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Mostrando postagens de Janeiro, 2009

Norwegian Wood

Estou lendo o romance "Norwegian Wood", do japonês Haruki Murakami. Um romance de amor juvenil, dizem que um tanto autobiográfico. Boas descrições e de tensões psicológicas (consciência psicológica?). Eu até diria que é uma novela, pois o autor vai passando de um personagem para outro, deixando os dois centrais permanecerem no seu conflito. O título é homônimo de uma canção dos The Beatles. Deixo aqui a tradução da canção, que remete bem aos anos 70 e também às canções de amor de Pablo Neruda.

MADEIRA NORUEGUESA (O Pássaro Tinha Voado) [*]

Certa vez eu tive uma garota
Ou devo dizer que ela me teve
Ela me mostrou seu quarto, não era bom
Madeira norueguesa?

Ela me pediu para ficar
E pediu para sentar em qualquer lugar
Então olhei em volta e notei
Que não havia uma cadeira

Sentei em seu tapete
Dando meu tempo, bebendo seu vinho
Conversamos até as duas horas
E então ela disse: “hora de dormir”

Ela disse que foi trabalhar cedo
E começou a rir
Eu disse que eu não
E me arrastei para…
Agradeço ao Euler Belém o comentário que faz na edição desta semana do "Jornal Opção", em sua coluna Imprensa sobre o meu livro Momento Crítico:

O não-im­pres­sio­nis­mo de um crí­ti­co ta­len­to­so e nada academicista

O es­cri­tor e crí­ti­co li­te­rá­rio Sa­lo­mão Sou­sa lan­çou em Go­i­â­nia, no sá­ba­do, 10, na Li­vra­ria Lei­tu­ra, o li­vro “Mo­men­to Crí­ti­co”.

Sa­lo­mão diz que se tra­ta de crí­ti­ca im­pres­sio­nis­ta. Não é. Dos crí­ti­cos que não es­tão na uni­ver­si­da­de, Sa­lo­mão é um dos mais es­tu­di­o­sos e de­di­ca­dos, e sa­be, co­mo ra­ros, fa­zer a pon­te en­tre a crí­ti­ca aca­dê­mi­ca e a não-aca­dê­mi­ca. Nou­tras pa­la­vras, alia o ri­gor crí­ti­co, por sua con­ta de sua for­ma­ção ri­go­ro­sa, com a fa­ci­li­da­de pa­ra es­cre­ver sem usar a lin­gua­gem-pe­dre­gu­lho de al­guns pro­fes­so­res uni­ver­si­tá­rios. Há mui­to mais crí­ti­ca im­pres­sio­nis­ta na uni­ver­si­da­de, tra­ves­ti­da de mé­to­do, do que se cos­tu­ma pen­sar. Al­gu­mas ve­zes, há…

Centenário de Edgar Allan Poe

Nesta terça-feira (19 de janeiro), comemora-se o centenário de nascimento de Edgar Allan Poe, que se consagrou como contista e é o grande poeta de "O corvo", que ao lado de "Ulisses", de Tennyson, são os maiores poemas da humanidade (for me). O poema "Ulisses" já se encontra nesse meu blog, e, aproveitando a data comemorativa, incluo o poema de Edgar Allan Poe, na antológica tradução de Fernando Pessoa. Existem outras traduções, inclusive de Machado de Assis, que já me foi presenteada na década de 80 pelo amigo José Sales Neto. Foi presente memorável: datilografado pelo próprio Sales num papel longo e veio num tubo destes usados para guardar obras-primas, que só Poe merece. É dispensável a apresentação de Edgar Allan Poe, pois é vasto o material sobre na internet. Em quantas noites solitárias já li esse poema. Em quantas ainda lerei!!!!


O CORVO
de Edgar Allan Poe
na tradução de Fernando Pessoa

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curi…
Nasço da indecisão das plumas,
da falência a tornar múltiplos
gestos e fogo, de umas cinzas
Indeciso na precisão do fôlego
Lobeira sem quem lhe colha
o caule, o indigesto fruto

Indiferença aos sopros,
aos rogos de um detalhe
Prontas para esfarelar-me
me esperam cheias de arestas
as unhas sobre a tina de prata

Grão ao descaso do dente,
da lâmina, do limo
Grão com a limpeza de um fluxo
e pele e pumas

Não levei os tímpanos à guerra
Não raspei a mão
na solidez da máquina
Permaneço murcho
depois de deter-me,
não enfunar-me
diante da palha e da fagulha

Não renasço se não perdi,
se nas mãos de um vento
farelo não fui,
se não fui a pendida fruta,
a água a corroer o talo
Só a espuma em mim flui



@ salomão sousa
Terminei agora de assistir a minissérie "Maysa". Por que os músicos pagaram com um preço tão elevado pelo alcance da liberdade? Elis? Charlie Parker "Bird"?
Aqui de madrugada e precisando dormir. Ah! mas me deu vontade de postar aqui a tradução que fiz de um poema de Federico Garcia Lorca. E outros que foram arrastados para a morte pela vontade de participar da liberdade de todos: Lorca José Marti. Neste poema, há o verde, mas um verde para encobrir o vermelho-sangue. De vez em quando vou postar um grande poema da humanidade, até completar uns cem. Alimento este desejo de fazer uma antologia com os maiores poemas da humanidade (na minha parca sensibilidade).

Então Federico Garcia Lorca:

ROMANCE SONÂMBULO
Tradução de Salomão Sousa

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura,
ela sonha na varanda
verde carne, cabelo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Debaixo da lua cigana,
as coisas …
Parafraseando Drummond, eu diria que de ontem para hoje estou sendo perseguido pelas bruxas (mariposas). Ao apanhar a correspondência na caixa dos correios nesta tarde ensolarada, quase piso numa mariposa morta. Já não apresenta o viço ágil das asas abertas, pois perdeu o domínio do voo (é a primeira vez que me valho da nova regra ortográfica). É até bom que a fotografia não apresente esta mariposa dentro de um foco, pois seria humilhá-la em sua fragilidade. Esta é das negras, com as rajas em forma de "V", fazendo um contraste sábio ao contrário do formato dela ao recolher as asas. Lembrou-me um poema de Fernando Pessoa, do qual transcrevo apenas estrofe:

(Louvado seja Deus que não sou bom,
e tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa — existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.

Fernando Pessoa, eu já disse isso num artigo do Momento crítico, não se preocu…
Estive fora de casa por uma semana e, ao retornar, recebi uma visita rara. Há muito eu não me encontrava com a mariposa marrom de rajas paralelas. Não conheço o seu nome científico (ah! e ele nem vem ao caso!). Pelo aspecto aveludado, parecendo um tecido de pequenos pêlos, as mariposas provocam medo em algumas pessoas. Ou asco. Por isso são chamadas de bruxas. Não foi à-toa que a reação de uma garota que estava em casa foi indagar de imediato se podia matá-la. Não sei se elas tem uma função na natureza, talvez apareçam para nos provocar, para nos dizer que há algo que completa o mundo sem necessidade de uma compreensão científica mais explícita. Talvez ela seja parente da poesia — este asco que provoca as pessoas, deixando-as inquieta, querendo destroçar a página e seu autor. Tentei fotografá-la, mas nem minha máquina (com pouca bateria) nem meu celular conseguiram captá-la devidamente em suas nuanças. Deixei-a por algum tempo descansar na parede de minha sala, depois abri a porta e…
Ficamos em Goiânia por três dias para comprar livros de poetas goianos (encontrei livros de Yeda Schmaltz, Aidenor Aires, Edmar Guimarães, Wesley Peres, Carlos Willians entre outros) para ampliar o nosso acervo. Comprei o livro do Colemar Silva sobre a história de Goiás: ele reconhece que é antiga a resistência em insistir negar os avanços que o Estado alcança em diversas áreas, pois sempre se pregou que o estado é pobre, ruim de cultura e coisas tais. Acrescentamos, e faremos estudo nesse sentido, que Goiás é um estado recente, e que tudo que nele foi produzido, principalmente na área da poesia, é fato para construir valores futuros. Aproveitamos para divulgar nosso livro Momento Crítico no shopping Goiás, em espaço cedido pela Leide, que cuida da parte cultural da livraria Leitura.

Os nossos amigos escritores que compareceram à livraria Cultura : Brasigóis Felício, Valdivino Braz, Edival Lourenço, Cézar Santos, Vassil Oliveira e eu (o Euler Belém acabara de sair), e o encontro com A…
Estou realmente de férias.
Reencontrei um depoimento que fiz no orkut
para a minha amiga Nanndy,
que merece (creio) estar por aqui, e vou tomar a liberdade de colocar uma foto dela pelo Facundo ;





e comprarás a casa
:
e as duas lâmpadas
:
e estás iluminada
:
em outro continente
Doloroso notar que alguns programas de televisão são tão sem escrúpulo! Acabei de ouvir a declaração final de Ana Maria Braga em seu programa do dia de Ano Novo. Nunca vi tamanho desserviço para a formação do humanismo. Prega a ausência da memória (jogue aquela foto fora), o egoísmo "egocêntrico" (você mesmo), a arrogância (não mudar para agradar o outro). Estamos na época de pregar a importância da história pessoal, de ajustar-se ao outro, agradar ao outro. Se não nos ajustamos com a diferença do outro, só podemos cair no deslavado abandono, no descarado rancor capaz de nos tornar tão deslocados na Humanidade que podemos virar assassinos totalitários, nazistas. O egocêntrico quer desocupar o mundo para existir só.
Pessoas que escrevem textos como estes do programa Ana Maria Braga nunca leram o conto "O pinheirinho", de Hans-Christian Andersen. Temos de sonhar com o mundo que podemos habitar, que conseguimos dominar com harmonia, e não aquele que vamos só impor noss…