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Mostrando postagens de Junho, 2011

Lançamento Navegantes ao léu, do poeta Sóter

No dia 12 de julho, a partir das 17 horas,
no Quiosque Cultural do Ivan da Presença,
no Conic, lançamento do livro "Navegantes ao léu",
do amigo Sóter.
Um poema do livro:
BEIRUTE JUNIOR o beirute asassulino depois de décadas vendo crias de beirute-anas e beiruteanos resolveu ter também a dua: o beirute asanortino. pra manter a hieraquia o da sul na 109 o da norte na 107. como toda cria, o da norte já nasceu rebelde querendo ser melhor que o criador
... mas é a cara do paí!

José Carlos Peliano

Consagração
a Salomão Sousa

sou um pterodáctilo ou dois
ou três pterodáctilos mesmo
antes, quiçá durante ou depois
de ver perdurar tua dor a esmo

tiranossauro rex com certeza
de pestilentas patas colossais
ao entranhar de vez tua tristeza
por patadas profundas, animais

ninho de cobras trago bem cuidado
para destampar a hora que for
espalhar uma a uma a cada lado
onde tua dor tenha mais horror

eis o golpe final com minha adaga
por estocadas nos pontos vitais
a mão que sangra ainda assim afaga
as tripas que provocam os teus ais

sigo em meia volta a anos luz
deixo apodrecer-te com teus vermes
livro-me desta culpa que seduz
em não ver almas mas só epidermes

meu olhar tem os olhos de meninos
à procura de cores e magias
a mesma vida com seus desatinos
é quem me cura até vir outros dias

poema do anão

Fiz uma viagem por um trecho da cidade acompanhado por um homem quase anão Seus olhos estavam cheios de sal e o ventre retesado de estampas
Não compreendi porque eram enormes as arruelas debulhadas no seu ventre Talvez seu bigode existisse só pelas pontas para facilitar a fruição do esterco
Quase não vi os dois tufos do bigode partido ao meio e as barbatanas das sobrancelhas O nariz era um escaravelho
O boné sujo de qualquer trecho de terra Atravessamos a esplanada ao tinir de reflexos que não foram iluminações para os degredos

Wesley Godoi Peres

Voltei ao livro Água anônima, de Wesley Godoi Peres. Confesso, tem momentos surpreendentes. Um quase neosimbolismo e não neobarroco, sem perder a aliteração goiana. Foi saudado por Manoel de Barros em carta ao autor. Um dos momentos geniais do livro:

Leonardo de Paula Campos

Quentinho, chegado de Cataguases, terra do forte Modernismo, o livro "Alma de brinquedo", que introduz Leonardo de Paula Campos no mar da poesia. Vem abonado pela nata dos cataguases: pelo amigo Ronaldo Cagiano, pelo notório Ruffato e, ainda, por Joaquim Branco. E mais.
O livro transparece as dificuldades do poeta iniciante e, ainda mais, de poeta excessivamente novo, excessivamente virgem. Fala muito de amor, os poemas ainda se concluem com excesso de obviedades. Mas ele vai progredir. Basta ver o poema Margasmo, que reproduzimos abaixo. Fortes metáforas, imagens abertas, sonoras, nas duas primeiras estrofes, que em si mesmas valem o poema.  Parabens à nata de Cataguases e ao poeta, que, a estas horas da noite, continua, certamente, a ferver de poesia.


Margasmo

Em mim há um corpo
     e uma âncora

Só me aguardo: à espera insone
     de abrir-me,
pois já perdura intensa a virgindade
     — quase um naufrágio em mim.

E quando aqui sei, indigno
     ao ver o mar em seus olhos