7 de outubro de 2026

Minha experiência e preocupação políticas

Experiência política com três adendos

O tempo ficou curto. Será que ainda dá tempo de firmamos uma consciência sobre a ação política que precisamos? A compreensão da política exige longo percurso para ser formada. 

A filosofia nos alerta que toda ação humana tem um componente de teor político. Toda tomada de decisão – seja correta ou aventureira – é política. E toda decisão política afeta a todos e não só quem a negociou. Não podemos tomar decisões políticas com irresponsabilidade, pois não podemos esquecer que seus efeitos afetarão a todos.

Fico imaginando onde começou a minha interação com a política. A primeira ação política relacionada à minha vida, possivelmente, tenha acontecido no meu nascimento. Duas mulheres – minha mãe e minha madrinha Mariinha – sozinhas, sem domínio dos cuidados com o parto, cuidaram da minha chegada ao mundo. 

Temos e compreender que essa inauguração de minha presença é um fato político. A ausência da política também é política. Quando o Estado não comparecia à minha região com ações administrativas para inclusão da população à nacionalidade, era um ato político de banimento de parte da sociedade. A uma parte da sociedade ficava impedido o acesso à riqueza do país. Ali no entroncamento dos rios Calvo e dos Bois, no município de Silvânia, até a minha saída da localidade, nunca chegou um centavo de benefício para a população. A administração nunca tinha feito uma estrada, um mata-burro, uma escola, uma agulha de injeção sequer.

Os donos de terras, que eram os mandatários políticos, moravam nas cidades, geralmente na capital, e compareciam às suas fazendas só para usufruir do resultado do trabalho dos agregados. Os agregados goianos viviam em total regime de servidão, pois não tinham acesso a nenhum direito trabalhista. Os homens tocavam as roças de meia e as mulheres cuidavam dos serviços da casa do senhor da fazenda. Tudo isso, em troca do direito de ter um rancho precaríssimo na propriedade.

 Tocavam uma roça no terreno do latifundiário. às vezes, o latifundiário chegava a recolher toda a produção depois da colheira, deixando o trabalhador viver à míngua. A esse trabalhador sempre era solicitado serviços na fazenda.

 Erguer uma cerca, fazer roçados, abrir um rego. Quantas vezes compareci com meu pai a esses serviços. O pagamento era um litro de sal ou de querosene. Essa era a ação política: a exploração de meu pai e o impedimento de seus filhos de ter acesso à saúde e à escolarização.

Essa exploração teve continuidade quando nos mudamos para a cidade. Os políticos locais – que eram os mesmos mandatários de nossa região – eram os candidatos do partido político da Ditadura. Meu pai era convocado para ajudar no comitê partidário. Ia à fazenda, ajudava a fazer tachadas de doce de leite, a matar bois para o churrasco, e ainda ajudava no transporte daquelas dezenas de latas de querosene de vinte litros cheias de doce de leite para manter no cabresto o eleitorado da cidade. As crianças ficavam brincando no meio daquela festa dos coronéis políticos, com churrasco e doce à vontade.  Era o mais terrível engodo – compra de voto e preparação dos jovens para continuarem submetidos ao mando sem acesso a direitos. Cheguei, à época, a visitar o comitê da Oposição, que ficava às moscas. A construção do endeusamento dos políticos governistas era um processo de impedir a construção de conhecimento dos direitos individuais. Era suficiente, para os eleitores, o direito a uma festa na época da eleição. 

Apesar de ter trabalhado mais de quarenta anos com a política dentro do Congresso Nacional, nunca tive um engajamento com o processo. Foram anos acompanhando atividades de CPIs, da Constituinte, dos estatutos dos direitos das crianças e dos idosos. 

Foram anos de leitura para compreender os regimes totalitários. Quanto desespero senti em minha vida ao ler os livros sobre o nazismo e o stalinismo. O horror praticado pelos Doi-Codi da ditadura. A dúvida se ficava com a esquerda ou se me equilibrava com o centro. O poeta José Godoy Garcia me confundindo com a sua história participativa nos movimentos comunistas do Centro-Oeste e com seus elogios a Stálin. A estupefação com as declarações feita por um secretário-executivo de ministério, que tinha sofrido nas mães de torturadores. Declarou que na Ditadura havia uma cela carcerária no Ministério da Defesa, que ficava próxima ao gabinete do ministro da época da Ditadura. A estupefação quando na campanha política há promessa de castração humana. 

Passei por Karl Marx, passei por Rousseau. Esses me mostraram que somos revolucionários e precisamos de participar e nos rebelarmos, nos revoltarmos. Cheguei a ficar assustado com as leituras de Octávio Paz e Albert Camus, que se mostraram descrentes com a política, pois o homem se acomodou e não faz mais a revolução e se satisfaz em ser apenas um revoltado. O revoltado grita na solidão, sem ir para a rua, não faz enfrentamento.

Mas os pensadores foram mudando e eu com eles. Edgar Morim humanizou a esquerda, colocou a necessidade da esperança, do amor ao outro. Paulo Freire me mostrou a necessidade da solidariedade, da formação das crianças. Darcy Ribeiro e Levy-Strauss me mostraram aqueles que respeitam a natureza, a cultura indígena. Há diversidade e essa precisa ser acolhida e tratada conforme a diversidade exige, com diversidade. Talvez esse amansamento tenha sido desastroso para a política. O homem passou a achar que poderia ficar quieto, pois a própria política resolveria por si só os problemas do mundo.  Mas a política exige vigilância. Quando não há participação da sociedade, ela se corrompe e passa a ser dominada por castas, elite – seja lá que nome damos na época.

Cheguei a Karl Popper. Foi o susto total. Precisamos de criar em nós a exigência de conhecer. Não podemos acreditar sem questionar. Passei a compreender o meu passado. Só acreditava naquilo que outros me diziam. Ocorre que para acreditar eu preciso conhecer e saber. Se não sei e se não conheço, continuo absorvendo o que os outros desejam que eu acredite.

Quando não sabemos, a força política nos transforma em seus soldados. Passamos a empunhar a arma para defender o interesse do mandatário e não pra defender os nossos interesses e necessidades. Esse é o grande problema da política atual. A política transformou os indivíduos em seus soldados e não em cidadãos de uma Pátria. O cidadão ama e defende o seu País. O soldado de uma elite política não se preocupa com a soberania de sua Pátria, se ela será entregue a um País estrangeiro.

O cidadão defende o seu entorno. Cuida do seu espaço de vivência e convivência. O soldado fica na esquina dizendo quem pode ou não passar por sua calçada. O soldado fica à espreita defendendo o poder só para o seu mandatário. Para o soldado, só o mandatário pode transitar livremente. O cidadão trabalha pela inclusão, pela aplicação da lei, pela punição do corrupto. O cidadão não estupra, não castra. Ao soldado não interessa se seu mandatário se apossa do patrimônio. O soldado acha que vai receber parcela da posse daquilo que foi roubado. O cidadão compreende que o conjunto de riquezas do país é de todos. O cidadão compreende – e luta por isso: há o poder, mas o cidadão também compõe o poder, pois o poder é a sua representação. 

1
Agora é uma política sem idealismo, sem futuro. Com raiva do velho. Por isso, quando saio à rua, caem sobre mim, o velho, olhares de pessoas que querem me agredir; se possível, me eliminar. Mas as leis ainda funcionam e não podem me eliminar. E quando as leis forem banidas? Assim são educados os soldados totalitários, fascistas, nazistas ― eliminar o que não é do agrado. 
Vou continuar escrevendo minha poesia, tendo as minhas convicções! Vou continuar com a minha consciência, com a minha bandeira, com a minha Pátria! Esse é meu alerta! Fico com pena das crianças, pois, se tudo der errado, caberão a elas fazer a limpeza no futuro.

2
Muita gente enganada aí achando que já estão abrindo vagas de emprego, que será atendida nos hospitais, que as vagas nas creches estarão abertas aos milhares. Muita gente achando que os filhos dos estupros crescerão felizes ao lado de mães felizes. As mulheres vão continuar achando que merecem ser estupradas. Que os filhos das comunidades precisam ser bandidos, pois a política precisa matar para fazer campanha para eleições. 
Acabaram com as entidades dos trabalhadores para ter o voto deles, para explorar o trabalho sem pagamento de direitos. 
A geração atual não passou por ditadura, não conhece a história dos regimes totalitários e os totalitários de plantão não querem que o indivíduo eleitor tenha essa compreensão. O candidato totalitário, filho da ditadura, fala em democracia, mas com direitos só para ele, sua família e correligionários. 
Quando são eleitos os envolvidos com o Master, a compreensão da política está podre.
Há muito que progredir. Só o corpo a corpo vai ensinar o brasileiro a se compreender politicamente. A mentira da Internet vai continuar matando a nossa liberdade, a nossa capacidade de nos compreendermos e de desejarmos espaços públicos seguros e funcionais.
Não nos omitamos, não apostemos na confusão. Participemos com responsabilidade do processo político. Política não é aventura. A política pode oferecer fome e até cortar o nosso pescoço

3
Votamos inclusive para o futuro. 
Não quero um país com milico no poder, ditando o que pode e o que não pode. Não votamos para impedir o outro de ser gay, não poder frequentar religiões africanas. 
Votamos para todos nós sermos livres, para sermos o que quisermos ser, para sermos o que somos, menos roubar e matar. 
Não quero milicos nas escolas, ditando qual livro devo ler e quais temas posso escrever.
Quero votar para retomar o Congresso e o STF. Estão zoneando o Supremo pra acabar com ele e com a Lei. 
A lei de Deus não acaba com a corrupção. 
Acaba com a corrupção é um STF forte e livre de intervenção política. Num governo de milicos, TOTALITÁRIO, tipo Trump, são descartadas as leis, os poderes, as eleições, e podem enforcar ao bel-prazer do mandatário supremo. 
Querem roubar, dar golpe e ficar sem um poder para julgá-los. 
Todo mundo está sabendo que se trata de gosma sarnenta e está engolindo. Estamos ralando no golpe e ninguém toma tento. 

Muito ruim ficar numa querela religiosa, que não tem a ver com política, a não ser uma política fascista que quer controlar a vida do cidadão.
O fascista quer que todo cidadão seja o seu retrato: limitado, idiota. Política é para cuidar do ambiente administrativo do país. 
A política não deve enfiar o bedelho na vida privada do cidadão. 
Dentro de sua casa decide o cidadão. Se vai ter imagem, se vai ter macumba, se vai ter três /quatro parceiros. Se vai ter cachorro ou papagaio. 
Só o fascista quer controlar a vida do cidadão. Papagaios, entendam. 
Chega de Geisel, Figueiredo, Hitler, Mussolini, Stálin, Trump. 
Papagaios, como pode ter tanto pequenos ditadores!!!! São os pequenos ditadores que criam o grande ditador.


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