Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2007

O caçador de pipas

Neste início de ano, tentei ler O outono do patriarca, de Gabriel Garcia Marquez. E, ainda por cima, em espanhol. O livro é denso demais. Não tem um enredo específico, e com um complicador a mais: os parágrafos são intermináveis. Desisti no segundo capítulo. Não preciso mais ler este livro, pois sei de sua importância histórica, do seu significado de resistência contra o autoritarismo, e de experiência estilística em busca de um interminável xingamento a todo aquele que pensar em tiranizar um país. O outono do patriarca é um livro marcante — jamais me esquecerei desta verdade insofismável —, de domínio narrativo entre poucos. Mas vai ficar ali por enquanto, aguardando a minha leitura, que poderá não acontecer nunca. Como diz um dos mandamentos de Perac — o leitor tem o direito de não ler.

Para compreender o fenômeno de vendas, que é O caçador de pipas, do afegão Khaled Hosseini, enfiei-me na leitura deste livro. Preferia que esta nota fosse escrita pela Lídia ou pela Luana, ou qualquer…
Surpreendo-me nesta manhã com a notícia da morte do saxofonista de jazz Michael Brecker, vencedor de 11 prêmios Grammy. Tinha apenas 57 anos, mas foi vencido pela leucemia, conforme dá conta o noticiário. Começou a tocar nos anos 60 no conjunto do pianista Horace Silver e depois com Billy Cobham, até criar, junto com outros músicos, em 79, o grupo Steps Ahead, que leva o nome de uma música de John Coltrane. Gravava regularmente, com opção por uma linha jazzística intermediária entre o pop e as modernas vertentes do jazz. Não é um inventor de novas vertentes, mas todo artista deixa um vácuo doloroso. Dos muitos discos, indico o Time is of the essence, da Verve, que conta com participações de Pat Metheny e Elvin Jones (o baterista chave do quarteto de John Coltrane). E gosto muito de Tales from the Hudson, pela GRP Records. Aqui está o top dos músicos de jazz: Pat Metheney, Dave Holland, Jack DeJohnette, Joey Calderazzo e McCoy Tyner, também do quarteto de John Coltrane. Comprei este di…
Gosto de documentários sobre a natureza! Principalmente com boa fotografia. Os estudiosos da pós-modernidade já dizem que, atualmente, sabemos ver melhor a paisagem através do cinema. O cinema traz a imagem pronta, recortada numa beleza para o conforto fechado da vida moderna. No conforto, a paisagem não apresenta ameaça ao desbravador.
Fui ao cinema, com duas pequenas garotas, assistir O Planeta Branco, realizado Ragobert e Piantanida, ambos antigos colaboradores do explorador Jacques Cousteau. Eles "têm uma agenda que defendem: a preservação de um meio ambiente do qual dependem não apenas espécies animais, mas também o bem-estar do planeta como um todo".
Deixo para a pequena Camila, que foi comigo, a observação sobre a emoção de ver o filme. Passados os 86 minutos, ela reclamou: - Acabou? Devia ter mais. E na natureza nada acaba, aquela vida animal continua lá, com a sua brusca necessidade de sobrevivência, junto àquela beleza longe dos olhares do homem.
Alguns comentaristas …
Enquanto aguardo que a vida me traga alguma metáfora nada diluidora, vou postar aqui um dos sonetos de Rilke, o terceiro de Os Sonetos a Orfeu, na tradução de Karlos Rischbieter, da edição da Ed. Record. Encanta-me, neste soneto, os silêncios que Rilke intercala entre as palavras. Só com estes silêncios para mostrar a ausência/presença do sopro da divindade. Talvez daqui Clarice Lispector tenha tirado o título de seu livro Um Sopro de Vida. Se eu pudesse, alinharia aqui todas as Elegias do Duíno, onde Rilke me corta a garganta. Lê a terceira elegia toda a vez que sentires a garganta seca. Aí o soneto terceiro a Orfeu, de Rilke.
Um Deus o pode. Como, porém, poderá
um homem segui-lo na lira delgada?
Seu acordo é discorde. Na encruzilhada
dos corações, templo para Apolo não há.

Cantar, como o ensinas, não é tormento,
nem desejo de uma conquista final.
Cantar é ser. Para o Deus, coisa banal.
Mas nós: quando somos? Em que momento

ele constela Terra e Estrelas em nosso ser?
Jovem, amar é tudo e nad…

FÉRIASSSSSS

Há as chamadas do sol, com as chamas zen.
Há as pontes, o alecrim
que outros inalam, longe.
Há as fugas, as fortes batidas do coração.

Há as companhias. A Ellen. Há a Carol.
Há mares. E a Gismara.
E o Robson dentro da bruma do destino.

Terminei a leitura de "Vou cuspir no seu túmulo",
de Boris Vian.
Este pequeno romance policial completa
"O Estrangeiro", de Camus; e "A Família Pascual Duarte",
de Camilo José Cela.
É um romance sem perdão.
Confesso que ele me
assustou.
Mas eu não o censuraria
como fizeram os franceses.
Agora estou decidindo qual a próxima leitura.
Aguardemos.