DAR-SE AOS PREGOS E ÀS LÉGUAS
ferrugem colada às lavas
perder-se salsugem nas águas
larva nas boas e más línguas
perder-se para se moldar
entre a marreta e a bigorna
perder-se na quentura do forno
pães nas esbórnias dos lábios
entornar o sangue
nos moldes dos trevos
e voltar a se perder
safra quebrada nas lâminas
perder-se para nascer
nas flores e nos olhos da terra
não ser o ferrolho inchado
o caruncho na madeira das íris
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688
Novamente Anitta
Duas atividades movem a minha vida: ver a floração da natureza e a proximidade da arte. Uma volta na quadra sempre confirma que a natureza ...
-
Para Mariza Buslik Sou aficionado pela origem das palavras e pelos diversos significados que elas vão ganhando durante os desdobramentos dos...
-
Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como ...
-
Sempre desejei presenciar a peça "O impossivel", de Maria Martins, a única artista surrealista brasileira. Ao comparecer ao museu ...
Meu querido poeta, a fina essência da sua poesia é mais que glacê ou licor, é néctar! Adorei o poema e embriaguei-me no fecho:
ResponderExcluir"perder-se para nascer
nas flores e nos olhos da terra
não ser o ferrolho inchado
o caruncho na madeira das íris".
Abraço de irmão,
Luiz de Aquino