Esqueci se fui o prisioneiro em Palmelo
se minhas mãos entraram em roldanas
e se havia luz ou a sombra a cavalo
enquanto exauria a minha insânia
Esqueci se gritei nas pequenas câmaras
em frente aos frutos de cores inúteis
de sabor inútil na futilidade dos dias
Não me lembro das horas
e se elas não eram horas fúteis
Esqueci se fui o prisioneiro sem número
sem memória entre os irmãos
com os punhos entre as tiras
a testa aferrada às grades
Esqueci se me enfureci aos pulos
se me abandonei alheio entre as fezes
Esqueci se havia um trono, um país
uma cidade a quem queria arbitrar a sanidade
Esqueci-me se fui o amante
da louca das horas limpas
Chamou-me um barão à terra dos milagres
Entreguei meu corpo de gestos inúteis
Visito o ferro fincado num pátio em Palmelo
acaricio-o com as mãos livres
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
28 de julho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688
Novamente Anitta
Duas atividades movem a minha vida: ver a floração da natureza e a proximidade da arte. Uma volta na quadra sempre confirma que a natureza ...
-
Para Mariza Buslik Sou aficionado pela origem das palavras e pelos diversos significados que elas vão ganhando durante os desdobramentos dos...
-
Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como ...
-
Sempre desejei presenciar a peça "O impossivel", de Maria Martins, a única artista surrealista brasileira. Ao comparecer ao museu ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário