à Cosac Naif procurar fazer uma edição mais acessível deste livro. Ele merece e a sociedade brasileira merece. Ele poderia ser outro pequeno príncipe dos tempos atuais.