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Mostrando postagens de Dezembro, 2006
Fico siderado quando encontro um texto literário em que a genialidade da juventude vence todos os parâmetros existentes. É o caso de A família de Pascual Duarte, pequeno romance-explosão do espanhoal Camilo José Cela. Só as condições de um momento de guerra vivido pela Europa e a juventude do autor para permitir que a violência humana fosse examinada com tanta percuciência.
Acho que o Ronaldo Costa Fernandes, apesar do "interior" dissecado em em seu romance O Viúvo, não agüenta esse livro. A Família de Pascual Duarte faz contraponto com O Estrangeiro, que é o livro de cabeceira do amigo Ronaldo Costa Fernandes.
Nao vou entrar em mais detalhes do livro deste autor que foi prêmio Nobel, pois me dá medo. Quero preservar a mãe.
Estou vendo que este blog está se transformando num arremedo de diário.
No entanto, no fim de ano, onde aguardamos a renovação de nossos projetos,
temos de trabalhar dentro de nossas repetições.
Ainda conversava com meu filho hoje na Livraria Cultura: passei o fim de semana
sem consturar grandes invenções. E vou notando que até a poesia vai escapando
por entre a inexistente teia de luz.
Assisti dois filmes: Fome de viver, que há anos eu procurava o momento de me encontrar
com ele. Com Catherine Deneuve, num figurino limpo, um chapeuzinho futurista. É uma vampira que padece a angústia de ter de atravessar eternamente o tempo. Aqui, é a angústia da destruição do outro para assegurar a sobrevivência. Trata-se de um filme que abriu caminhos para muitos outros no gênero. É claro, para trás estava o impressionismo alemão, que é o pai e a mãe de tudo. A trilha sonora é de fazer inveja, e de arrepdiar: Lalo...
Mas, a valentia mesmo me aguardava no segundo filme: Alphavile, de Godard, que também se es…
Desde a infância, carrego a marca da leitura do livro A Cavalaria Vermelha, de Isaac babel, agora traduzido como O Exército de Cavalaria. Para mim, a mudança do título não alterou nada, mas agora, na tradução direta do russo, subiu a tona, com maior clareza, a poeticidade do texto desse russo que acabou morrendo no totalitarismo de Stálin.
Algumas peculiaridades me atraem na prosa de Isaac Bábel: a poeticidade, as cenas de dura crueza da vida militar, o olhar terno dentro da guerra. Olha as frases do último conto, da última página do livro: "Da negra trama do carvalhal surgiu um sol ardente. O júbilo da manhã encheu o meu ser." Ou então a violência dos instantes da guerra: "Alcancei e curvei o ganso para o chão; sua cabeça estalou sob minha bota; estalou e sangrou. O pescoço branco ficou estendido sobre o esterco e as suas asas se juntaram por cima da ave morta." Trancrevo esta passagem deslocada de toda a sua trama, e pior se transcrevesse o tiro dentro da boca do …
Quatro aforismos a partir de um diálogo com Lejânia Bello: ***** A folha verde é o viço da esperança, e no entanto ela seca.
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É melhor chover no molhado do que viver na secura.
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É melhor acertar com os radicais que errar com os maleáveis! ******* Só dois escritores me deixam no buraco:
Cioram e Schopenhauer!
Mas se não entramos no buraco
nunca saberemos como é a saída!
Ontem estivemos na festa do Robson Corrêa de Araújo, que abriu a sua exposição de fotografia na Livraria Cultura, que funciona na CasaPark. São fotos da Câmara dos Deputados, todas feitas com o olhar a partir do chão (piso). São ângulos limpos — se há a presença humana esta se insinua apenas através da sombra. E mais é mistério de quem vê, pois quem vê, sabe e conhece. E isso quem diz é o prêmio nobel Orhan Pamuk.

Um dia antes, fui ao cinema ver O labirinto do fauno, uma produção México/Espanha de Guilhermo del Toro. Eu fui acompanhado por Lídia Duarte ou por Juliana Garza.