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Mostrando postagens de Maio, 2008
À noite, a cidade, ainda que continue guardando todo seu potencial de sujeira, apresenta um colorido mais limpo. Mesmo que os carros estejam todos ali, amontoados e também absorvendo o frio em suas chapas, o silêncio — ainda que um taxi apareça para apanhar o velho que chegaremos a ser — parece uma brecha instantânea de possibilidade de diálogo.
Estive no lançamento de um livro de poemas. Ontem à noite. Um livro de poemas ou um livro de nada, de letras, de manchas de silêncio. Alegra-me estes escritores que confiam nos seus livros como se fossem as suas brechas de diálogo, já que seus livros nascem tão inúteis. Tenho dó das palavras que estão nestes livros, já que usaram tão bem a vida dos autores e os autores deram-lhes vida tão precária. As palavras também querem a sua glória.
Enquanto aguardava na porta do hotel, com o pouco silêncio rondando a portaria onde estávamos sentados, li um poema de Ronaldo Costa Fernandes para um garoto e seus pais. Era a minha maneira de esquivar-me de u…