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Mostrando postagens de Julho, 2008
Quebramos o cronômetro da Sherle.
Areia, sombras e sombras e sargaços
— perdidos nalguma corrente,
éramos aves desgarradas
frente às falésias.
Quebramos a ansiedade ao ver
os marcos antigos dos descobridores.
Ouvidores do rei
e os despachos das arcas do tesouro.
Restos de uma réplica de nau
que só poderia estar sem porto.
Quebramos o medo dos monstros de lama
e das criaturas más inventadas ao Norte.
Ex-votos com mãos estendidas,
dedos longos, cabelos espremidos
no asfalto, e o mar ainda
entre as estacas.
Quebramos a rigidez das faces.
Outra cor ao corpo, rotas
de desovar. Pó de ostra
nas garrafas. Outra onda
vem — junto às crianças se desdobra,
quase sem cor —, se é puro o sol,
se é o despudorado sal.
No mangue movemos os pés
de nosso animal.
Quebramos o tormento
de repetir a mecânica de andar.
Ir é outro prazer. Ouvir
outras palavras, entre os dedos
areias, cordões coloridos, quase apanhar
as finas barbas dos tubarões e das enguias.
Narinas moles respiram água.
Quebramos — e acabam as avenidas
e as orlas. Arrastam-no…
Eu e Yuri no dia da entrevista citada abaixo
Postei no meu "segundo blog" (salomaosousa@blogspot.com), o qual destino para textos mais longos — sobretudo dedicados à minha obra —, a entrevista que concedi em em maio de 2008 a Yuri Soares Franco, estudante de História da UnB. A entrevista aborda aspectos de minha vida, da história e da poesia de Brasília.
Agradeço a Yuri a escolha de meu nome para o trabalho.

Deixo aqui o email que el me mandou com o trabalho:

Salomão, finalmente terminou o semestre, e é com muito orgulho que informo que sua entrevista e minhas considerações feitas nas aulas me trouxeram uma boa nota e bons comentários da professora e dos demais alunos, além obviamente de muito conhecimento advindo tanto da metodologia e conhecimentos específicos da matéria como da história viva de Brasília e da literatura brasiliense representados na sua pessoa. Desculpe a demora, mas eu estava esperando o resultado das notas para enviar-lhe a transcrição e os comentários. Novamente muito obrigado pela sua disposição e p…
Agradeço à Leonice Jacob, conterrânea valente, que lançou recentemente o livro "Labirintos de Mim", as referências carinhosas ao me incluir entre as ilustres figuras da cultura de Silvânia:
Falei sobre o professor Edmar
Do seu “enredo e personagens”
Dos seus traços marcantes
Que perseguiram os meus
Iluminando-os com sua sabedoria.

Com Rubens Vieira
Lembrei-me do antigo cinema
Da lida diária da pequena Bonfim
Quando um "tropel de emoções"
Invadiu nossos corações.Com Antônio da Costa
Revivi a rua comprida e estreita
Que foi cúmplice das nossas brincadeiras
De infância e adolescência. Dividi a minha saudade
Com Inácio José de Paula
O vi crescer batalhador
E cheio de esperanças
E na cumplicidade da pequena rua
Que fazia-nos irmãos. Em “Memórias”
De Osvaldo Sergio Lôbo
Senti-o carente
De amor, inocente
E uma ponta de saudade
Bateu forte no peito Oh! Meu glorioso Salomão
Quando nascer de novo
Quero ser como você
Quero fazer uma “safra” de livros
E nas “horas vagas”
Deleitar-me na “moenda dos d…
O DESVIOYêda Schmaltz
A mim pouco me importa
aberta ou fechada a porta,
vou entrar.E pouco me importa estar
sendo amada ou não amada:
vou amar.Que a mim me importa tanto
eu mesma e o sentimento,
quanto!A mim pouco me importa
se a tua amada é doente,
se a tua esperança é morta.
E me importa muito menos
se aceitas solenemente
a nossa vida parca e torta.
Porque a mim me importaria
deixasse de ser eu mesma
e a poesia.
A mim pouco me importa
se a lira quebrou a corda:
vou cantar.
E pouco me importa estar
no picadeiro do circo:
vou rodar.
Que a mim me importa tanto
eu mesma e o sentimento,
quanto!
A mim pouco me importa
se estamos todos presos
por uma invisível corda.
E me importa muito menos
sermos todos indefesos
ante o destino que corta.
Porque a mim me importaria
deixasse de ser eu mesma
e a poesia.