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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Luci Collin

É coisa rara hoje em dia sair um artigo sobre poesia num grande jornal. ainda mais de autoria de Luiz Costa Lima, e ainda abordando um poeta ainda não consagrado. Luci Collin mereceu este feito no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo. Fui atrás dos livros da poeta curitibana. Os dois publicados em belas edições da 7Letras. Querer falar foi finalista do Prêmio Oceanos.  É surpreendente a poesia de Luci Collin! Repercute a ambiguidade da interpretação desta época de compreensão dos inomináveis, pois tudo que se diga fica valendo. Se tudo que se nomina é compreensível, nada se compreende. Só me incomoda a forma de lidar com a lírica na poesia de Luci Collin e de mais meio mundo dos poetas atuais. Aparecem expressões diretas que devem ser abolidas. Eu não engulo mais poesia que conclua o poema jogando aberta e prosaicamente a relação dos sujeitos.  Um ótimo poema sobre o coração terminar assim "se instauraram em ensaiar/algum/outro/você" é não desejar ir muito longe. Tem …

O mesmo e o frágil da poesia de Brasília em 2015

Quanto abordei minimamente a movimentação da poesia em 2015, disse que em Brasília a poesia “orbitou no mesmo e no frágil”. Alguns poderão estar se indagando se a expressão não mereceria desdobramento para uma maior claridade sobre este “mesmo” e este “frágil”.  Afinal estou no processo de construção da poesia de Brasília desde os anos 1970 e não preciso temer expressar uma abordagem crítica ao que ocorre ano a ano na produção literária da cidade.                 Há que reconhecer que alguns movimentos não foram enriquecedores para os poetas autóctones. Quando o poeta vai para a rua em movimentos como o Coletivo de Poetas e Mostra Itinerante Poesia Falada a cidade ganha, mas os poetas perdem. Os locais de leitura exigem poemas de expressividade nua e crua, enquanto a poesia exige processos internos, nos tempos atuais, que não servem para serem levados para ambientes enfumaçados e descompromissados como cafés e casas noturnas. Quando contatamos os livros dos autores que integram esses …

leituras de2015

Foram muitas leituras em 2015. E desejo desdobrá-las sempre, não só em 2016. Terei de ler Thomas Wolfe, Homero, mais Shakespeare. Espero por novos livros de poemas. Li a biografia de Fernando Pessoa, a biografia de Garcia Lorca, e muito Mishima. Destaco dois livros que li em 2015. Li por necessidade de compreender o movimento Black Bloc o romance Terroristas do milênio, do britânico J. Ballard. Não compreendo como este romance não serviu para análise do movimento se ele antecede a compreensão da destrutividade dos movimentos urbanos. Todos analistas passaram ao largo dele, sendo que ele disseca o cansaço da classe média com a organização do seu espaço urbano. A destruição ocorre para que possa voltar a atuar numa reconstrução. Livro instigante. E, agora, no fim do ano, li o recente romance Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, do português Gonçalo M. Tavares. São muitos temas dentro de uma única narrativa. Aí também aparece o movimento de rua, onde todo participante…

O medo do poeta atual

Ao voltar a Harold Bloom, constato que iniciei o ano mais para pensar do que para ler ou deixar a mente no ócio. Vejo interpretação em tudo que deposito o olhar, por isso Sinésio sinalizou que não fotografo, pois tiro o olhar do objeto.  Já de madrugada eu me preocupava com o que danifica a prática poética de nosso tempo. Quando fiz o levantamento poético de 2015, praticamente ninguém reconheceu a postagem, pois cada um deseja que eu veja qualquer evento que ocorra, e que nosso olhar seleciona. O homem atual só reconhece o que está em seu desejo, e desmerece o que outro deseja ver. Ocorre que poucas obras têm me causado estranheza por falta de experiência vital de seus autores, de trabalho braçal com o poema.  Bloom me socorre na questão com o conceito de sublime, de Longino. O conteúdo de uma obra tem de nos provocar estranheza. Ocorre que não é uma estranheza por ser "estranho", mas de espanto no espírito. Um dos versos que mais gosto é de Pasternak: "viver é algo ma…