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Mostrando postagens de 2006
Fico siderado quando encontro um texto literário em que a genialidade da juventude vence todos os parâmetros existentes. É o caso de A família de Pascual Duarte, pequeno romance-explosão do espanhoal Camilo José Cela. Só as condições de um momento de guerra vivido pela Europa e a juventude do autor para permitir que a violência humana fosse examinada com tanta percuciência.
Acho que o Ronaldo Costa Fernandes, apesar do "interior" dissecado em em seu romance O Viúvo, não agüenta esse livro. A Família de Pascual Duarte faz contraponto com O Estrangeiro, que é o livro de cabeceira do amigo Ronaldo Costa Fernandes.
Nao vou entrar em mais detalhes do livro deste autor que foi prêmio Nobel, pois me dá medo. Quero preservar a mãe.
Estou vendo que este blog está se transformando num arremedo de diário.
No entanto, no fim de ano, onde aguardamos a renovação de nossos projetos,
temos de trabalhar dentro de nossas repetições.
Ainda conversava com meu filho hoje na Livraria Cultura: passei o fim de semana
sem consturar grandes invenções. E vou notando que até a poesia vai escapando
por entre a inexistente teia de luz.
Assisti dois filmes: Fome de viver, que há anos eu procurava o momento de me encontrar
com ele. Com Catherine Deneuve, num figurino limpo, um chapeuzinho futurista. É uma vampira que padece a angústia de ter de atravessar eternamente o tempo. Aqui, é a angústia da destruição do outro para assegurar a sobrevivência. Trata-se de um filme que abriu caminhos para muitos outros no gênero. É claro, para trás estava o impressionismo alemão, que é o pai e a mãe de tudo. A trilha sonora é de fazer inveja, e de arrepdiar: Lalo...
Mas, a valentia mesmo me aguardava no segundo filme: Alphavile, de Godard, que também se es…
Desde a infância, carrego a marca da leitura do livro A Cavalaria Vermelha, de Isaac babel, agora traduzido como O Exército de Cavalaria. Para mim, a mudança do título não alterou nada, mas agora, na tradução direta do russo, subiu a tona, com maior clareza, a poeticidade do texto desse russo que acabou morrendo no totalitarismo de Stálin.
Algumas peculiaridades me atraem na prosa de Isaac Bábel: a poeticidade, as cenas de dura crueza da vida militar, o olhar terno dentro da guerra. Olha as frases do último conto, da última página do livro: "Da negra trama do carvalhal surgiu um sol ardente. O júbilo da manhã encheu o meu ser." Ou então a violência dos instantes da guerra: "Alcancei e curvei o ganso para o chão; sua cabeça estalou sob minha bota; estalou e sangrou. O pescoço branco ficou estendido sobre o esterco e as suas asas se juntaram por cima da ave morta." Trancrevo esta passagem deslocada de toda a sua trama, e pior se transcrevesse o tiro dentro da boca do …
Quatro aforismos a partir de um diálogo com Lejânia Bello: ***** A folha verde é o viço da esperança, e no entanto ela seca.
******
É melhor chover no molhado do que viver na secura.
******
É melhor acertar com os radicais que errar com os maleáveis! ******* Só dois escritores me deixam no buraco:
Cioram e Schopenhauer!
Mas se não entramos no buraco
nunca saberemos como é a saída!
Ontem estivemos na festa do Robson Corrêa de Araújo, que abriu a sua exposição de fotografia na Livraria Cultura, que funciona na CasaPark. São fotos da Câmara dos Deputados, todas feitas com o olhar a partir do chão (piso). São ângulos limpos — se há a presença humana esta se insinua apenas através da sombra. E mais é mistério de quem vê, pois quem vê, sabe e conhece. E isso quem diz é o prêmio nobel Orhan Pamuk.

Um dia antes, fui ao cinema ver O labirinto do fauno, uma produção México/Espanha de Guilhermo del Toro. Eu fui acompanhado por Lídia Duarte ou por Juliana Garza.
Acabo de receber de Goiânia o covite para o lançamento, na terça-feira, 28, na Livraria Cultura de Goiânia, do livro do amigo Vassil Oliveira, que narra os bastidores das eleições de 2006 para o Governo de Goiás. O livro vem coroar a carreira jornalística de Vassil — que acabou por especializar-se em política. Somos amigos desde de antes de ele terminar o curso universitário. Este é seu segundo livro, pois já publicou um livro de contos, que tivemos a honra de apresentar. E sei de poesias e novelas aguardando o gatilho de futuras edições.
Eu também aguardava ansioso este lançamento, pois só assim o Vassil Oliveira poderá se debruçar sobre a apresentação de nosso livro Safra Quebrada.
Vassil, sei que o sucesso será grande!!! E que os compromissos não se esgotam!!!!!

José Santiago Naud para professor emérito da UnB

Endossamos — e sugerimos que entidades e autoridades formadoras de opinião no meio cultural de Brasília que assim também se pronunciem —, a indicação do professor e poeta José Santiago Naud para professor emérito da Universidade de Brasília. José Santiago integra a vanguarda dos pioneiros de Brasília e, por antigüidade, merece indicação, já que foi um dos fundadores daquela instituição. Damos por certa a sua indicação e acolhida.
Comparecemos, nesta semana, ao lançamento de "Dicionário de pequenas solidões", que contém dez contos do amigo Ronaldo Cagiano. O evento concorridíssimo aconteceu na livraria Café com Letras, na 203 Sul. Eu tinha previsto ficar uma meia hora, mas eram tantos amigos que só consigo sair duas horas após chegar ao local. Só com o amigo Antonio Miranda uma hora correu sem nem deixar rastro de enjôo.
O livro praticamente inaugura as atividades da editora Agualusa, que tem programa de edição de autores de língua portuguesa (entenda-se aqueles do Brasil, Portugal e países africanos). Dá pra ver, pela edição cuidadosissíma que a editora veio para competir e ficar. Sugiro apenas que eles tenham uma cautela na composição do preço de suas edições. Caso mantenham o mesmo parâmetro do "Dicionário de pequenas solidões" acabarão impedindo certas camadas da população de ter acesso aos seus livros. A fitinha saiu muito cara.
Os contos foram selecionados dos livros Concerto para arranh…
Nos últimos dias, assisti três filmes. Fui com amigos e familiares rever Paris Texas, de Wim Wenders. Assisti este filme pela tercerta vez, e sei que muitas outras vezes irei revê-lo. Aqui a música e a imagem se integram na deserticidade. Ry Cooder, que tocou com Eric Clepton, participa com a trilha sonora de outros filmes, inclusive auxiliou Wim Wenderes na produção de Buena Vista Social Club (este eu já devo ter visto umas dez vezes), também de Wim Wenders. Podem dizer o que quiserem, mas Wim Wenders tem uma sutil maneira road de andar pela vida. Medo e Obsessão, que também vi no fim de semana, e que se encontra em cartaz, trata da paranóia americana relativamente ao terrorismo. Mostra que a paranóia serve apenas para gerar mais paranóia, que, num crescendo, acaba gerando conflitos criminosos. E, ontem, fui ver Volver, de Almodovar. Não perco um Almodovar sequer. Com a transparência das taras, acaba mostrando os conflitos das relações humanas. Neste Volver ele está mais claro, mas a…
O artigo "Três vozes, um mesmo tom", de Hildeberto Barbosa Filho, que já foi publicado no caderno Pensar do Correio Braziliense, acaba de sair na revista Correio das Artes, editada na Paraiba resistenteente por Linaldo Guedes. O texto pode ser conferido na íntegra na revista virtual Cronópios (http://www.cronopios.com.br/site/critica.asp?id=1928).
Aqui um trecho:
"Mais colado ao visgo da existência, o lirismo de índole filosófica de Salomão Souza não descarta o apelo metalingüístico, quando ao final do poema da página 65, enuncia: “A lenha das palavras / acende a festa / na beira de meu pasto”. Antes, no mesmo texto, o poeta já dissera: “Não consigo sorrir se o homem / deixa de ser uma lenda / se o homem deixa de entrar / nos esconderijos do arco-íris / se é negada a festa da palavra / cheia dos olhos de Osíris / se há o logro da censura / e não chegam dizeres e vizires”. Observem-se em cada verso a carne e a plumagem das palavras. Intuição e razão não se excluem, complem…
Às vésperas do feriado fui ao concerto da Orquestra do Teatro Nacional. Num concerto nunca estamos sós. Tem a música, tem a pulsação do pública. E mesmo a possibilidade de conhecer pessoas com a mesma expressão humana da arte. Ali estava a Beatriz e seus pais, pela primeira vez numa audição de música erudita. Pura alegria, até mesmo quando adormeceu.
Mesmo com a substituição do programa, pois eu espero há mais de ano que a orquestra toque a 1ª Sinfonia do Mahler, que é um das primeiras músicas clássicas que inseri no meu repertório de preferência pessoal (nela está a energia da juventude), assisti todo o programa com muito prazer. Foi uma surpresa ouvir o Canto de Amor e Paz para orquestra de cordas, do brasileiro Claudio Santoro. É algo que nos corta com a serenidade da paz. De acordo com o musicólogo Vasco Mariz, à primeira obra dessa época, o Canto de Amor e da Paz, Santoro “imprimiu um tom lancinante, de uma sinceridade que impressiona já na primeira audição... É evidente que este…
A AMIZADE A AMIZADE A AMIZADE AMIZADE

Com o título e "Lagartas", talvez a propósito das lagartas que estão postadas aqui no blog, acabo de receber um e-mail de um poeta. Até desafio outras pessoas a me mandarem fotos de lagartas para serem postadas aqui. Mas que tenham sido fotografadas pelo remetente.

Vez por outra acredito realmente que sou poeta, sermos lidos, num país tão pouco lido, por tempos penso que é só a nossa teimosia mesmo, destas querelas de caboclo domesticado da cidade.
Edson Bueno de Camargo
Mauá - SP

Nunca me preocupei em ser lido, no instante em que escrevo. É um ato tão solitário, que não podemos imaginar nada no instante de escrever, mas em achar em nós mesmos algo que nem imaginávamos estar ali. Algo que outro vai ver e, por ter sido escrito por um humano, pensará que poderia ser amigo daquele ser humano que escrevia. Não terei sido um poeta se alguém não desejar me conhecer enqaunto estiver lendo. Eu queria ser amigo de todos aqueles que escreveram algo che…
Certamente motivada pela lagartinha miraculosa do Robson, a Nayara Vieira me mandou algumas fotos de flores, jaboticabas, e a lagartinha camuflada na casca de uma árvore. Uma lagartinha muito menos assustadora, quase um amuleto de sorte, assim um ente de estimação. Não deve ser da fazenda da vó, mas uma lagartinha que ela trata com pequenas gotas de perfume, e deixa passeando na táboa da cabeceira enquanto dorme.
Só aqueles que sabem ter intimidade com lagartas e flores são os que melhor respeitam a vida, são aqueles
que jamais serão egocêntricos.

Algo miraculoso

São vários os temas que eu poderia abordar aqui no blog, neste domingo, de um novembro que já nos desemboca no final do ano. Assim numa abordagem memorialística, assim o prolongamento de um diário irresponsável... Antes, relembrar os buracos aberto aqui em minha garagem, com mais de metro de fundura, para reorganização da rede de esgoto. Às vezes esquecenmos que somos personagens do mundo, com necessidade de encarar nossos esgotos pessoais. Nem tudo termina em livro, mas bem que poderia terminar. Ainda há pouco, com as mariposas invadindo a minha janela, à procura de luz, eu tentava construir um aforismo:

- Nenhum livro é tão ruim que não serva para matar mosca. (este é um pensamento bem à moda de Augusto Monterroso, que fez um livro com epígrafes que remetem sempre às moscas).

Passei a semana ultimando os arranjos finais para a conclusão do Safra Quebrada. A edição está garantida. O livro estará concluído — acredito — até meados de dezembro. Mas o lançamento só acontecerá lá para os i…

Jornal da Paraíba, resenha de Astier Basílio

Neste sábado, 28 de outubro, estou muito feliz. Sou padrinho do casamento de Gisele, minha sobrinha, e do Marcelo. Recebi a visita do poeta João Carlos Taveira, e passamos a tarde quase toda em conversas sobre a poesia contemporânea. E, para coroar o dia, saiu uma resenha no Jornal da Paraíba, de autoria do escritor Astier Basílio, sobre o meu livro Ruínas ao sol. Abaxo, a resenha. Uma travessia entre o inusitado e o estranho
. Astier Basílio Há poetas que apostam no pensamento, outros na fragmentação e no desmonte, por sua vez, há aqueles que investem na linguagem. É dessa família que pertence o goiano, radicado em Brasília, Salomão Sousa. Prova disso é seu livro Ruínas ao Sol (7 Letras, 86 págs., 2006). A obra foi a vencedora do Festival de Poesia de Goyaz, deste ano. Na linha encantatória e com apelos eloqüentes aos aspectos visuais e sensitivo feitos através do uso da metáfora, que comparece em sua estrutura visionária, repleta de estranhamentos e de associações pouco usuais, a poes…

Mercado Editorial

Temos de reconhecer: o mercado editorial brasileiro tem progredido! Tanto na oferta e escolha dos títulos, quanto no acabamento editorial.
A Editora Villa Rica (Itatiaia e Garnier) tem retornado ao mercado com seus títulos clássicos, bem como tem incluídos novas traduções ao seu catálogo. Estão lá, em roupagem nova, o Decamerão, do Boccácio; Os sertões, de Euclides da Cunha; Minha Formação, de Joaquim Nabuco; Fernando Pessoa, Machado de Assis, Olavo Bilac, até as poesias completas de Cassimiro de Abreu, e tantos outros. Inclusive as Conversações com Goethe, de Buckhardt. Hoje este livro anda esquecido, mas já fez escola memorialística. E nunca é tarde para lê-lo. A Villa Rica/Itatiaia/Garnier tem a sua forma de tratar o livro, que ele fica parecendo que ainda foi impresso a quente. E como são autores clássicos, as edições acabam ganhando um charme especial. Além de as edições ficarem mais baratas.
Entrou a Alfaguara no mercado, com alguns títulos (e em edições) charmosos. Nova traduçã…

As esculturas vivas de Anish Kapoor

Acredito que é assim o nirvana: estar com o corpo dentro de uma escultura viva de Anish Kapoor. Dentro do nirvana ou da expansão milagrosa do universo. Depois de visitar a exposição deste escultor indiano, naturalizado inglês, fica difícil até a volta à realidade, já que ela não será mais vista e vivida com as mesmas dimensões.

Quem comparecer ao CCBB até o fim do ano para ver as nove esculturas de Anish Kapoor ali em exposição, certamente sairá estupefato. A escultura Ascension, que dá nome à exposição, está num galpão construído especialmente para a sua instalação. Poucos minutos que passarmos ao lado daquele pequeno furacão serão suficientes para descobrimos que nosso corpo — até nosso hálito — interfere no movimento do mundo. E, ao sairmos daquele labirinto, passamos a andar mais cautelosos para não alterar a ordem das coisas à nossa volta.

Anish Kapoor (muitos dados sobre o artista podem ser conferidos em sites da internet) — todos hão de concordar após ver suas obras — desconcerta…

A AMIZADE NÃO ESTÁ SÓ NA VIA APIA

Quando me canso das leituras, sinto retornar aquela gana de andar solitário pela cidade. Quando é tempo de chuva ainda facilita mais. Atrai-me a cor escura que a cidade assume, parecendo que há uma realidade perdida no ar e outra querendo nascer da água.

Como me encontrava desiludido com a leitura de Minha Formação, de Joaquim Nabuco, na tarde desta sexta-feira, fui para o centro de Taguatinga — cidade satélite de Brasília, localidade que foi a minha primeira morada em Brasília.

Apesar de tratar-se de autor de leitura obrigatória de nossa formação cultural, já que contribuiu para a libertação dos escravos —, Joaquim Nabuco não deixa de contribuir para a perpetuação da idéia monárquica, para a perpetuação da idéia da hereditariedade como meio de acesso ao poder, e para a fixação de um espírito liberalizante para a consolidação de uma classe dominante, que é de onde ele veio e sempre ficou. E pior, pode contribuir para o desamor à nacionalidade.

Eu tinha de ir para a rua após ler uma frase…
A vida e a obra de Puchkin, o poeta russo, sempre me atraíram. Por dois motivos: é um poeta que sempre aparece intercalado na história dos demais escritores russos, já que é um dos fundadores da moderna literatura russa. E, depois, as circunstâncias de sua morte. Em duelo com o sedutor de Nathalie, sua mulher (não compensa morrer por uma dama tão bela — olha ela aí no desenho?). Há tempos comprei, e nunca assisti, a ópera Eugêne Oneguin, já que o poema épico de Puchkin só sairá em tradução para o português — pelo menos está previsto — agora em 2006. Dentro dessa curiosidade pela vida do grande poeta, estou lendo O botão de Puchkin, estudo sobre os últimos anos do poeta, visando esclarecer a sua morte, feito pela italiana Serena Vitale. O livro reflete boa pesquisa, bom ordenamento do material, e dá vivacidade aos fatos.
Não resisto. Transcrevo aqui o poema (vejam a ousadia dos versos finais, já que foi escrito numa época de total servilhismo ao csar):

À maneira de Pindemonte

De Alexander…

Entrevista ao ESTADO DE MINAS

Neste sábado, 14-10-2006. circula no caderno Pensar, do jornal Estado de Minas, a entrevista que concedi ao jornalista e escritor Carlos Herculano Lopes, que tive a grata oportunidade de conhecer junto com Ligia Fagundes Teles em encontro de escritores — anos atrás — no circuito das águas. A íntegra da entrevista:

1) Como você vê a evolução de sua poesia desde o primeiro livro, A moenda dos dias (1979), publicado há 25 anos, até hoje, com Ruínas ao Sol (2006)?
Salomão Sousa: Nasci em 1952. Os poetas que nasceram no período em que eram lançados Invenção de Orfeu (52) e Morte e vida severina (65) — livros que sintetizam as experiências dos diversos períodos da poesia brasileira —, terão de se ajustar a novas linguagens, se quiserem participar, de forma renovada, da modernidade poética. Morreram as vertentes da poesia marginal, da poesia processo e do concretismo, além da falsa poesia de protesto praticada na vigência do regime militar. O poeta que insistir nalguma dessas vertentes estará …
12-10-06. Terminei a leitura de Kyoto, e , ato seguido, de Mil Tsuros. Só para contrariar o meu ponto de vista anterior, em Mil Tsuros há algumas sutis mortes, inclusive algumas mortes subentendidas. Quem for ler Mil Tsuros é bom saber que "tsuros" são pássaros feitos em origami. E diz a lenda japonesa que, se forem feitos mil tsuros, em origami, a pessoa será feliz. E, na confecção de mil tsuros, em grupo, é obtida a harmonia. O livro se desenrola como o próprio ato de fazer os mil tsuros, pois as decisões vão sendo adiadas, mas até no adiamento a felicidade é alcançada. Sutilezas e mais sutilezas, como dissemos anteriomente. Moral: cada ato de nossa vida é um tsuro que acabamos de montar. E devemos estar preparados para que ele seja concluído com perfeição.
Mas é bom lembrar que, quem for começar a leitura de Kawabata, deve tomar primeiro A casa das belas adormecidas, que motivou Gabriel Garcia Marquez escrever Memórias de Minha Putas Tristes, seu último livro.
E já estou em…
De forma anônima, quanto a um tópico deste blog, recebi o seguinte questionamento, que considero ótimo, pois eu também me inquieto com a questão:

"O que é mais dificil para um poeta? Decidir finalizar uma poesia? ou se controlar para não se ver envolvido na reformulação dela?"

Não é só o poeta que se vê tentado, a cada leitura, a promover alterações na sua obra. São muitas as obras de ficção que sofreram alterações nas sucessivas edições em vida dos autores. Cite-se Os Sertões e Grande Sertão: Veredas. Veja-se o caso de estudo de Manauel Bandeira ou Ledo Ivo (estou em dúvidas neste momento sobre a autoria do artigo) sobre as alterações que Castro Alves fez no antológico poema Mocidade e Morte. Ainda ontem tomei conhecimento de uma edição definitiva do romance Pedro Páramo, de Ruan Rulfo, pois a família descobriu que, nos últimos anos, era desejo deste grandioso romancista mexicano fazer alterações em uns três ou quatro pequenos pontos desta obra capital do acervo da literatura…
De tanto o Robson insistir, improvisei dois minicontos e postei no desafio literário da Unisinos.
http://www.unisinos.br/desafio_literario/

A santa boa

Quem viajou menos, viajou três dias. Só para ficarem todos juntos com as escrófulas no tanque de água benta.

Rodoviária

A pasteleira e sua pequena filha ajeitam os pastéis em fila.

A MORTE DO CUBANO GUILLERMO CABRERA INFANTE

Lamentei não poder participar do féretro do cubano Guillermo Cabrera Infante, que, às 23h15 de 21 de fevereiro de 2005, no hospital Chelsea and Westminster, faleceu em Londres, onde vivia exilado, vítima de pneumonia, complicada pela diabete, após ter se internado dias antes em razão da fratura do quadril. Sempre que morre um dos meus escritores preferidos, tenho a sensação de que fiquei um pouco menor, assim com menos dias. São poucas as vezes que me sinto assim um pouco mais órfão. A última vez aconteceu com a morte do amigo José Godoy Garcia. Os grandes escritores me protegem da ignorância e da sensaboria da vida.

Nascido em Gibara (Cuba), em 22 de abril de 1929, Cabrera Infante é uma das figuras de maior destaque da intelectualidade latino-americana. Formado em Medicina, que abandonou pela Literatura. Formou-se em seguida em jornalismo e, ao praticá-lo, chegou à sua outra grande paixão – o cinema. Em 1951, fundou a Cinemateca Cubana.

Chegou a estar preso na campa…
Continuo a minha leitura da obra de Yasunari Kawabata, Prêmio Nobel de 1968, que suicidou em 1972. Difícil compreender o suicídio de um escritor que expôs com tanta ternura as sutilezas dos gestos humanos. Estamos nos desabituando a ver na arte a vida enquanto vida. E os japoneses são mestres nestas sutilezas, basta ver os filmes Ozu. Os personagens de Ozu, em seus conflitos internos, não precisam dar tiro, esfaquear. Não me lembro de nenhuma morte nos filmes de Ozu. Os seus personagens são criados para viver.
No discurso de recebimento do Prêmio Nobel, o poeta Salvatore Quasimodo disse que o político quer que os homens saibam morrer corajosamente, enquanto poetas querem que os homens vivam corajosamente. Kyoto, romance de Kawabata, recentemente lançado pela editora Estação Liberdade, é um hino de amor à cidade que dá título ao livro. E um hino de amor à vida, de uma vida vivida corajosamente. Leio cada frase com a emoção à flor da pele. Leio cada livro de Kawabata com o desejo de ele …

Reformulei um poema que está postado abaixo. Será que melhorou?

Estive com convivas nas esquinas
Gafanhotos agarrados às folhas de milho
e homens disputavam decisões do destino
Estive nas estradas de Muquém
aquém de mim viviam os milagres

De Anicuns trago novos bordados
serragem, serradões trago das trilhas
e nas roupas desmanchadas gotas de orvalho
Aprendi novas fisgadas em Aruanã
Trago o brilho das fiadas de peixes
Outros trajetos de nuvens
jeitos de ver a nudez, luzir as louças
Outras descidas aos poços das barras
As caixetas feitas com zelo
pus no bornal em Santa Luzia

Vamos fazer greves nas esquinas
Vamos às barras colher embiras
Sangrei em todas as trilheiras
Volto de Anicuns, de Palmira
das cheias altas, das estivas
De Floripa vêm ripas de gelo
De Palmelo, a loucura nos cabelos
Com desertos da morte eu estive
larvas brancas, esconderijos de sal

Domingo lento

É um domingo branco, que foi lavado pela forte chuva da véspera. Sobre o branco do papel, a visita de uma formiga, destas que crescem sob as cascas da madeira. Quantas vi na infância fugir enquanto a lenha se queimava na fornalha, assustadas, sem rumo, pela perda da moradia.

Ela circula, desce, se perde entre os livros. Da vizinhança, não só as vozes festivas, também chega o batuque de um pandeiro.

Terminou o disco de Andrew Hill, de competência para os arranjos de seus discos jazzísticos e para as perfomances ao piano. A formiga retorna e fica em dúvida quanto ao destino.

Leio Salvatore Quasimodo. Quem não esteve perdido numa ilha? Num livro, numa folha em branco? Já não teve a vontade de partir? Traduzo o poema O Alto Veleiro só porque contém a palavra "limoeiros", pois é minha intenção, num futuro distante, organizar uma antologia só com poemas que tragam as palavras "limões" e "limoeiros". E será dedicado à Mara Puljiz, que vi crescer entre limões. Sã…
Mandei hoje a nota abaixo para os amigos do orkut. Poderia ter acrescentado que foi publicada crônica minha no jornal A VOZ, de Silvânia GO). A crônica é a propósito do aniversário de Silvânia, minha cidade, no último dia 5 de outubro. Nossos abraços afetuosos para o André Leones, que, ne mesma edição do jornal, noticia o lançamento do Ruínas ao Sol e outros parangolés afetuosos (pode ser vista no seguinte endereço: http://canissapiens.blogspot.com/, blog deste novo escritor goiano, de legítima genética silvaniense, recentemente premiado).
O jornal A VOZ pode ser conferido no seguinte endereço: http://www.aprendizadomarista.com.br/jornal_a_voz.htm
A nossa crônica saiu na 46ª edição, que ainda aguarda postagem.

Recebi de Natal (RN) o n° 32 da revista Papangu, com artigo do poeta Lívio Oliveira sobre a nossa obra poética, principalmente sobre o livro Ruínas ao sol. Junto com a revista, o poeta me mandou o seu livro Telha Crua.E, neste domingo, 8, em Goiânia, no Jornal Opção, foi publicada …

Poema novo para os convivas

E se ela viesse a nau dos dias iria ancorar
em ondas de homens em carne viva
Ah! se cumprisse a visita numa noite
estopas, taipas mortas se acenderiam
Muitos mortos aguardam de olhos vivos
E se ela viesse viriam fadas, falas, cavalarias
viriam virtudes que antes se emudeciam
Fazem carnaval os poetas, as madeiras,
as montanhas aprontaram os ouvidos,
os leitos secos dizem que estão limpos
Ah! se ela viesse viriam as chuvas
os mastros das bandeiras, os convivas
Viriam as vozes, viriam as águas-vivas
Não era ela vir com a vivacidade da manhã
Às vezes a rosa é rosa por não vir

Lista com sugestões de leitura preparada junto Alaor Barbosa e Napoleão Valadares

Durante a viagem de volta de Bom Despacho, eu e Napoleão Valadares e Alaor Barbosa elaboramos uma relação de livros que sirvam de formação de leitores entre 10 e 15 anos. Tentamos a elaboração de outras listas, mas o debate da obras de Guimarães Rosa, Bernardo Élis e José Godoy Garcia acabou se sobrepondo aos demais assuntos.

Quanto à lista de livros para a formação do gosto pela leitura, o Alaor deu preferência a quatro livros de Monteiro Lobato: Reinações de Narizinho, Chave do Tamanho, O Saci e A Caçada de Pedrinho.
Os demais livros de nossa lista: Encontro marcado, de Fernando Sabino; O braço direito, de Marcos Rey; A Ateneu, de Raul Pompéia; Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos; O cego de Ipanema, de Paulo Mendes Campos; Ai de ti, Copacabana!, de Rubem Braga; Menino de engenho, de José Lins do Rego; Iracema, de José de Alencar; A hora da estrela, de Clarice Lispector; Uma vida em segredo, de Autran Dourado; Introdução à poesia brasileira, que contém antologia organi…

VIAGEM COM GUIMARÃES ROSA A BOM DESPACHO

Riquíssima a nossa viagem a Bom Despacho, em Minas Gerais, para participar da VI Feira do Livro daquela cidade, a convite do escritor Jacinto Guerra, organizador do evento e construtor do desenvolvimento cultural daquela região. Visitamos o patrimônio histórico-cultural, participamos de debates, de oficina literária, de lançamentos; e, no retorno a Brasília, pude conhecer, em conversa com os escritores Alaor Barbosa e Napoleão Valadares, que são especialista em João Guimarães Rosa, peculiaridades da gênese do romance Grande Sertão: Veredas.

Ficamos instalados no SESC, onde foram realizados todos os eventos da VI Feira do Livro de Bom Despacho e Cidades Vizinhas, exceto a feira do livro e as conversas com escritores na Praça da Matriz. Na abertura do evento, debate sobre as origens históricas da criação do município de Bom Despacho, com destaque para o depoimento de Orlando Ferreira de Freitas, historiador e genealogista, autor do livro Raízes de Bom Despacho. Além da palestra de Alaor …
Passarei três dias em Bom Despacho (MG), numa feira cultural, a convite do escritor Jacinto Guerra. Participarei de uma mesa de debates de literatura. Retornarei da viagem com os escritores Alaor Barbosa e Napoleão Valadares. Nas horas de repouso, estarei estudando o processo poético com Antônio Cândido, através do livro "O estudo analítico do poema", da editora Humanitas.
Enquanto isso, deixo para os amigos o meu último poema:

Estive com gafanhotos das esquinas
eram de luzes nas folhas de prata
homens disputavam
as decisões do destino

De Anicuns trago novos bordados
e de trilhas da serra
nas roupas gotas de orvalho
Aprendi a fisgar em Aruanã
trago o brilho das fiadas de peixes
Outros trajetos de nuvens
Outros jeitos de ver a nudez
de achar poços nas barras
A caixeta feita com zelo
pus no bornal, em Santa Luzia
Em Palmelo a loucura nos cabelos
De Floripa vêm ripas de gelo
Com feixes de fogo eu estive
braças de bem, esconderijos de sal

Estive nos milagres de Muquém
em esquinas de greves
em dis…

A ARTE DA CALHORDICE

Desde o fracasso dos regimes socialistas, foi decaindo a importância do envolvimento social da obra de arte. E essa tendência mais recrudesceu com o sucesso dos movimentos de vanguarda. Passou-se a preocupar mais com a liberdade individual, que cresceu tanto que passou a prevalecer sobre a ética coletiva.

Não pregamos o policiamento da arte, mas o questionamento das vozes em que é feita a obra de arte. Dependendo da voz em que ela é composta, acaba servindo a interesses prejudiciais à formação do indivíduo e à pratica da sociabilidade. Ainda recentemente ouvi um texto que usa a voz de um elemento criminoso para desancar a paz. É preocupante, pois o texto serve à apologia da violência àquele que não está inserido no ordenamento da paz, pois o texto não apresenta um contraditório a esta voz que prega a apologia violenta.

Outro susto dentro de minha casa. Dois artistas de ampla aceitação popular apareciam na tela da televisão, com rostos esborrachados, transpirando a bebida e cantando uma …

Especial para A VOZ, jornal de Silvânia

A Terra do Coração

Nasci à beira do rio Calvo. A fazenda de meu avô nem chegava a ter nome. Chamavam-na de Fazendinha. E só agora, quando convidado pela A Voz a falar sobre o 325º aniversário de Silvânia, comemorado em 5 de outubro, foi que me preocupei com o nome do lugar em que nasci. Ainda no Festival de Poesia de Goiás — depois de eu dizer no recebimento do Prêmio Goyaz de Poesia pelo livro Ruínas ao Sol que nasci às margens do rio Calvo — o poeta Gilberto Mendonça Teles ainda brincou comigo, alegando que eu não podia ter nascido perto de um rio, “pois Silvânia não tem rio”.
Saí de Silvânia há 35 anos, portanto só posso abordá-la com o olhar da juventude. E, se de juventude, olhar de inocência. Não é à toa que as minhas primeiras matérias jornalísticas foram publicadas em Silvânia com a afoiteza de um crítico ainda em formação. Nunca me arrependi daqueles comentários, pois eles contribuíram para atitudes administrativas à época —, mas hoje a minha abordagem se daria com maior leveza…
Gosto dos poetas trágicos e objetivos, que enxugam o texto de todo percurso desnecessário. Assim é com a obra do grego K. Kaváfis, que têm toda a sua obra canônica editada agora no Brasil pela editora Odisseus, em tradução também objetiva de Ísis Borges B. da Fonseca. São 154 poemas de toda uma vida. Ou de muitas vidas, se vão se inserindo em outras vidas, basta ver a minha, que não é a mesma vida depois de ter contato com eles.

O meu contato com Kaváfis vem de bem antes. Desde que conheci o poema 14. Esperando os Bárbaros, que é conhecido em quase todas as línguas e por quase todos os homens, principalmente os poetas.

Mas tudo que eu disser será inútil. Já que o poemas podem dizer tudo por eles mesmos. Quem não treme diante desse poema de Kaváfis:


23. A CIDADE


Disseste: "Irei à outra terra, irei a outro mar.
Uma outra cidade há de achar-se melhor que esta.
Cada esforço meu é uma condenação fatal;
e está no meu coração — como morto — enterrado.
Meu espírito até quando ficará neste marasm…
Assim como fiz uma lista de livros preferidos, faço também a lista dos meus 10, que seriam 100 discos de música brasileira preferidos. É claro que ficam faltando Baden Powell, Nara Leão... Não posso colocar em ordem númerica, pois seria injusto com qualquer um deles. Se você não tem pelo menos 5 discos destes em casa a sua casa, me pedoe, está muito vazia:

@) Falso Brilhante, de Elis Regina, com músicas de Belchior. Mas e a Elis do "Bêbado e Equilibrista", e da parceria com Tom...
@ Construção, de Chico Buarque, que reconstrói o cotidiano de Noel Rosa. Mas e os três primeiros discos, e os do meio da carreira, oh meus caros amigos: tenham Chico inteiro.
@)Elizethíssima, de Elizeth Cardoso, pela perfeição da interpretação
@)Muito, de Caetano Veloso, pela maturidade da sonoridade brasileira
@)Alucinação, de Belchior
@)Travessia, de Milson Nascimento (a descentralização da música brasileira)
@)Foi um rio que passou na minha vida (1970), de Paulinho da Viola
@) Gente da Antiga (1970), …

A carta entregue na velhice

Quando li a trilogia da crucificação encarnada, de Henry Miller, fui atraído para a obra de Knut Hamsum. Principalmente para o romance Um vagabundo toca em surdina (há edição nova pela Itatiaia), que tem uma poeticidade extraordinária, e que influenciou não só Sexus, Plexus, e Nexus, mas quase a totalidade de obra de Henry Miller. Antes, tinha lido Fome, na bela tradução da coleção Nobel, por Carlos Drummond de Andrade. Hoje, ao pegar o livro, saltou na minha frente este parágrafo:

"Quando chega a velhice, deixamos de viver o presente e passamos a viver de recordações. Chegamos como uma carta ao seu destino; deixamos de ter caminho a percorrer. Resta-nos, unicamente, saber se a nossa passagem pelo mundo desencadeou turbilhões de penas e alegrias, ou se a nossa vida nos deixou uma única sensação."

Tenho medo de já estar ficando velho, pois a todo instante alguma sensação do passado quer sobrepujar sobre os turbilhões que preciso viver no presente.
Talvez ainda não esteja tão v…

Eu, Fernando Mendes Viana e o coração

E Fernando Mendes Vianna enaltecerá sempre o coração:

CANÇÃO DO CORAÇÃO

Coração, cavalo verde
Com espumas, vento e mar.
Coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.

De esmeralda, este cavalo
me conduz até o gral.
Meu destino é galopá-lo
e desvendar o animal.

Ó cavalo da esperança,
que ânsias na sua crina!
Que importa se ele me cansa:
galopá-lo é minha sina.

Coração, cavalo verde
com espumas, vento e mar,
coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.

Pequena lembrança de Fernandes Mendes Vianna

Se eu e Ronaldo Costa Fernandes soubéssemos que não mais teríamos oportunidade de voltar a encontrá-lo, não ficaríamos ali estáticos na Livraria Cultura, no sábado que antecedeu ao seu falecimento, fazendo promessas de marcar encontro com o amigo Fernando Mendes Vianna.

Antes, em 4 de setembro, ao ir à Feira do Livro de Brasília para o lançamento do livro Meninos, eu li, de Alan Viggiano, ele me abraçou com o afeto dos grandes poetas.

No dia seguinte, à noite, ele telefonou para a minha casa para expressar a satisfação de ter conhecido a poesia do meu livro Ruínas ao sol, que Tânia, carinhosamente, tinha lido para ele, já que nos últimos tempos padecia do agravamento da deficiência visual. Fez questão de dizer, no entanto, que o problema não o estava afetando, pois aproveitava para ter outras experiências com a vida. Falou uns vinte minutos. Foram os minutos mais elogiosos que a minha poesia já mereceu. E estes minutos mais se prolongaram, pois, em seguida, ligou para Ronaldo Costa Fern…

Lançamento do livro Ruínas ao Sol

Agradeço a todos que estiveram na Feira do Livro de Brasília para o lançamento do meu livro Ruínas ao Sol, ou que contribuiram na viabilização do livro e na divulgação do evento.
Ainda recentemente, num café com o poeta e romancista Ronaldo Costa Fernandes — amigo especial que está de aniversário —, ele me dizia que se existir um leitor numa cidade, as autoridades dessa cidade tem a obrigação de manter uma biblioteca.
Eu também posso dizer que, enquanto tiver "um" leitor amigo que nos incentive e nos faça companhia na festa de um livro, ainda compensa continuar escrevendo poesia —, ainda tenho a obrigação de continuar buscando novos caminhos para a linguagem poética.
A poesia não tem compromisso só com a emoção, ou com a comunicabilidade imediata com os leitores. Assim como as ruas e as casas precisam dos jardins e de novas mãos de tinta, a língua precisa da tintura da poesia para ampliar as suas vestimentas de beleza. Manoel de Barros diz que a poesia é como a minhoca que dá…