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Piedad Bonnett

enquanto fazíamos a viagem de Bogotá e Ibagué, eu e Kori Bolivia traduzimos o poema Contabilidade, da poeta colombiana Piedad Bonnett. Enquanto as montanhas espreitavam nossa viagem.

Contabilidade

Piedad Bonnett

O deve e o haver
dupla coluna
que o tempo vai ajustando
sobre o livro de contas dos dias
com mão minuciosa
e rigor que não admite apelações.
Tarde checas o balanço,
as dívidas, as carências,
as pérfidas mexidas do contador
que fez que um cruzasse muito cedo
e este muito tarde em tua vida.
E está aquilo que não vês,
consignado com miseráveis tintas invisíveis:
a porta que tomaste dez minutos depois
de alguma despedida. A voz que nunca ouviste,
a rua não atravessada, a parada
onde tiveste medo de descer.
E no vermelho indelével,
a cadeia de pactos e tratos e traições,
a irreversível linha que te soma e te diminui,
a que te multiplica e te divide.
Postagens recentes

luê

não sou crítico de música mas é um desperdício não divulgarmos um novo talento
a paraense Luê é um desses casos
seu disco Ponto de Mira traz canções leves bem mixadas numa voz constantemente melodiosa e com o diferenciado das composições que não se embrenham pelo escatológico primando por poeticidade convincente
a voz enfim de Luê é sensual e clara
com muito prazer pela audição eu a cumprimento e desejo acesso ao sucesso e vida longa em muitos outros trabalhos exitosos
Virão enfiar o dedo
estatelar o olho
Em época de muro
eu prefiro ser um furo

Senta-
se a cavalo
o moleque
e bate em cadência
o calcanhar no
olho do muro

A lagartixa
a botar ovos
Nascem lagartixinhas
de um furo

Para os ninhos
pássaros juntam cisco
Mais uns furos
e o muro corre risco
Atividades 2017

14.01 - compareci com os netos à exposição de Ozi na Caixa Econômica Federal. Momento em que a arte de rua vem para a sala de exposição. Impactante.
17.01- publicação de poema de minha autoria, sem título, na seção Tantas Palavras, do Correio Braziliense.
27.01 - visitei à exposição Art Naif, em Goiânia. Oportunidade única de estar ao lado de grandes pintores, inclusive de António Poteiro, que é um dos luminares da cultura goiana.
28.01 - comparecimento a Goiânia para o lançamento do livro 'Os melhores textos da Bula', organização de Carlos Willian, oportunidade de encontro com vários escritores goianos.
29.01 - resenha "A respeito de 'Descolagem - poemas de Salomão Sousa", de Adalberto de Queiroz, nos blogs www.betoqueiroz.com e www.betoq55.com.
30.01 - participação da reunião da comissão julgadora do Prêmio de Poesia do SESC/DF.
10.02 - "O Espelhamento de enigmas em Luci Collin", resenha de minha autoria  publicada no Jornal da Associação Nac…
A um olmo seco
ANTONIO MACHADO
A um olmo velho, fendido pelo raio, e apodrecido pela metade, com as chuvas de abril e o sol de maio, saíram-lhe algumas folhas verdes.
O olmo centenário na colina que beira o Douro! Um musgo amarelado mancha a esbranquiçada casca do tronco carcomido e empoeirado.
Não será, como os álamos cantores que guardam o caminho e a ribeira habitado por pardos rouxinóis.
Exército de formigas em fileira por ele vai subindo, em suas entranhas urdem telas grises as aranhas.
Antes que te derrube, olmo do Douro, com o machado o lenhador, e o carpinteiro te converta, para sino, em cavalete,  canga de carro ou fueiro de carreta ; antes que, amanhã, num lar,  ardas vermelho nalguma mísera casa à beira de um caminho; antes que te destroce um torvelinho  e te entorte o sopro das serras brancas; antes que o rio até o mar de empurre por vales e barrancos, quero anotar em minha agenda a graciosidade de tua esverdeada rama. Meu coração espera, em nome da luz e da vida,
outro milagre da primavera.
Tradução: Sa…

SAUDAÇÕES AO ROMANCE DE WIL PRADO

Wil Prado é uma de minhas amizades mais firmes desde que cheguei a Brasília. Desde nossos passos iniciais na literatura, foram vívidos debates e percursos juntos pela cidade. Por muros vários que atravessam a nossa vida, Wil Prado demorou a publicar seu primeiro livro. E é com alegria que vejo que figuras importantes da literatura brasileira, de cara, se manifestarem favoravelmente ao seu romance SOB AS SOMBRAS da Agonia, editado pela Chiado, de Portugal, do qual foi leitor desde as primeiras versões até o momento de escrever a apresentação. Acredito que são poucos que merecem uma manifestação eufórica de Raduan Nassar.  E, ainda, de João Almino, que acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.
(...) SOB AS SOMBRAS DA AGONIA me tocou sobretudo pela linguagem, por palavras novas, metáforas bem sacadas, e os empurrões articulando o entrecho. Além disso, o romance arrola no geral gente do povo, ao lado de uns poucos salafras da elite, com caracterizações convincentes, inclusi…