Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro, 2007
O labirinto do fauno, uma produção México/Espanha de Guilhermo del Toro, poderia ter sido o grande vencedor do Oscar, se não fosse o esforço da Academia em vender a sua parafernália de violência. Martin Scorcese, com um filme enroscado, que não acrescenta nenhum avanço à arte cinematográfica ou novidade crítica à sociedade americana, por trazer grandes figurões no elenco de Os infiltrados, ficou um ponto à frente de Guilherme del Toro.
O labirinto do fauno reúne (não digo “reunia”, pois seria ser injusto com ele, pois o filme continua existindo) muito mais condições para ter levado também as estatuetas de roteiro e melhor filme, e por que não a de direção? É o único filme dentre os premiados de 2007 pela Academia de Hollywood que, daqui a uns anos, certamente, será procurado para apresentações em salas de cineclubes e de associações humanitárias que vão lutar pela afirmação das liberdades individuais e de resistências às forças totalitárias. As mentes totalitárias sempre são melhores o…
Temos todos os dias algo a comemorar. Os aniversários de familiares, as grandes catástrofes, como o grande incêndio de Lisboa. Alguns comemoram a data em que se livraram de dentes cariados. Mas neste 21 de fevereiro de 2007, faço meu minuto de alegria pelo centenário de nascimento do poeta W.H.Auden. Os grandes poetas não nascem todos os dias. É dono de uma poesia de grande sarcasmo e criatividade. Deixo aqui um de seus poemas, em tradução de Daniel Piza, publicada pela agência Estado. Fiz dois pequenos ajustes para colocar o poema na tonalidade do meu ouvido:

Funeral Blues

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
evitem o latido do cachorro com seu osso suculento,
silenciem os pianos e com tambores lentos
tragam o caixão, deixem que o luto chore.

Deixem que os aviões voem em círculos altos
riscando no céu a mensagem Ele Está Morto,
ponham gravatas beges no pescoço dos brancos pombos do chão,
deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu …
Como um velho urso, só hibernei neste carnaval. Recebi a visita de meu irmão Zezinho Carteiro, acompanhado de duas de suas sobrinhas, que gostam de me visitar durante as férias. Deixei-as frustradas, pois acabaram ficando em hibernação comigo. Perdão, Mariana e Lavínia. Continuem me visitando. De repente, numa das próximas férias, o tempo esteja melhor e eu também esteja mais animado para passeios.
Vi alguns filmes, todos classe B ou C, ou ainda mais abaixo na escala cinematográfica. Um deles, Menina de Ouro, de Clint Eastwood, faz referência a um livro que estou lendo — O Urso Azul, de Lynn Schooler. O autor é de um guia de turismo do Alasca, e, neste livro, relata a sua experiência com as viagens para acompanhar Michio Hoshino para fotografar aquela região (e acabou morto por um urso pardo). Talvez Clint Eastwood não faça referências explícitas a este livro. A última adversária da menina de ouro, íntegra de imensa maldade, leva o nome de Urso Azul. O nome tanto pode ser uma referênci…
Lamento que não tenha circulado na edição desta semana, do Jornal Opção, editado pelo meu amigo Euler Belém, o suplemento Opção Cultural. O suplemento Opção Cultura é uma das poucas vozes das correntes artísticas de Goiás. Não pode emudecer em nenhuma semana.

.....

Não tenho sido feliz nas minhas escolhas culturais nestas últimas semanas. Tenho assistido filmes que não me agradam ou escolhido livros com os quais não me identifico. Estou aqui numa leitura arrastada de Cidadela, do Exupery. Muito caótico. E foi um desastre assistir o último filme de Mel Gibson (Apolalyso), que se especializou em cenas de violência. Para criticar o império americano, que poderia estar em decadência, toma como pano de fundo tribos latino-americanas para montar a sua fábula. Só que não há conexão história, não há poesia — só sangue e barbárie. E se vale de situações inverossímeis para costurar soluções do enredo. Mas, é isso, a inverossimilhança tem matado o cinema. (E talvez a ficção, também). Não é mais …
Devo interromper a leitura do livro Balanço Final, de memórias de Simone de Beauvoir. Sempre fui retardando a leitura de um livro desta romancista companheira de Sartre. É muito enumerativo sobre o seu cotidiano, e acabou não me sendo atrativo.
Mas não podemos deixar de reconhecer que nos grandes reformadores das contutas humanas sempre estão latentes as grandes afirmações. Logo no início do livro há uma frase que me interessou sobremaneira: Usei minha liberdade para desconhecer a verdade do momento que vivia.
O excesso de liberdade que o homem (e a mulher) conquistaram — desde a revolução que Simone de Beauvoir contribuiu para a renovação das relações humanas — acabou por gerar contradições perniciosas para o homem da pós-modernidade.
Há uns quatro anos, por ocasião das comemorações da Semana do Livro, convidado a proferir algumas palavras numa escola pública de uma cidade satélite de Brasília, pude me deparar com situações agravantes que o uso da liberdade tem provocado no andamento da…
UMA VERDADE INCONVENIENTE

Por Ana Paula Condessa

Uma verdade inconveniente é um longa-metragem que mostra os problemas ambientais causados pela forma como o homem vem se relacionando com o meio ambiente. O mote do filme é a discussão dos problemas causados pelo aquecimento global. O filme mostra a realidade que vamos enfrentar já em 2008. No documentário, Al Gore mostra o resultado de suas pesquisas sobre o aquecimento global, com fotos, imagens, gráficos e tabelas, que demonstram a gravidade da situação ambiental do nosso planeta. No filme, que é dirigido por Davis Guggenheim, Al Gore faz uma campanha bem diferente e mostra dados que preocupam não só os ambientalistas. O ex-candidato à presidência dos Estados Unidos no período Clinton achou um novo jeito para elevar seu prestígio — o mote ambiental. É a forma que ele encontrou para se fazer ouvir.

O filme mostra parte da campanha de Al Gore para parar o aquecimento global e conta com dados chocantes de como a temperatura do planeta vem …
Leio hoje uma nota no blog do Célio Silva que me deixa envaidecido. Sempre nos deixa orgulhosos assistir um conterrâneo ir ultrapassando fronteiras. Abraços ao André de Leones, ao Célio Silvas, e minhas lembranças ao Cleverlan, agora nas lides do Senado Federal em assessoramento do senador Marconi Perillo. Silvânia subindo ao pódio da nacionalidade.

A nota do Célio Silva:

"Recebo agora, via e-mail, uma excelente notícia: o romance HOJE ESTÁ UM DIA MORTO, do jovem escritor, nosso conterrâneo, André de Leones, será adaptado para o cinema. O cineasta Robney Bruno, que já teve dois curtas premiados nacionalmente, vai dirigir o filme. Hoje Está Um dia Morto será o primeiro longa do cineasta.Esta é a segunda boa notícia envolvendo André de Leones esta semana. No sábado seu romance mereceu resenha publicada no jornal carioca O Globo, um dos de maior circulação no país.A obra venceu no ano passado o Prêmio SESC Brasil de Literatura e foi publicada pela Editora Record.Fico muito feliz pelo…
Tenho seguido à risca a decisão de não entrar em conflito crítico. No entanto, a minha compreensão quanto ao filme Babel, que assisti a uns quinze dias, não coincide com a opinião competente de amigos e da crítica especilializada.
É pouco dizer que o filme do mexicano Alejandro González Iñárritu faz uma advertência à política internacional dos EUA. Que tudo de ruim que eles promovem contra outros países acaba se voltando contra eles mesmos. Em razão da defesa de uma mensagem não podemos esconder (ou calar) as deficiências da composição de uma obra de arte. Só a mensagem não valida uma obra.
Não deixamos de reconhecer que as diversas ramificações da história, assim como em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, acabam se ajustando bem na intenção final do autor. Cada personagem, com sua história desgarrada — seja da mexicana, da japonezinha, dos tunísios e marroquinos, ou mesmo dos americanos — funcionam bem isoladamente ou no contexto geral. Para mim, o que melhor funcionou foi a parte japo…