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Mostrando postagens de 2011

Natal do Zé Gaúcho

São muitos os trabalhos sociais, em SilVânia, na época do Natal. Aproveitei para visitar o momento da entrega dos brinquedos do Natal do Zé Gaúcho. Eram dois e oitocentos kits de brinquedos para 2800 crianças. Mais ou menos 2500 kits entregues. e os demais serão distribuídos diretamente nos bairros. Com café da manhã. Parabens ao Zé Gaúcho! Apareço na foto com o Célio Silva (D) (diretor da Rádio Rio Vermelho), a Cidinha (no centro, esposa do Zé Gaúcho), e outros auxiliares dos trabalhos.

Folia do seu Inácio e Dona Iraci

Volto a Silvânia para rever familiares e participar do pouso de folia na casa da Dona Iraci e do Seu Inácio. A Folia de Reis, festividade típica de Goiás, que alimenta as reminicências de minha infância, era uma das paixões de meu pai. Eu, garoto, ficava a ouvi-lo treinar as cantorias deitado no longo champrão que servia de banco na cozinha.

A cantoria da folia é religiosa e serve para criar liames sociais, fortalecer amizades. Agradeço aos foliões a oportunidade de fazer uma foto no momento da chegada e, à Dona Iraci, a permissão para sairmos juntos juntos na foto depois de ela ter recebido a bandeira. Foi uma noite especial, com um jantar maravilhoso. Pena que não consegui entrar na noite para assistir as apresentações de catira - outra dança goiana.
Ai Goiás!

Troféu Tiokô

Nesta quarta-feira, 30, em solenidade no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Goiàs, recebi o troféu Tiokô na categoria Prêmio Especial Goiás  - Personalidade goiana residente fora do Estado de Goiás que mais se destacou na área da literatura no cenário Nacional e Internacional no biênio 2010/2011, concedido pela UBE, seção de Goiás, atualmente dirigida pelo poeta e amigo Edival Lourenço. Trata-se do primeiro prêmio que recebi em Goiás, e que muito me incentiva a continuar a trabalhar junto às minhas raízes litarárias goianas. Não tenho uma relação nostálgica com Goiás, pois nostalgia pressupõe uma relação onde as coisas parecem paradas no tempo, mas de relação crítica, às vezes conflituosa, para gerar perspectivas produtivas. Lembrei, ao agradecer o prêmio, que a literatura para mim, é produção de texto, de alegria e de amizade. A literatura em Goiás, para mim, é um celeiro de amizades. Agradeço a todos da UBE-GO que esteveram envolvidos na concessão deste prê…

Schnitzler

São minutos os livros despudoradamente bons e Crônica de uma vida de mulher, de Arthur Schnitzler, publicado no Brasil pela Record,é um deles. A tradução de Marcelo Backes é irrepreensível, com raras gralhas ou falhas no posicionamento de vocábulos. Mas fiquei siderado com a leitura, com a trajetória da heroína, se é que o fracasso dá certidão para um personagem ser herói. O livro é perfeito, sem nada fora de lugar, assim como O grande Gatsby, dde Fitzgerald. Talvez tenha sido o livro que mais tenha me emocionado entre os que li neste ano de 2011.
E não deixem de correr atrás da nova tradução de Guerra e Paz, de Tolstoy, que já está nas melhores livrarias, sejam presenciais ou virtuais. Agora esta obra prima está traduzida diretamento do russo.

poema para o blog da Janaína

eu que pensei em ser lótus
desarmado me pus
diante dos pensamentos de sol
um tanto de sombra sob uma Eva
enquanto esperava sobre a pedra
enquanto falecer me sentia
sombrio nos pátios de uma cidade

desarmado pari um gato
que passou a me seguir num círculo
ainda que busque nas águas
ainda que busque nos ciscos
e nas vagens trágicas
não é numa cidade estrangeira
o gato me segue
nas estivas perdidas

Lançamento do meu amigo Vili Santo Andersen

Alexandre sem herói

Alexandre, poucas seriam as chances de seres grandes num mundo em que os jovens aboliram todos os heróis! Com 33 anos ainda estarias vivo e com grandes chances de morrer de uma cirrose aos 30, sem teres fundado nenhuma Alexandria. Passarias as noites bêbado na praça de uma cidade, infernizando a quietude com os 15 mil watts de som
em sofrível cum-cum-cum
de acabar com qualquer um. Em tédio passarias teus dias, dormindo à larga até as 3 da tarde, sem conquistas, sem listrar o mapa com os roteiros de tuas guerras. Estarias nas asas de um pai, retardando o primeiro emprego, aos 29 estarias aguardando uma lei que lhe garantisse a gratuidade da passagem em todas os ônibus, em todas as naus. Não serias um mochileiro, ou um guerrilheiro em Serra Leoa. Serias um cafetão da própria mãe, esperando que ela lhe trouxesse o salário mirrado da diária. Ou estaria na sua C-10, na sua Hillux passando por cima dos mendigos, incentivado pelo pai que se esqueceu que o homem se constrói em cada ação da infância, em cada honradez da juven…

Adônis

Neste dia em que foi divulgado o prêmio Nobel de Literatura de 2011, que coube ao sueco Tomas Transtromer, aproveito para postar um poema de Adônis, poeta sírio, que esteve cotado para receber o prêmio. A literatura árabe, sobretudo a poesia, é muito pouco traduzida. E há uma forma muito rápida de encontrar a simplicidade, com exatidão em seus textos. Ainda agora estou lendo de novo Maalouf (Leon o Africano, em espanhol, pois acredito que ainda não há tradução em português). E logo no primeiro parágrafo, este achado de incontrolável beleza:
Sou filho do caminho, caravana é minha pátria e minha vida a mais inesperada travessia.


A tradução do poema foi a partir do espanhol




CELEBRAÇÃO DO DIA E DA NOITE Adonis (Ali Ahmad Said Asbar)
O dia encosta a cancela de seu jardim, lava os pés e se envolve em seu manto para acolher a sua amiga noite.
O crepúsculo avança lentamente. Há manchas de sangue em seus ombros; em sua mãos, à beira de murchar, uma rosa.
Ruidosa avança a aurora. Suas mãos abrem o livro do …

uma reorganização num poema já postado

se ninguém nunca formular o convite nunca haverá desfrute e é quando se acende a luz e acaba o lado escuro
não haverá conhecimento do horto da fruta cairá dentro da angústia o eixo que se desfibra se o convite é a fala muda
vem o convite para os vôos e há o enfrentamento do sutil e do inútil o corpo suave às baixezas e às alturas
o corpo da cidade é um desconjuntado relógio de luz e aquele que aguarda é só um ponto fixo e escuro
vem o convite e o tempo induz a alargar-se o desconvergido prumo e o escuro acolhe o fluxo de um calor de um flux

Resistência

Agradeço aos amigos Sérgio Muylaert (amigo desde os tempos iniciais do José Godoy Garcia e da publicação de Ofício de Agoco, com Stela Maris Rezende Paiva e Aglaia Souza) e Marselha pela recepção na sexta-feita (30.9.2011). O encontro que era para ser leitura de poesia (informalidade), se transformou numa efusiva revivescência da história de resistência do País, pois estavam presentes Acilino Ribeiro (guerrilheiro, que chegou a integrar a guarda de Kadafi), o jornalista Jarbas Silva Marques (torturado da resistência brasileira, meu amigo desde os tempos de nossas relações com o poeta José Godoy Garcia, outro que, mesmo depois de falecido, foi incluído entre aqueles que receberam indenização pela perseguição política), Luiz Fenelon (também militante) e, ainda, Maria Auxiliadora (trabalha com assuntos cubanos na UnB), e a poeta Consuelo Gontijo (aguardamos a publicação de um livro). A Consuelo vem com a literatura de Brasília desde os saraus do poeta Esmerino Magalhães Jr. Por aí, pode…

Novo livro do Ronaldo Cagiano

Entrevista

Agradeço à equipe da Comunicação Social do Ministério da Fazenda, sobretudo ao Rafa, pela divulgação de uma entrevista comigo na página institucional do Gabinete do Ministro. Como a entrevista fica mais restrita aos funcionários do Gabinete, transfiro-a integralmente aqui para o blog.

Onde nasceu?

R: Nasci entre capoeiras na Fazenda Calvo, no município de Vianópolis, em Goiás. Mas me considero de Silvânia, pois a fazenda de meus avós se estendia pelos dois municípios, e nasci do outro lado do rio. Para afirmação de minha naturalidade, passaria a morar Silvânia, onde estudei no ginásio dos salesianos.

Quais suas paixões?
R: Como gosto da sagração de estar vivo, de participar das belezas que povoam cada margem de nosso caminho, são muitas as paixões de minha vida. Num dia pode ser as estrias amarelas de uma moita de bambu. Noutro, a rebeldia de uma pichação no tapume ao lado do meu caminho. As mulheres, os homens, as crianças, bem como a poesia e a música — são paixões obrigatórias. Es…