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Mostrando postagens de Outubro, 2017
A um olmo seco
ANTONIO MACHADO
A um olmo velho, fendido pelo raio, e apodrecido pela metade, com as chuvas de abril e o sol de maio, saíram-lhe algumas folhas verdes.
O olmo centenário na colina que beira o Douro! Um musgo amarelado mancha a esbranquiçada casca do tronco carcomido e empoeirado.
Não será, como os álamos cantores que guardam o caminho e a ribeira habitado por pardos rouxinóis.
Exército de formigas em fileira por ele vai subindo, em suas entranhas urdem telas grises as aranhas.
Antes que te derrube, olmo do Douro, com o machado o lenhador, e o carpinteiro te converta, para sino, em cavalete,  canga de carro ou fueiro de carreta ; antes que, amanhã, num lar,  ardas vermelho nalguma mísera casa à beira de um caminho; antes que te destroce um torvelinho  e te entorte o sopro das serras brancas; antes que o rio até o mar de empurre por vales e barrancos, quero anotar em minha agenda a graciosidade de tua esverdeada rama. Meu coração espera, em nome da luz e da vida,
outro milagre da primavera.
Tradução: Sa…