Esqueci se fui o prisioneiro em Palmelo
se minhas mãos entraram em roldanas
e se havia luz ou a sombra a cavalo
enquanto exauria a minha insânia
Esqueci se gritei nas pequenas câmaras
em frente aos frutos de cores inúteis
de sabor inútil na futilidade dos dias
Não me lembro das horas
e se elas não eram horas fúteis
Esqueci se fui o prisioneiro sem número
sem memória entre os irmãos
com os punhos entre as tiras
a testa aferrada às grades
Esqueci se me enfureci aos pulos
se me abandonei alheio entre as fezes
Esqueci se havia um trono, um país
uma cidade a quem queria arbitrar a sanidade
Esqueci-me se fui o amante
da louca das horas limpas
Chamou-me um barão à terra dos milagres
Entreguei meu corpo de gestos inúteis
Visito o ferro fincado num pátio em Palmelo
acaricio-o com as mãos livres
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Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário