16 de janeiro de 2025

À BEÇA




A expressão "à beça" me persegue a mais de trinta anos. Antes de falecer, o Pe. Joaquim Gomes da Silva, meu professor de Português no Ginásio Anchieta, em Silvânia, numa visita que fiz a ele em Goiânia, me pediu para pesquisar a origem da expressão. Naquele tempo, não tínhamos a Internet para elucidar a questão. Mas, em meu dicionário Caldas Aulete, de 1963, está registrado que a expressão surgiu em razão de existir no Rio de Janeiro um perdulário, isto é, um bom gastador, e passaram a usar o seu nome para significar aquele que gasta muito, à beça.  Agora, nos novos dicionários e na Internet, já remetem o surgimento da expressão para um diálogo entre Rui Barbosa e Gumercindo Bessa sobre a Criação do Estado do Acre, e esse advogado teria se prolongado na defesa de seus argumentos. Depois o presidente Rodrigues Alves, em suas conversas, em referência a esse episódio, teria usado pela primeira vez a expressão para significar "grande quantidade". Há ainda outras possibilidades para a origem da expressão, inclusive para a palavra "abesso", mas tudo indica que ela realmente tenha origem no sobrenome Bessa e que, em 1943, a Academia Brasileira de Letras decidiu que a expressão deve ser grafada com "ç" e não com "ss".

15 de janeiro de 2025

Lançamentos de livros em 2025

Fiz um recorte da lista de lançamentos de livros em 2025. Sou mais conservador. Na lista deve aparecer outros que são importantes para outras pessoas. Aguardo sempre que surja no Brasil uma editora disposta a manter em catálogo uma coleção de livros incorporados ao patrimônio mundial. Muitas obras permanecem fora de catálogo ou nunca foram traduzidas.
1)  Nunca traduziram os romances de Thomas Wolfe (são memorialísticos e introspectivos e longos).
2)  Necessária tradução das memórias de François-René de Chateaubriand (mas são quatro volumes de uma personalidade importantíssima da política francesa do final do Século XVIII e início do Século XIX).
3)  Tradução completa do da A História do Declínio e Queda do Império Romano é uma obra monumental de Edward Gibbon. (editora brasileira não acredta que o leitor brasileiro vá ler um livro tão longo).
4)  Nunca saiu em português, acredito, A Decadência do Ocidente é uma obra de dois volumes de Oswald Spengler. O livro pode ser considerado ultrapassado, mas necessário. Precisamos de uma tradução completa.
5)  Miguel Strogoff, de Júlio Verne. Dão preferência a outros títulos do autor e não entram novas traduções dessa aventura saborosa. Precisamos de uma tradução caprichada, a de Rachel de Queiroz está ultrapassada.
6)  As memórias de Casanova (o mercado editorial é pudico?). Livro em varios volumes, mas necessário permanecer em cattálogo.
7)  Life of Samuel Johnson de James Boswell. Incrível como nunca se debruçaram sobre esse clássico total. Que coisa!
8)  E tem muito mais: os pequenos romances Solo/Sozinho, de Strindberg, e O Anão, de Par Lagerkvist, bem como uma edição sem ser em box do pequeno clássico Aniversário/Autobiografia, de César Aira..
9)  E tem mais: boas edições de poesia. As edições não combinam com poesia. Livros com tipologia e formato que não engrandecem a poesia. Holderlin, Rilke! Precisamos de uma antologia com os grandes poemas da literatura universal. Quando saem algumas, por comodidade de tradução, incluem poemas inexpressivos.
10) Precisamos de biografia de Lincoln, pois as disponíveis são parciais, velhas ou oportunistas.
11) Ah! nunca foi traduzido no Brasil um dos principais livros de Marques de Sade: A nova Justive, e o mais sádico de seus livros.
11) Clarice Lispector terá toda a sua obra publicada em Portugal em 2025 pela Peguin.
 
Programação de lançamentos em 2025:
ABOIO​
Fome – Knut Hamsun (trad. Camilo Gomide). A tradução de Drummond é abtida, já precisávamos de uma nova.
ÂYINÉ​
Um apátrida metafísico – Emil Cioran (trad. Giovani T. Kurz)
CEPE de Pernambuco
Guerra sem Testemunhas: o escritor, sua condição e a realidade social  - de Osman Lins (1924-1978), volta às livrarias 50 anos depois da última tiragem deste clássico da literatura brasileira.
Companhia das Letras
Poesia pois é poesia – Poesia completa de Décio Pignatari
Nova Aguilar
Poesia completa de Fernando Pessoa (incluindo O livro do desassossego). Ficou para início de 2027
Editora 34
Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister – Johann Wolfgang von Goethe (trad. Claudia Abeling) (não posso afirmar que serão publicadas as duas partes. Livro importante, mas que ainda não foi incorporado à tradição de leitura do Brasil).

EDITORA MONERGISMO​

A terra dos viventes – Carlos Nejar (edição definitiva), já está nas livrarias
Barrabás – Pär Lagerkvist

PINARD 

Avalovara - romance inventivo de Osman Lins, que se encontrava fora de catálogo. Belíssima edição da Pinard, já está em catálogo na editora. Já está no catálogo

FÓSFORO​

Heptalogia – Jon Fosse (trad. Leonardo Pinto Silva), já está no catálogo

A Editora fósforo poderia encarar a publicação da trilogia Cegador, de Mircea Cartarescu

Global

Angústia – (de Graciliano com capas de J. Borges). Já completaram a publicação dos romances com capa dos J. Borges com a edição de Caetés.
Poesia inédita – Cora Coralina
Diário de Portugal – Cecília Meireles. Deve ser abortada a publicaçõa, já que a editora perdeu o direito de publicação das obras da poeta.
Apresentação da poesia brasileira – Manuel Bandeira (a editora perdeu o direito de publicar iguarmente Manuel Bandeira)
Fragmentos da sabedoria – Cora Coralina

TODAVIA
Os livros de Jacob – calhamaço de Olga Tokarczuk (li em espanhol, impecável). Já em catálogo
Sem despedidas – da prêmio Nobel Han Kang (trad. Natália Tae Okabayashi). Não me agradaram os livros anteriores. Sem densidade.
RECORD
O jardim das Oliveiras - novo livro de poemas de Adélia Prado. Já em catálogo
Meu Passado Nazista, oitavo romance de André de Leones
UBU
O capital – Karl Marx (trad. Flávio R. Kothe & Regis Barbosa, trad. complementar Nélio.  Schneider, intr. e notas Fernando Rugitsky) Já em catálogo
UNICAMP
EPISTOLÁRIO - de cartas e outros escritos de Vico. 


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Folder do lançamento do livro

A poesia não deixa de ser uma fidelidade ao que amamos. Continuo fiel à poesia em A NOITE ESCURA DOS CRISTAIS PERDIDOS, que nasce acolhido...