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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014
Poema para quem tem filho para sentar nos joelhos e deseja deixar o legado de algum sentido Há menos sentido no capítulo 73 de Rayuela do que naquele que tem moedas só para um café Há mais sentido na música no ouvido do que em poder pagar pelo lanche num balcão de rodoviária/e em assistir aquele que não tem as moedas completas para pedir um copo de refresco de máquina Há mais sentido na leitura da Rosângela do texto sofisticado na linha do tempo /ela mesma! que tem parentesco com Antonio Vieira e que chupou limas aromáticas sentada nos joelhos dos pais em Minas/  do que a daquele que não levará o filho ao balcão da rodoviária para leitura da estratificação social e nem irá sentar o filho nos joelhos para lerem juntos o capítulo 73 de Cortázar Talvez só vá sentar o pequeno filho ao volante e explicar que o país deveria ter mais quilômetros de asfalto e a família poderia ter mais horas de voo  e não fará a leitura sobre a redução das gramíneas para as sementes de alimentação dos pássar…
As nuvens invadem o céu da cidade
sem o engano da máscara e esplêndidas gritam pelas mãos que afaguem o corpóreo de nácar Vieram de pintar vermelho em Alhambra de animar empórios e de deixar desejos  Elas que são das ordens flexíveis sabem pedir rumo ao vento e a carícia de cor ao sol Não ruem alambrados Não deixam a inveja beijar os ombros Nada se desconsola ou prepara desmoronamento para arrojar conduções e homens ao solo As nuvens se apresentam pétreas sem parar o trânsito ou mudar as rotas/palpáveis de nácar Aos distraídos e inválidos de olhar talvez ocupados com a avalanche com a trituração e o gás  ou apenas perdidos na madrugada as nuvens hão de retornar  de alguma iluminada Sevilha onde brilham em tons de terra no palácio Real de Alcázar E se são inúteis estas divagações possa alguém se conformar  com palavras escravas do roto /Atravessem os homens a cidade
o tempo me contamina/me retalha
retalhos/superposições de falhas nuvens carregadas de insolência de partir sem distribuir sua água  onde estão as tábuas da memória com os registros de Shakespeare? começa a ruir o esquecimento a substancia/a coerência do poema do discurso no simpósio da violência  na linha do tempo/se insossas as chuvas/se ressecadas as sementes se a paternidade regada a álcool  se a civilidade proclamada em figas retalhos/superposições de talhes empréstimos de nádegas/de colos à coloração obtida na máquina talhes engrossados com suprimentos shorts rasgados/narinas alargadas o tempo presente sem guerra para lanhar os braços/inserir nos olhos os estilhaços senta-te ao volante e mira teu poste se buscas tua guerra/teu estilhaço colham teus pais os retalhos para depositar sob o campo de urtigas retalhos/superposições de calhas quanto mais alta mais sobrecarrega  as que vivem mais em baixo Quixote/o primeiro egocêntrico  se achava que era o que pode cada um defende seu moin…

Juan Ramón Jiménez

Para encerrar o fim de semana, fiz a tradução de mais um poema de Juan Ramón Jiménez. Estas traduções servem para me aproximar da poética deste grande poeta espanhol. Seus poemas são íntimos da vida e da natureza. Por isso, muito difícil entrar na sutileza de suas imagens. E difícil manter as suas rimas, por isso as raras traduções de seus poemas por aqui. E a preferência por Pedro Salinas e Lorca. O poema é do livro "Ruína":
Quem não tem um tesouro de nostalgia, de vida,  de ilusão? Oh, este campo, esta humilde ribeira, abertos à tarde suave e de luz acendida, dourados de românticos sóis de primavera!
Em todos os lugares vibra um coração latente a oferecer o bom fruto e o esplendor eterno; este não é mais que o ocaso dolente e a ultralegria dos céus de inverno.
São as mesmas estampas. O distante horizonte nunca se acaba... E há, de luz um fiozinho, um fantástico monte, para cada destino uma rosa de ouro ao retomar o caminho.