Pietro Costa fez no Facebook uma leitura primorosa do meu A selva escura dos critais perdidos. Precisamos que os
escritores se manifestem mais sobre a produção literária de seu tempo. É na manifestação que nos compreendemos,
aprendemos e exigimos de nós mesmos presença. E o Pietro é um dos mais
presentes e atuantes no ambiente da literatura brasiliense.
“Não
procuro nos livros uma confirmação de minha própria maneira de escrever. Seria
tedioso encontrar em toda estante apenas espelhos. Prefiro as janelas, as
frestas, os alçapões, eventualmente até as paredes contra as quais o leitor
precisa esbarrar para descobrir que há outras arquiteturas possíveis para a
linguagem.
‘Possivelmente,
Salomão Sousa se inscreve no rol de escritores para os quais a palavra soa
desconfiar de sua primeira aparência. Sua poética requer demora. O verso não se
oferece como objeto decorativo; provoca, desloca, solicita releitura. Há uma
consciência aguda da linguagem e de suas insuficiências, como se escrever fosse
também perscrutar aquilo que escapa enquanto tentamos nomeá-lo.
‘Prestigiar
seu lançamento acresceu outra camada à leitura. Conhecer o escritor é uma
experiência; reencontrá-lo após, dentro da página, já se trata de uma outra
interação. Entre ambas, viceja uma zona instigante na qual pessoa e obra se
aproximam sem jamais coincidirem por inteiro.”
