6 de janeiro de 2026

Uma leitura de Robert Walser

    Comecei antes do Natal de 2025 a leitura do pequeno livro "Jakob von Gunten", do suiço Robert Walser, escritor admirado por grandes nomes como Kafka, Elias Caneti e Walter Benjamin. É o segundo romance de Walser que leio. "O Ajudante" também me cativou sobremaneira. Em "Jakob von Gunten" encontro tudo que me cativa numa obra romanesca. A poeticidade, a capacidade introspectiva de tratar os personagens e a sombra da época que paira sobre o leimotiv do livro. Cenas como a que o personagem imagina participar do exército de Napoleão é inesquecível, e quase impossível de escrever o capítulo que trata da experiência sexual do jovem personagem. Nunca vi nada igual!

    São três livros sobre instituições educacionais, onde os personagens passam por fomação, que merecem atenção. Nesse, o personagem, narrador de si mesmo, trata do eu livre, sem peias diante da sociedade; em "O jovem Torless", de Musil, há uma premonição da violência que cairia sobre a Europa na forma de nazismo e fascismo; e "O Ateneu", de nosso Raul Pompeia, que trata da situação repressiva da própria instituição de ensino. Assim temos: a violência está no próprio indivíduo, já que ele confunde liberdade com o direito de menosprezo ao outro, está no ambiente das nacionalidades e também dentro das instituições. Resta a nós atenuarmos esse ambiente de violência.

    Acho que comecei bem o meu ano de leituras. Uma citação do livro: Não pense que, por amor a vocês, as tempestades, os raios, os trovões e os golpes do destino foram abolidos. De jeito nenhum!. E ainda acordo ouvindo em minha própria casa que devemos punir os assassinos arrancando-lhes os olhos! É difícil humanizar o mundo!

    Julgamos sempre que é razoável invadir territórios e assassinarmos as leis internacionais. ou esta outra citação: Ainda bem pequeno, abri um buraco na cabeça do meu irmão. Mas isso foi um acontecimento, e não uma tola travessura.

    Trata-se de um livro que merece permanecer com mais disponibilidade do mercado. Só temos uma tradução pouco comercializada e cara. Merece uma edição de bolso com presso mais acessível.




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Folder do lançamento do livro

A poesia não deixa de ser uma fidelidade ao que amamos. Continuo fiel à poesia em A NOITE ESCURA DOS CRISTAIS PERDIDOS, que nasce acolhido...