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Mostrando postagens de Abril, 2012

Bob Dylan, Brasília

Meu ídolo aparece no palco e o tempo passa a ser o nosso tempo, insira o toque minimal, a tela escura que ampara as repetições encontradas nesse dia. Surge, insurge e insula juventude e já serei jovem em meu funeral. Ele não se faz ídolo, só compõe os gestos que degeneram a frivolidade. Ouço algum grito. A quietude ronda o meu ídolo. Ele não será de mais ninguém, de nenhum outra geração. Para não se romper a frequência em que ficamos, não se despe, não se despede ou impede o encaixotamento das vestes. Acoito-o nos ouvidos e nos olhos e ele me acolhe em seu coito.
A Bob Dylan

Participação dos escritores de Brasília na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Estive duas vezes na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Primeiramente, no sábado, para estar, abraçar, trocar poesia com Juan Gelman. Grande poeta argentino! Amanhã ou depois devo postar uma fotografia de nosso encontro. Consegui, com tietagem, um autógrafo na coleção de sua poesia reunida em edição da FCE, que importei do México.
Hoje, para almoçar. Aproveitei para fazer uma fotografia externa de um painel e de um monte de lixo que o guarnece. De posse da imagem, assaltaram-me algumas reflexões sobre a representatividade dos escritores de Brasília na programação da Bienal (mas deixo para outros, se assim o desejaram, espelhá-las aqui, olhando a minha fotografia).
O evento é bom, e deve repetir com a periodicidade que traz no nome. Mas os escritores precisam criar um comitê e cobrar representatividade nas próximas edições. Outros segmentos não podem falar pelos escritores. Certamente eles têm vozes. Se as entidades literárias não têm voz e representatividade, pelo menos os própri…

Amos Gitai

Sexta-feira da Paixão totalmente desnorteada, não de preguiça, mas de falta de objetividade. Nem busquei meu Judas para malhar. Se nascer sol, será sol. Se faltar ovos, será alimentação de tempos de guerra. No desarranjo, assisti o filme "Aproximação", do cineasta israelense Amos Gitai, que amo. Acaba de ser lançado em DVD. Com Binoche e participação de Barbara Hendricks. Só a cena inicial já ressalta a necessidade de aproximação entre as etnias, mostra a falta de nacionalidade. E para que a nacionalidade se o homem é homem em toda parte, se ele se organiza e se desorganiza em qualquer território? O sol nasce e se apaga em todos os horizontes. Basta deixarmos nossa tinta na pele de um outro.

Releitura de "Claro enigma"

Eu diria que cresci ao som de Drummond. Mas a frase  soaria falsa, pois só comecei a lei poesia por volta dos 14 anos. Decidi reler "Claro Enigma" numa edição melhor, agora no relançamento da Companhia das Letras. A edição ainda tem algumas capengagens. O papel - é previsível que vai amarelar logo logo. O posicionamento dos poemas bem que poderia ser centralizado. Não dá mais para fazer livros de poesia com os poemas sufocados na margem esquerda. Mas é um encanto reler o Drummond, sobretudo este do "Claro enigma", em que se antecipa - com "Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima - a novas vertentes da poesia brasileira.  Ele chega a citar Orfeu no soneto "Legado". Mas em todos os poemas sobressaem versos de elevada construção, dos melhores da Língua Portuguesa, e do melhor humanismo da literatura. Já no soneto "Confissão" sobressaem os primeiros versos (Não amei bastante o meu semelhante/não catei o verme nem curei a sarna.) E o verso extraordi…