Virão enfiar o dedo
estatelar o olho
Em época de muro
eu prefiro ser um furo
Senta-
se a cavalo
o moleque
e bate em cadência
o calcanhar no
olho do muro
A lagartixa
a botar ovos
Nascem lagartixinhas
de um furo
Para os ninhos
pássaros juntam cisco
Mais uns furos
e o muro corre risco
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
1 de janeiro de 2018
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