Vamos duvidar
Duvido que a água do rio virou lama
Duvido que a casca de banana é de vidro
Vamos duvidar
Duvido que a árvore possa ser feita de cola e papel
Duvido que alguém tenha vencido o Valfrido
Vamos duvidar
Duvido que alguém vá ficar aqui até dar flor a goiabeira
Duvido que o vento livre queira viver preso num cilindro
Vamos duvidar
Duvido que o tempo viva preso no relógio
Duvido que os reis não existam nos tempos antigos
Vamos duvidar
Duvido que o cachorro acredite na minha palavra
Quem acredita cai no buraco de vidro que eu duvido
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
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Folder do lançamento do livro
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