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Temos todos os dias algo a comemorar. Os aniversários de familiares, as grandes catástrofes, como o grande incêndio de Lisboa. Alguns comemoram a data em que se livraram de dentes cariados. Mas neste 21 de fevereiro de 2007, faço meu minuto de alegria pelo centenário de nascimento do poeta W.H.Auden. Os grandes poetas não nascem todos os dias. É dono de uma poesia de grande sarcasmo e criatividade. Deixo aqui um de seus poemas, em tradução de Daniel Piza, publicada pela agência Estado. Fiz dois pequenos ajustes para colocar o poema na tonalidade do meu ouvido:

Funeral Blues

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
evitem o latido do cachorro com seu osso suculento,
silenciem os pianos e com tambores lentos
tragam o caixão, deixem que o luto chore.

Deixem que os aviões voem em círculos altos

riscando no céu a mensagem Ele Está Morto,
ponham gravatas beges no pescoço dos brancos pombos do chão,
deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,

mnha semana útil e meu domingo inerte,
meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção, meu papo,
achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado.

As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas;

empacotem a lua e façam o sol desmanchar;
esvaziem o oceano e varram as florestas;
pois no momento nada pode fazer bem algum.

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