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Desde a infância, carrego a marca da leitura do livro A Cavalaria Vermelha, de Isaac babel, agora traduzido como O Exército de Cavalaria. Para mim, a mudança do título não alterou nada, mas agora, na tradução direta do russo, subiu a tona, com maior clareza, a poeticidade do texto desse russo que acabou morrendo no totalitarismo de Stálin.
Algumas peculiaridades me atraem na prosa de Isaac Bábel: a poeticidade, as cenas de dura crueza da vida militar, o olhar terno dentro da guerra. Olha as frases do último conto, da última página do livro: "Da negra trama do carvalhal surgiu um sol ardente. O júbilo da manhã encheu o meu ser." Ou então a violência dos instantes da guerra: "Alcancei e curvei o ganso para o chão; sua cabeça estalou sob minha bota; estalou e sangrou. O pescoço branco ficou estendido sobre o esterco e as suas asas se juntaram por cima da ave morta." Trancrevo esta passagem deslocada de toda a sua trama, e pior se transcrevesse o tiro dentro da boca do velho, que naquele instante era um inimigo.
Este é o resumo que a editora Cosac distribi sobre o livro:
Para esta edição, Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade traduziram os 36 contos da versão definitiva - que acrescentou dois contos (Argamak0 e O Beijo) aos 34 da primeira publicação em livro, de 1926. "Texto-paradigma do século XX", nas palavras de Boris Schnaiderman, estes contos "com gosto acre de sangue e terra" formam um mosaico estilhaçado das convulsões sociais da Rússia nos anos 1920. Conhecido em todo ocidente como A Cavalaria Vermelha, o livro reflete a experiência de Isaac Bábel na guerra russo-polonesa de 1920-21. Judeu, russo e míope, o narrador registra sua permamente sensação de deslocamento em meio aos brutais cossacos que lutam a seu lado. Com sua prosa expressionista, Bábel parecia encarnar o ideal soviético de uma literatura revolucionária, mas acabaria fuzilado em 1940 pela política de extermínio stalinista.

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