Pelo estrugir do engarrafamento passar
como as águas que moveram o moinho
Esquecer de esquecer o sussurro sobre
o amante playboy da Cibele
Depois de não ter dúvidas de conhecer
o namorado que morreu sem pagar as dívidas
andar pelo shopping cheio de strass
Não será mais a antropologia
de juntar cacos e contar ripas
e se enfiar debaixo da cerca do stress
Ainda mais que atravessou a fronteira
o amigo que levantava o arame em Tamaulipas
Virás
Em tua pele incrustar um Rivera
um crustáceo de um mar íntimo
Aparecerão tuas virilhas quando
assim que quebrados os vidrilhos
Tanto faz Levi-Strauss em nosso gás
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
6 de setembro de 2010
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