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Mostrando postagens de Outubro, 2011

Alexandre sem herói

Alexandre, poucas seriam as chances de seres grandes num mundo em que os jovens aboliram todos os heróis! Com 33 anos ainda estarias vivo e com grandes chances de morrer de uma cirrose aos 30, sem teres fundado nenhuma Alexandria. Passarias as noites bêbado na praça de uma cidade, infernizando a quietude com os 15 mil watts de som
em sofrível cum-cum-cum
de acabar com qualquer um. Em tédio passarias teus dias, dormindo à larga até as 3 da tarde, sem conquistas, sem listrar o mapa com os roteiros de tuas guerras. Estarias nas asas de um pai, retardando o primeiro emprego, aos 29 estarias aguardando uma lei que lhe garantisse a gratuidade da passagem em todas os ônibus, em todas as naus. Não serias um mochileiro, ou um guerrilheiro em Serra Leoa. Serias um cafetão da própria mãe, esperando que ela lhe trouxesse o salário mirrado da diária. Ou estaria na sua C-10, na sua Hillux passando por cima dos mendigos, incentivado pelo pai que se esqueceu que o homem se constrói em cada ação da infância, em cada honradez da juven…

Adônis

Neste dia em que foi divulgado o prêmio Nobel de Literatura de 2011, que coube ao sueco Tomas Transtromer, aproveito para postar um poema de Adônis, poeta sírio, que esteve cotado para receber o prêmio. A literatura árabe, sobretudo a poesia, é muito pouco traduzida. E há uma forma muito rápida de encontrar a simplicidade, com exatidão em seus textos. Ainda agora estou lendo de novo Maalouf (Leon o Africano, em espanhol, pois acredito que ainda não há tradução em português). E logo no primeiro parágrafo, este achado de incontrolável beleza:
Sou filho do caminho, caravana é minha pátria e minha vida a mais inesperada travessia.


A tradução do poema foi a partir do espanhol




CELEBRAÇÃO DO DIA E DA NOITE Adonis (Ali Ahmad Said Asbar)
O dia encosta a cancela de seu jardim, lava os pés e se envolve em seu manto para acolher a sua amiga noite.
O crepúsculo avança lentamente. Há manchas de sangue em seus ombros; em sua mãos, à beira de murchar, uma rosa.
Ruidosa avança a aurora. Suas mãos abrem o livro do …

uma reorganização num poema já postado

se ninguém nunca formular o convite nunca haverá desfrute e é quando se acende a luz e acaba o lado escuro
não haverá conhecimento do horto da fruta cairá dentro da angústia o eixo que se desfibra se o convite é a fala muda
vem o convite para os vôos e há o enfrentamento do sutil e do inútil o corpo suave às baixezas e às alturas
o corpo da cidade é um desconjuntado relógio de luz e aquele que aguarda é só um ponto fixo e escuro
vem o convite e o tempo induz a alargar-se o desconvergido prumo e o escuro acolhe o fluxo de um calor de um flux

Resistência

Agradeço aos amigos Sérgio Muylaert (amigo desde os tempos iniciais do José Godoy Garcia e da publicação de Ofício de Agoco, com Stela Maris Rezende Paiva e Aglaia Souza) e Marselha pela recepção na sexta-feita (30.9.2011). O encontro que era para ser leitura de poesia (informalidade), se transformou numa efusiva revivescência da história de resistência do País, pois estavam presentes Acilino Ribeiro (guerrilheiro, que chegou a integrar a guarda de Kadafi), o jornalista Jarbas Silva Marques (torturado da resistência brasileira, meu amigo desde os tempos de nossas relações com o poeta José Godoy Garcia, outro que, mesmo depois de falecido, foi incluído entre aqueles que receberam indenização pela perseguição política), Luiz Fenelon (também militante) e, ainda, Maria Auxiliadora (trabalha com assuntos cubanos na UnB), e a poeta Consuelo Gontijo (aguardamos a publicação de um livro). A Consuelo vem com a literatura de Brasília desde os saraus do poeta Esmerino Magalhães Jr. Por aí, pode…