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Mostrando postagens de Dezembro, 2016
Mas ser amado é poder ser útil ao amor.
Por exemplo, pregar pregos onde o amor não quer se fixar,
coçar onde os piolhos estragaram o amor.
Por exemplo, ser útil com o calor onde o amor se esfria,
ser belo onde o amor vai com o fluxo das rugas.

Mas ser amado sem comer o gosto de pedra.
O gosto de amora e jambo também não é o gosto
e a utilidade que o fruto leva para o beijo.
Ser útil ao amor, por exemplo, com a carnal das mãos
sobre o trabalho de aliviar a velhice do amado.

Mas ser amado não é só à espera do verniz
da bengala. Tem de esvaziar antes os ossos,
soltar dos portos tantas embarcações de outros
que não ficarão para assistir o que o beijo
gasta de jambo e carne, antes da partida.

O que me enriquece

Quando terminamos um ciclo, seja de tempo ou de percurso entre um ponto e outro da territorialidade de existirmos, cumpre-nos avaliar o que fortalece ou empobrece a nossa existência. O que me empobrece está na minha impossibilidade de contribuir para que em todas as casas exista a ereção do espaço para que as pessoas construam a consciência do que são, através das marcas da cultura. Nunca me esqueço de uma casa de um bairro que esteve um dia em meu percurso. Atravessei-a, pois o único percurso era passar por dentro daquela casa. A família tinha apenas um banco em que sentar, e possivelmente só lhes resgatassem ficar silenciosos ao lado um do outro. Voltei neste ano a encontrar pessoas assim sentadas, sem poder contar com nenhuma compressão, de outros, de si, sem conseguir pensar por si o que está a acontecendo com elas. Mas sabem que estão amarradas a uma impossibilidade amarga. O maior desastre é não conseguir compreender a realidade que foi construída em volta de si. Deprimo-me quan…