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Mostrando postagens de Novembro, 2015

Sérgio de Castro Pinto

Esta não é uma resenha, mas uma anotação livre pelo impacto de me reencontrar com a poesia de Sérgio de Castro Pinto. Texto bem livre, talvez até com alguma inexatidão e erros, mas com legítima sinceridade. Texto livre numa tarde de descanso e prazer de saber que outros poetas nesta tarde se ofuscam em diversas paragens com os desentendimentos do homem no mundo.
Ter nascido no mesmo ano de publicação do livro Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, me deixa sempre comovido. Só poderia conhecer essa poesia de construção inquebrável muitos anos depois, e não poderia praticá-la, pois seria andar numa estrada já trilhada. E depois me comove encontrar obra daqueles que produziram poesia nos mesmos anos por mim vividos. Nesta semana, ainda me encontrei com a poesia de Adriano Espíndola, que também nasceu em 1952. E depois foi a hora de me comover com o livro Domicílio em Trânsito, de Sérgio de Castro Brito, de 1983. O meu primeiro livro, A moenda dos dias, é de 1979, sendo que o primeiro que es…

Ler poesia é nos sentirmos decentes

Ler um poeta é uma forma, senão a única, de nos sentirmos seres humanos decentes. Não é uma expressão minha, mas eu assinaria decentemente a observação de Joseph Brodsky sobre W. H. Auden. Em muitos lugares eu gostaria de estar. Gostaria de ter participado da leitura de poemas que os dois fizeram sozinhos num quarto de hotel. Mas aquele momento era só deles. Não teve gravação. São estes momentos únicos que fazem a vida ter justificativa. Temos de ter orgulho de todos os nossos atos, inclusive aqueles que fazemos reservadamente. Quando eu pratico um ato, inda que solitário, se não estiver revestido de ética, não há razão de eu ter direito à liberdade. Não posso corromper a família, o Estado, a mim mesmo. Não há dinheiro algum que valide atos corrosivos. Outro momento de que gostaria de ter participado: da prisão de Garcia Lorca. Ele não merecia ter morrido só, nas mãos de uma ditadura. Há uma tremenda alegria na literatura, mas uma enorme angústia nos seus autores. Não estive no quarto…

Carina Rissi

Estive no lançamento no último livro de Carina Rissi. Notei que há um universo paralelo na literatura. Há um universo da literatura tradicional, que se preocupa com a tradição e o real; e agora esta literatura jovem, com um frisson sensual, que busca um real de glamour. Como funciona isso? A juventude está buscando outro real? Esta literatura levará este leitor jovem depois para a literatura tradicional? Pois notei que há pessoas nesse grupo que não é mais tão jovem. O jovem de hoje demora a querer ser adulto ou demora mais a querer encarar o real? Será que a juventude de hoje avança mais para outros universos que em tempos anteriores? Acho que isso tudo daria um bom debate. Mais alguma pessoa que quiser apresentar alguma observação, seria ótimo. Como é que se poder ver essa tribalizacão entre real e glamourização do real?

Obras Completas de Machado de Assis

Recebi a nova edição das obras completas de Machado de Assis, pela editora Nova Aguilar. Eu diria que é a melhor edição de Machado editada até hoje. Um formato maior, com letras e espaçamento legíveis. O papel ainda não é o ideal. Vaza a mancha excessivamente de um lado para outro. Alguns cadernos vieram com corte fora de esquadro, além de o corte da guilhotina apresentar-se dentado, com irregularidades na edição. A gráfica não deve ser cautelosa, pois um exemplar chegou com manchas de tinta dos dedos do impressor. Mas gostei. Esperava que os contos estivessem reunidos na totalidade, mas ficou faltando mais de 10% do que já está catalogado. Mas parabéns a todos os organizadores. Valeu a aquisição. Com desconto especial, ficou por quatrocentos de um preço de lançamento de 590.