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Mostrando postagens de Julho, 2006
Fim de semana agitado. Comparecemos ao programa Literatura em Conjunto, quando foi debatida a obra de Mário Quintana. Para encompridar a noite, fomos para ao Beirute em companhia de Fabrício Carpinejar, Fernando Marques, Ronaldo Cagiano e Jules Queiroz, para continuar a atualização das últimas da Literatura. Eles amanheceram em outros bares, mas tive que retornar mais cedo para casa. E, no domingo, passamos a tarde – Ronaldo Cagiano, João Carlos Taveira e Robson Araújo —, entramos na noite, só nas banalidades. O resto era Mozart.
Estou comovido com a resenha que ANA MARIA RAMIRO escreveu sobre o meu recente livro. Assim ela conclui o artigo que está no seu blog (ver link):
Ruínas ao Sol revela-se sobretudo como um manifesto contra o marasmo e a banalidade no fazer poético e condensa o engajamento estético do autor para com as constantes e renovadas apreensões artísticas de seu tempo ("Está morta a dinastia/de quem aguarda/sentado na soleira/ A lenha das palavras/ acende a festa/ na beira do meu pasto"), afinal em sua própria concepção, o poeta deve passar pela modernidade de seu tempo, pois a sua poesia tem que refletir o somatório da encruzilhada de suas experiências com as da sociedade em que se encontra inserido ("Sem intimidade com a natureza da vida, a vida fraqueja, a humanidade vira pó"). O novo livro de Salomão Sousa ilumina como uma pequena jóia emblemática, mas mais do que emblema, é um corpo vivo, palavra latente. Comova-se.”

ANTONIO MIRANDA também anunciou com muito zelo o livro …
Na oportunidade em que é lançado o CD The Complete 1957 Riverside Recordings (2 CD) com o encontro de Thelonious Monk (piano) e John Coltrane (sax), deixo aqui a presença destes dois grandes monstros do jazz. De John Copltrane, sugiro a audição dos discos Blue Trane, A Love Supreme, Ballads, e Giant Steps. Do Thelonious, oh! são tantos: Monk's Dream, Briliant Corner, Misterioso, Genius of Modern Music, Vol. 1 e Vol. 2 ((Blue Note). Sem jazz não há interlocução poética.

"Formação formal"

Em desdobramento ao debate sobre a questão da necessidade de "formação formal", que eu entendo necessária para a perfeita prática linguagem poética, foi novamente questionada pelo meu interlocutor anônimo, nos seguintes termos:
"as formalidades e as superioridades academicas por si só nao formam nem profissionais tao pouco artistas, sao nescessarias do ponto de vista social, mas nao sao imprencindiveis; linguagem do corpo, musical, ou linguagem aerea adiquire-se com percursos proprios mesmo quando indicado por mestres ou pseudos-mestres. E as interrogaçoes nunca serao questionamentos, o caro e o barato convivem bem no comercio. ao arquivo a critica; os artistas estao no mundo."
Não nego a importância da "escola do mundo", e muito menos renego a experiência de mundo que trilhei. Mas se eu tivesse a oportunidade de viver no passado, teria corrido meio mundo para participar da academia de Platão, ou mesmo de Abelardo! Tive de amassar muito pão e vender banana …
Divulgados os livros finalistas ao prêmio Jabuti de 2006.
Confira aqui a lista completa de todas as categorias: Jabuti (finalistas). Os finalistas na categoria livros de poesia:
VESTÍGIOSA, AFFONSO ROMANO DE SANT`ANNA - ROCCO
ELEGIA DE AGOSTO, RUY ESPINHEIRA FILHO - BERTRAND BRASIL
COMO NO CÉU & LIVRO DE VISITAS, FABRICIO CARPINEJAR - BERTRAND BRASIL
POESIA REUNIDA, IVAN JUNQUEIRA - A GIRAFA EDITORA
PEDRA DE LUZ, RODRIGO PETRONIO - A GIRAFA EDITORA
O RESMUNDO DAS CALAVRAS, MARCUS FABIANO GONÇALVES - WS EDITOR
QUASE UMA ARTE, : PAULA GLENADEL - COSAC NAIFY
FAZER SILÊNCIO, MARIANA IANELLI - EDITORA ILUMINURAS
GAIOLA ABERTA, DOMINGOS PELLEGRINI- - BERTRAND BRASIL
ESTALEIROS DE VENTO, FRANCISCO ORBAN - OROBÓ EDIÇÕES
Confirmando a interação de Gerson Valle com a literatura de Brasília, na edição de setembro do jornal Poiésis, ele analisa o livro Arquitetura do homem, de João Carlos Taveira. Além da intimidade que ele mantém com o livro e seu conteúdo, destaca-se a ampla e acertada visão da poesia brasileira das últimas que ele imprime dentro do resenha-artigo. Parabéns ao resenhista e ao resenhado.

Ainda recentemente Gerson Valle subiu a serra para vir a Brasília lançar seu último romance (Os souverirs da prostituta: a novela de Ipanema, da editora Catedral das Letras). E é com grata satisfação que lemos no jornal Poiesis a resenha que ele fez sobre o livro Y Semiótico, do brasiliense Robson Corrêa de Araújo. Trata-se de uma análise afirmativa, de quem compreende a arte literária (por amá-la e vivê-la), que não foi feita só por aventura jornalística. Parabéns ao Robson e ao Gerson Valle por essa convergência produtiva. A resenha pode ser lida na página do Poiesis.
Num mundo cheio do cheiro da guerra, Salvatore Quasimodo ainda conseguia evadir-se e encontrar um mundo ainda cheio de vida. Sempre que passo por esse poeta italiano — Nobel de 1959 —, dos meados do século XX, encanta-me como ele se integra à natureza para escapar da angústia. Tão belo que angustia! É livre a versão que fiz do poema que aparece abaixo, a partir da tradução espanhola.


Talvez seja um verdadeiro signo da vida:
em torno de mim crianças com ligeiros
movimentos de cabeça dançam num jogo
de cadências e vozes no prado
da igreja. Piedade do ocaso, sombras
acesas sobre a erva tão verde,
belíssimas sob o fogo da lua!
Concede-lhes a memória breve sonho:
agora, despertai. Assim, o bramir do poço
com a primeira maré. Esta é a hora:
não mais minha, abrasados, remotos simulacros.
E tu, vento sul, cheiro forte de jasmineiros
a lua impele para onde crianças dormem
nuas, força ao poldro nos campos
úmidos dos passos das éguas, abre
o mar, levanta as nuvens das árvores:
a garça já avança para a água
e fare…
Por ocasião do Festival de Poesia de Goyaz, a Tribuna do Planalto, jornal editado com sucesso em Goiás pelo escritor Vassil Oliveira, nos entrevistou sobre a poesia atual e sobre o prêmio que recebemos com o livro Ruínas ao sol, que acaba de sair pela editora 7Letras.
A entrevista pode ser conferida aqui: ‘A poesia sempre vive de glórias do passado’

Aqui o final da entrevista:

Quais suas influências? Você acredita em escritor ingênuo, sem leitura, ou a prática da poesia requer uma preparação cultural para ela?
Resposta: Não há literatura sem formação formal e sem reflexos da herança cultural do indivíduo que se propõe a ser poeta. A poesia de um determinado poeta é o somatório da encruzilhada de suas experiências com a sociedade, com a família, com a região de seu país, com as tradições, conceitos e preconceitos de seu grupo, somado aí o contato com a tradição da poesia. Se fosse desnecessária essa encruzilhada para o surgimento de uma nova dicção poética, todos se proporiam a ser Homero,…
Luiz de Aquino, conterrâneo de Goiás, de rica amizade, de animado humor, escreveu uma crônica a partir de um poema nosso que aparece nesse blog. Não só o gesto amigo, mas o teor de animado clima goiano e a riqueza do texto, muito nos deixam envaidecidos. Não deixe de ler a crônica :Proseando com o poeta. Visitemo-lo.

Nome no fogo

Esfumaça-se a seiva do nome
na cera, na boca das turbinas
Vaga entre teares da infância
no fundo das valas, túmulos
em vozes que repetem a infinitude
E línguas buscam o nome nos tufos
nas turfeiras do hálito
em partituras de um cansaço aflito

E queimou-se na creolina, na cânfora
e nas amapolas, amperes de força
secou ampolas de androgenias
Esteve aceso no querosene
nas varejeiras, na ferida
em aéreo sumo de limões
e quase se inscreve nas estolas
nos corrimões do parlamento
em velas estiradas nas fronteiras
Mãos passam, quase apanham o nome
Quase a fusão das palmas
onde ele esteve, onde se esconde

Por pouco o nome descobre as raízes
por pouco racha a muralha do inimigo
O nome começa a abrir o postigo
a quem vai à cena queimar a terra
queimar as açucenas do sexo e das mãos
@ Salomão Sousa