Foto: Maria Antonieta Bezerra e Salomão Sousa
Em visita a Fortaleza agora neste final de setembro de 2010, estive na Taberna Livraria acompanhado dos escritores Nilto Maciel e Pedro Salgueiro, e fomos informados por Maria Antonieta Bezerra, proprietária da livraria, que brevemente entrará num processo de liquidação de algumas áreas dos 17 mil volumes do acervo até o encerramento total das atividades do estabelecimento.
A Taberna Livraria – mais antiquário que sebo, pois está voltada para um acervo mais seletivo – está em atividade há doze anos. Antonieta, ao esclarecer que a livraria Taberva nunca foi um grande empreendimento, talvez pela falta de seu tino comercial, não se aventura a apresentar causas específicas para o acelerado processo de fechamento das livrarias brasileiras. Ela, que é bibliotecária aposentada, disse que já assistiu várias crises que ameaçaram a existência do livro. Primeiramente, a microfilmagem, que acabou ficando restrita aos jornais; depois, a xerox (relembra que conheceu a primeira Xerox do Brasil, em São Paulo, que enchia toda uma sala). E, a última crise, a chegada do computador −, “mas não acredito que o livro digital vá acabar com o livro. Primeiro pelo preço do leitor do e-book, e ainda pelo sabor do livro impresso que o e-book não tem”.
A Taberna Livraria funciona numa casa de propriedade de Maria Antonieta Bezerra, com instalações acolhedoras, que as grandes redes não conseguem mais oferecer, pois o moderno consumidor não tem mais oportunidade de sentar com o livreiro, discutir as edições e os títulos dos livros, e nem mesmo tomar um cafezinho num ambiente de familiaridade. Eu, Nilto Maciel e Pedro Salgueiro ficamos na sala especial de Antonieta, conversando por quase duas horas.
Maria Antonieta Bezerra, que faz questão de dizer que não é uma bibliófila, é uma das oito primeiras bibliotecária do Ceará, que foram enviadas ao Rio de Janeiro por Martins Filho, da Universidade Federal do Ceará, para fazer o curso. Depois do encerramento das atividades da livraria, Antonieta deseja desenvolver algum tipo de trabalho voluntário, mas não área cultural, apesar de reconhecer que Fortaleza precise de uma orquestra sinfônica, de um corpo de balé, entre outras carências culturais. Ela relembra que a sua relação com o livro vem desde a infância, pois sempre gostou de ler (na livraria, ela mantém uma estante fechada com os livros pessoais, que inclui Rilke, Tolstoi, Thomas Mann). Ela relembra uma das maiores emoções de sua visita: visitar, na Alemanha, o Museu Gutemberg, e ver com encantamento a Bíblia de Mogúncia; e afirma que, por não ter paciência de abrir o dicionário, deseja ter um leitor de e-book só para consultar com mais facilidade o dicionário e ler Bíblia.
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
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Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário