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Mostrando postagens de Junho, 2010

AUDEN

Estou sempre preocupado com a poesia, e sobretudo com o meu blog. Um tanto desanimado com a burocracia do FAC, que levou à desclassificação da quase totalidade dos projetos de literatura, ibnclusive de meu livro. Precisamos eliminar a burocracia, pois, caso contrário, será melhor extinguir o projeto, pois a manutenção da máquina acabará mais cara para o cidadão do que o número de obras publicadas, de projetos aprovados. Estou maturando um processo crítico sobre a atuação da Secretaria de Cutura do Distrito Federal no que respeita a administração do FAC, pois, realmente, confundiu todo o meu de campo.

Enquanto isso, a tradução de um poema de AUDEN, a partir de outras versões. Só para sentir as rimas:

FUNERAL BLUES

Parem todos os relógios, o telefone emudeça,
jogue ao cão um osso e ele já não enfureça,
silenciem os pianos e ao toque dos tambores,
à frente do cortejo, o caixão apareça.

Voem em círculo os aviões em total conforto
descrevendo no céu a mensagem: está morto.
No peito das pombas branc…

Morte de José Saramago

Não é só Lazarote que está de luto. O luto está em mim, no Brasil, pois José Saramago está na intimidade da cidadania brasileira. Não morre só uma maneira de escrever, mas uma voz participativa de nosso tempo — um tempo quase nulo de vozes defensoras do humanismo. Estou emocionado, só me senti assim quando recebi a notícia da morte de meu amigo-poeta José Godoy Garcia. Ainda me lembro de uma palestra sua no auditório do jornal Correio Braziliense e eu lhe perguntei sobre a atividade da imprensa que está preocupada apenas em se comunicar com determinada parcela da população, rebaixando o processo crítico, e ele respondeu com uma única palavra, com a sua voz participativa: "hipócrita".

Correção da tradução de um poema de Cesar Vallejo

Pedra negra sobre uma pedra branca


Morrerei em Paris com aguaceiro,
num dia do qual já tenho lembrança.
Morrerei em Paris — e não me apresso —
talvez numa quinta-feira, como hoje, de outono.

Será quinta-feira, porque hoje, quinta-feira,
em que proso esses versos, pus os úmeros
na malas e, nunca como hoje, me deixei,
com todo o meu caminho, a me ver só.

César Vallejo morreu, surravam-no
todos sem que a eles não tenha feito nada;
lhe batiam duro com um pau e duro

também com uma soga; são testemunhas
os dias de quinta feira e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos…