Faleceu neste segunda-feira, 27.1.2013, o poeta mexicano José Emílio Pacheco. Deixo aqui a minha traducão de um dos seus poemas.
Sombra na neve
Nada tem a ver o jarro
em que soluçam as begônias
com a sombra da ave, alada grafia
que não deixa marca na neve.
Nada em comum senão ser parte do mundo,
aparência por um instante
da fluidez em luta com a rigidez.
Mas a linguagem soluciona
a desunião, a discórdia.
E no verso reúne as tristes flores
com a fugaz sombra da ave.
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
27 de janeiro de 2014
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