Nasço da indecisão das plumas,
da falência a tornar múltiplos
gestos e fogo, de umas cinzas
Indeciso na precisão do fôlego
Lobeira sem quem lhe colha
o caule, o indigesto fruto
Indiferença aos sopros,
aos rogos de um detalhe
Prontas para esfarelar-me
me esperam cheias de arestas
as unhas sobre a tina de prata
Grão ao descaso do dente,
da lâmina, do limo
Grão com a limpeza de um fluxo
e pele e pumas
Não levei os tímpanos à guerra
Não raspei a mão
na solidez da máquina
Permaneço murcho
depois de deter-me,
não enfunar-me
diante da palha e da fagulha
Não renasço se não perdi,
se nas mãos de um vento
farelo não fui,
se não fui a pendida fruta,
a água a corroer o talo
Só a espuma em mim flui
@ salomão sousa
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
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