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Mostrando postagens de 2007
Com muita generosidade, nesta quarta-feira (12.12.07), na reunião Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, o deputado Tarcísio Zimmermann leu um poema de nosso livro Safra quebrada. O áudio pode ser ouvido no site da comissão, basta marcar os pequenos quadrados que aparecem ao lado dos nomes dos deputados Tarcísio Zimmermann e Roberto Santiago, e clicar para reproduzir. (Comissão de Trabalho).

No mês passado, o blog do Noblat também trouxe um poema do livro Safra quebrada como “poema da noite”. Conferir no link: Noblat.

Assinalo com carinho que a deputada MANUELA D'AVILA nos disse que tem lido nossos poemas nos intervalos de sua atividade parlamentar.
Tardiamente, deixo aqui algumas fotos da homenagem que prestamos ao poeta José Godoy Garcia na Biblioteca Nacional de Brasília.
Agradeço ao Robson Correa de Araújo a gentileza de fotografar o evento.
Não tenho como nominar todos. Muito Obrigado.
Os jovens que me ajudaram na leitura dos poemas:
Gogá, Marina Godoy, Pedro Jr., e a linda Juliana Godoy!
Agradeço ao Antonio Miranda (E) o convite e a hospitalidade,
e ao poeta Sérgio Muylaert (D), amigo que andava muito sumido,
a interferência opotuníssima.
Não te sentirás um ramo murcho
se junto às presenças tu respiras
Talvez até te indagues
pelas agitações quando conquistas
Pois honrado fostes desde o primeiro dia

Depois respiras com quem respira
Acendes na pira onde chama o fogo
e muitos gritos são teus convivas
Cuidas sempre de dedilhar a lira
O castelo não é para o desvario

Emerges quando algo se afoga
Dás algo de aurora, algo de folga
se os dias moem e moem contínuos
E buscarás outro pouco de pétala
se emurchece a rosa do primeiro dia

Há o primeiro dia de cardume
e a honradez perfumada dentro dos ossos
Para que não falte ar aos limões
e o cálice de estrume não falte às rosas —
contínuos há os dias de lutares

@ Salomão Sousa
Veja o release do tributo ao Godoy.
A edição do Opção Cultural, editado pelo poeta Carlos Willian, em homenagem ao poeta José Godoy Garcia já pode ser conferida no endereço: www.jornalopcao.com.br e entrar no link Opção Cultura. Lá você vai encontrar o meu artigo, o do Alaor Barbosa, o do Brasígóis Felício, o do João Carlos Taveira e o de Juliana Godoy, neta do Godoy. E está confirmadíssimo o tributo ao Godoy Garcia, na Biblioteca Nacional de Brasília, nesta quinta-feira, 29, às 19.

Quero registrar aqui um texto que escrevi no Chuço, zine cultural que editei tempos atrás:


No livro Romance da Nuvem Pássaro, editado pela Casa José de Alencar, Francisco Carvalho dedica a mim o poema Corvos. Eu jamais poderia retribuir com o sarcasmo da palmatória ou com a ponta afiada do Chuço o gesto da amizade e da consolidada capacidade criativa. Vejamos o poema saureano de sua autoria:

Corvos

Para Salomão Sousa

Cria corvos, que os abutres
são sósias de homens ilustres.

À sombra da noite súbita
bebem o sangue da República.

Cria corvos com seus p…
Dia 29, às 19h, a convite do poeta Antonio Miranda, prestaremos tributo ao poeta José Godoy Garcia na Biblioteca Nacional de Brasília, que fica ao lado da rodoviária do Plano Piloto.

A convite de Euler Belém, preparamos material para edição especial do Opção Cultural, de Goiânia, editado pelo poeta Carlos Willian, para distribuição no dia do evento. Escreveram para edição Especial os escritores João Carlos Taveira, Alaor Barbosa, Brasigóis Felício, e a garota Juliana Godoy (neta do poeta homenageado). Como o Godoy é de Jataí, Goiás quer estar presente na homenagem.
Para a leitura dos poemas que ilustrarão nossa palestra, participação as jovens Juliana Godoy, Marina Godoy e Luana Oliveira. A homenagem ao José Godoy Garcia contará com a presença honrosa de Maria Rochael Garcia, esposa do homenageado.
O evento integra a série de homenagens a ilustres poetas brasileiros que a Biblioteca Nacional de Brasília vem promovendo desde o início do ano. Já foram prestadas homenagens a João Cabral d…
Na terça-feira, 13 de novembro de 2007, às 19 horas, no Café com Letras (203 Sul - Brasília), o amigo Francisco Kaq lança seu quinto livro de poesias. Editado pela editora Casa das Musas, DIZ, como informa o autor no realese de divulgação do lançamento, ainda tem predomínio do verso curto e do quase-verso, herança da poesia concreta. Estaremos lá para ver a ironia pós-c0ncreta.
Tardiamente, registro aqui— com orgulho — o poema do meu amigo Lívio Oliveira, de Natal (RN). O poema foi lido na sessão plenário do Senado Federal — em Sessão Solene — de homenagem a Che Guevara, quando se comemora os 40 anos da morte desse herói revolucionário. Lívio, ainda ouviremos muito jazz, ainda acreditaremos muito nos movimentos que trazem as mudanças. E nos livros de poesia, às vezes cor de telha — que são a casa da alegria.


POEMA DA LIBERDADE

Livio Oliveira

Declaro, em mim,
e aos ventos e mares de Cuba,
toda a liberdade.
E o homem livre já vive o céu.
Aqui, na terra, o homem verdadeiramente livre
desenha os contornos de um céu
azul como o da Áfricaou dos sertões do Brasil.


Meu grito libertário já chegou à floresta da Bolívia
e, ao contrário do que pensam alguns,
não cessou.
Meu punho está firme,
pronto e rijo.
Já penso no próximo combate.

Travarei esse combate entre as palavras
e a ignorância.
Travarei esse novo combate entre o pão
e a fome.
Travarei esse velho combate entre a luz
e a obscurid…
Agora é definitivo.
Dia 29, às 19h, a convite do poeta Antonio Miranda, faremos uma homenagem ao poeta José Godoy Garcia na Biblioteca Nacional de Brasília, que fica ao lado da rodoviária do Plano Piloto. Paralelamente, estamos coordenando o material para uma edição especial do Opção Cultural, de Goiânia, editado pelo poeta Carlos Willians e por Euler Belém, para distribuição no dia do evento. Como o Godoy é de Jataí, Goiás quer estar presente na homenagem. Já confirmaram que escreverão matérias sobre José Godoy Garcia para a edição especial: Alaor Barbosa, Antonio Carlos Scartezini, João Carlos Taveira, Brasigóis Felício, e Juliana Godoy (neta do poeta homenageado). Para a leitura dos poemas que ilustrarão nossa palestra, estamos contando com a participação das garotas Juliana Godoy, Luana Oliveira (que está quase confirmando a participação junto com o Augusto).

Como sempre acordei muito cedo neste dia de Finados. Deixei rodando um DVD de Bob Dylan. E, ao ler o poema "Irmão&quo…

Minha visita à Academia Piracanjubense de Letras e Artes

Na foto: Herondes Cézar, Francisca, Lídia Arantes Borges e Salomão Sousa

Numa solenidade que ficará gravada eternamente nas minhas memórias especiais, a Academia Piracanjubense de Letras e Artes, por proposta do amigo Herondes Cézar, recebeu-nos no último dia 26 de outubro para um debate sobre a importância da literatura e de outras manifestações culturais para maior integração do jovem no processo social.

Ao evento compareceram muitos professores e acadêmicos. Pela leitura das atas das sessões anteriores, pudemos notar que a Academia Piracanjubense promove debates vivos e oportunos, e cabe elogiar a sede acolhedora. Com instalação da galeria dos patronos e respectivos ocupantes das cadeiras, a sede ainda ganhará maior brilho. Nossos parabéns ao presidente da academia, José Divino Alves, e a todos os demais membros!

No debate, destacamos a necessidade de os municípios desenvolverem projetos de inserção cultural da juventude para afastá-los, sobretudo, do alcoolismo, com indicativos de re…

REORGANIZAÇÃO DO PROCESSO CULTURAL

Texto que escrevi especialmente para a próxima edição do jornal "A VOZ", de Silvânia (GO):

Estive em Silvânia a convite do PALAS para fazer palestra no Omelete Cultural. Fábio Coutinho, grande amigo daqui de Brasília — advogado, intelectual conceituado, membro de entidades culturais da Capital, descendente da família de Afrânio Coutinho — a meu convite e do PALAS, também compareceu à cidade preparadíssimo para palestrar (graciosamente) no mesmo evento. Ele saiu de Brasília de manhãzinha somente para apresentar o oportuníssimo tema “Constituição e cidania”.

Em que pese a divulgação através de convites individuais, da convocação dos estudantes e professores, e de debates no Giro da notícia, as palestras foram canceladas por total ausência de público. Excetuando os membros do PALAS, não compareceu sequer “um” ouvinte para recepcionar os pales-trantes convidados.

Com a suspensão da palestra, passei toda a manhã do domingo na frente da UEG, e, enquanto as crianças participavam das a…

Quase poema

Bambus da mata do Ginásio Anchieta, em Silvânia.
E amanhã lá estarei







Talvez só com pés para pairar
sobre a presença em que respiras
Talvez por isso indagues
por ruídos bem antes esquecidos
Aí amastes no primeiro dia

Depois só a conspiração
Não deixar que virasse só reparos
Apagar se muito fogo estalava
Se muitos gritos assumiam a farsa
cuidavas de vir o repouso às alas
O castelo não é só do desvario

Não permitir só primavera só solstício
Afundar-se quando algo se afoga
Dar os instante de folga
se a roda mói e mói contínua
E acharás outro pouco de rosa
se emurchece a rosa do primeiro dia

Há o primeiro dia de cardume
e languidez perfumada sobre os ossos
Para que não falte ar aos limões e às rosas
há depois os demais dias de lutares
Ainda que ao desamparo dos rijos esteios
e os tesouros esquecidos dos guias
e — sangrentas — as palmas arquejem
Visitarei

Não destruí as muradas da sorte
Erguem-se para desvio
dos inimigos que possam
trazer as fáceis algemas
Visitarei

Deixei os cântaros da água pro vinho
Enchi de gemas e pedrarias
as paredes amigas do tempo
Harpejos ao visitante nos anúncios da areia
Visitarei

Sempre os arranjos de uma viagem
com arreios de jaez invejável
Contarás onde esquentastes as veias
onde ciúmes deixavas
Visitarei

Ainda que eu chegue com as secas castanhas
e no butim só as façanhas do mofo
Contarás o quanto querias
os pulsos inteiros
Para as festas onde erguestes os salões
Onde achastes os guerreiros
Visitarei
Estou com um pequeno livro da Emily Dickinson
editado pela L&PM, em em tradução de Ivo Bender.
Gostei muito da seleção dos poemas
ou mesmo da leveza que ele deu aos textos.
Muitos querem atravessar uma dificuldade
que Emily Dickson não tem.
Mesmo assim ainda introduzi,
com a minha experiência campestre,
umas quatro alterações
para que a leveza ainda mais se manifestasse.


Bem pouco a fazer tem o pasto;
Reino de simples verde,
Só com borboletas para criar,
E abelhas para entreter –

E ondular o dia inteiro aos tons
Que a brisa consigo arrasta;
Cumprimentar a todas as coisas
E embalar, ao colo, a luz do sol –

Fazer com orvalho, à noite,
Colares de pérolas com tal fineza,
Que uma fidalga não saberia
Perceber que não é falso –

E acabar-se — ao atravessar
Por entre odores divinos –
De especiarias adormecidas –
Ou de nardos, agonizantes –

Enfim, quedar-se em nobres celeiros –
E, em sonho, passar os Dias;
Bem pouco a fazer tem o pasto,
Feno eu quisera ser

Uma horas dessas eu termino esse poema

Há os que amam entre muitos
que atravessam toda a lama
O corpo em sessões de prazer
Cintila aromas de crostas secas
e ruibarbos de saúde inflamados

Há os que uivam
aos que não foram devassos
Perdidos que estavam
com as jornadas de Mecas
Em turnos perdidos
em horas de curvas e curvas

Lá estão, lassos lassos,
os que amam com as trapaças
E eu que não fui um dos 300
se me sedavam os arames
das horas curvas das horas curvas
Eu estava pesquisando a história do grupo Weather Report, e bato de testa com a notícia da morte de Joe Zawinul ocorrida a quase um mês, em 11 de setembro. Passou tão desapercebida que não posso deixar de registrar aqui a morte desse jazzista que tanto prazer me dá com seus discos pessoais, com aqueles que gravou com o seu grupo Weather Report e mesmo com a participação em discos de Miles Davis, principalmente nos antológicos In a Silent a Way (que leva o título de uma música de sua autoria) e Bitches Brew. Ele é destas personalidades que surgem para mudar os tempos.
Aproveito aqui o texto de uma agência de notícias, da qual discordo apenas no que diz respeito à origem do jazz fusion. Para mim, o início se deu com In a silent way e não com Bitches Brew. E estes dois discos serviriam de base para tudo que o Weather Report, os grupos de Herbie Hancock e outros "funk" viriam a fazer depois.
VIENA - Morreu aos 75 anos, em Viena, Áustria, o tecladista de jazz Joe Zawinul, fundador…
A convite da Academia Piracanjubense de Letras e Artes, irei ainda neste mês, com o Herondes Cézar e Robson Corrêa de Araújo, a Piracanjuba (GO) para diálogo com os membros da entidade, às 20 horas do dia 26. A academia é dirigida por José Divino Alves. Eu e José Godoy Garcia estivemos a alguns anos atrás em Piracanjuba, numa visita de funda saudade que foi ciceroneada pelo piracanjubense Herondes Cézar.
Com estas primeiras chuvas, prenuncia-se uma viagem carregada do verde cerrado goiano. Talvez ainda não estejam floridos os pequizeiros, mas certamente avistarei ao longe algum ipê florido nalgum resto de mato.
Quero me desculpar com aqueles que vem comparecendo a este blog e têm "dado de testa" (expressão goiana para lembrar minhas raízes) com notícias envelhecidas. Peço desculpas ainda ao Vassil Oliveira (amigo de Goiânia) e ao poeta Wilmar Silva (amigo de BH) pelo atraso em responder as entrevistas que me encaminharam. Com a minha participação em alguns eventos, acabei me atrapalhando com outros compromissos, inclusive com a atualização do blog.

No dia 10, tenho uma participação numa casa noturna da SQN 312, às 20 horas.
Nos dias 19/21, em Silvânia (minha terra), acontece o Omelete Cultural promovido pelos jovens da cidade. Estarei indo pra lá com o Robson Corrêa de Araújo e com Fábio Coutinho. Faremos oficinas de literatura, fotografia e comportamento social.
E, no dia 26, estarei em Piracamjuba a convite da Academia Piracanjubense de Letras e Artes (ver box acima).

Terças Literárias

Dentro do projeto das "Terças Literárias", no dia 25 de setembro, a partir das 20 horas, no auditório da Associação Nacional de Escritores ((SEP SUL 707/907), faremos uma palestra sobre "A experiência da poesia brasileira a partir de Mário Faustino".

Um poema de Mário Faustino:

SONETO

Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler

À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.

Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um ser dormente e lasso

Contra meu ser arfante:
Necessito de um ser sendo ao meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.

SARAU DA PRIMAVERA para o Guiness

Toda a comunidade poética de Brasília estará envolvida com "SARAU DA PRIMAVERA - 100 HORAS DE POESIA NA RODA", promovido pelo Coletivo de Poetas, de 19 a 23 DE SETEMBRO DE 2007, das 20h de quarta-feira, 19, à meia noite de domingo, 23, no Clube da Imprensa (Setor de Clubes Norte de Brasília, fone 3306-1156), com vistas a integrar o Guiness como a mais longa jornada contínua de leitura e debate de poesia. A coordenação é do poeta Menezes y Morais, nosso amigo de data longeva.

Registramos a programação do dia de nossa participação:

Dia 21, sexta-feira, das 19h30m às 22h30m
Poetas Salomão Sousa, Carla Andrade, José Edson dos Santos, Coletivo de Poetas e Quarteto. Salomão Sousa fala um pouco do seu trabalho e relança o livro Safra Quebrada (obra reunida e escolhida), com sessão de autográfos e recital do autor. Carla Andrade autografa o livro Conjungação de Pingos de Chuva, com recital. O Quarteto é formado por Nayla Reis, Fernando Martins, Laura Moreira e João Batista Ferreira. Na…
Comparecemos ontem à Feira do Livro de Brasília, em seu último dia. Alegra-me ver as crianças e os jovens folheando os livros, disputando com os pais a aquisição de algum exemplar.
Reconheço que a Feira precisa alterar alguns quesitos para ampliar os espaços. Os stands estão muito pequenos e gerando muitos atropelos para os visitantes. Aí acaba desanimando os pais a levarem os filhos ao local. Talvez tenham de aproveitar o espaço que fica em frente à antiga Rádio Nacional (mas parece que está prevista uma obra naquele local). Mas também não sou engenheiro e nem entrevistei um para colher opinião sobre isso. O importante é que é necessária a abertura da feira, pois os visitantes precisam de mais espaço e também de outras atrações. A Feira está com a mesma cara em todas as suas edições.
Foi bem sucedida a série e debates do Café Literário organizada por João Carlos Taveira com poetas da cidade. Agradeço o convite para participar do ciclo. Considero um sucesso a noite que foi dedicada à mi…
Vai haver faiscada, de palavras e de espadas.
O painel dos inimigos está programado.
Não se entendem, não se visitam.
Os painelistas não se olham, não se falam.
Não pisam na estrada por onde outro já passou.
Um já tem a língua cortada;
outro, as obras queimadas;
outro, a bunda esfolada.
E vão se sentar na mesma mesa
com as armas carregadas.
Quem aparecer sairá chamuscado.


03 de Setembro

20h30 - 22h: Projeto de Poesia - Francisco Cacq e Salomão Sousa, apresentação: Fabio Coutinho, mediadores: Brasigois Felicio, Antonio Miranda, Donaldo Mello

26ª Feira do Livro de Brasília
Abertura no dia 31 de agosto
Pátio Brasil (Térreo)

Café Literário (auditório AUTO DA COMPADECIDA)
INICIAÇÃO

Orides Fontela

Se vens a uma terra estranha
curva-te

se este lugar é esquisito
curva-te

se o dia é todo estranheza
submete-te

— és infinitamente mais estranho.

Morrem os homens, e poucos deixam suas lendas.

Max Roach, um dos bateristas que — ao lado de Art Blakey — mais marcaram a história do jazz, morreu nesta quinta-feira, 15 de agosto de 2007, aos 83 anos, num hospital de Manhattan. Nos últimos anos já estava afastado da atividade musical devido a uma enfermidade cerebral (hidrocefalia). Suas últimas sessões de gravação são de 2002.

Ficam suas impecáveis gravações, que começaram em 1943, para a editora Apolo, ao lado de Coleman Hawkins. Trabalharia depois na orquestra de Benny Carter, e no quinteto de Dizzy Gillespie. Em 1945, Max Roach já participava do círculo mais importante do jazz, principalmente por integrar o combo de Charlie Parker.

Em 1952, fundou com Charles Mingus, a Debut Records, que lançou a sua primeira sessão como líder, e participou do histórico concerto no Massey Hall ao lado de Mingus, Parker, Gillespie e Bud Powell (está registrado em disco como The Quintet). Em 1954, Roach formou um quinteto que incluía o mítico Clifford Brown, recomendado por Gillespie alguns anos…
Visitando a página de minha cidade,
não resisti em transcrever para cá
este quadro de Ana Maria Bronca,
pois despertrou em mim uma enorme saudade
dos girassóis que cresciam nos quintais
de minha infância.
Pela décima, sei lá quantas vezes, tomo para ler o romance À sombra do Vulcão, de Malcolm Lowry (só o nome do autor já é um poema concreto - quatro l's e os dois m's que circundam o primwiro nome). A epígrafe deste romance é um trecho da Antígona, de Sófocles. Trata-se umas das coisas mais comoventes que já li na minha vida. Deixo aqui uma tradução de forma mais clássica (a que está no romanmce da LPM é mais popular, certamente adaptada pelo poeta Leonardo Fróes). Em qualquer tradução, comovente!

Muitos prodígios há; porém nenhum
maior do que o homem.
Esse, co’ o sopro invernoso do Noto,
passando entre as vagas
fundas como abismos,
o cinzento mar ultrapassou. E a terra
imortal, dos deuses a mais sublime,
trabalha-a sem fim,
volvendo o arado, ano após ano,
com a raça dos cavalos laborando.
E das aves as tribos descuidadas,
a raça das feras,
em côncavas redes
a fauna, apanha-as e prende-as
o engenho do homem.
Dos animais do monte, que no mato
habitam, com arte se apodera;
domina o…
Ao preparar o verbete do poeta Jesus Barros Boquady para inclusão na página virtual do Antonio Miranda (www.antoniomiranda.com.br), notei que um de seus poemas certamente terá sido a gênese para a música "Construção", de Chico Buarque, que está no disco homônimo de 1971. O poema de Jesus Barros Boquady saiu em 1964 no livro A Poesia em Goiás, de Gilberto Mendonça Teles. Em ambas peças, a presença integrada do operário com o edifício em construção e a cidade. É claro, no poeta goiano, a cidade ainda é verde, mas, para o compositor paulista, a cidade é mais asfáltica. Fica a análise aprofundada para as autoridades em intertexto (o próprio Gulberto Mendonça Teles é uma delas).

MORTE EM TRABALHO CONSIDERADA


Jesus Barros Boquady



em qualquer que seja a lida
há lances de queda, ritmo
que se perde em segmentos,
choque de aço no crescer
dos edifícios,
polias
fervilhantes,
com as lixas
percorrendo as faces ásperas
da madeira não mais virgem,
nervos,
sangue,
coração
de repente pára a vida,
um gest…

Novo poema

Se há ruídos detenções nos hangares
fuselagem mãos em carvão nos entrepostos
explicações às dúvidas de Orfeu
não vêm com os torsos de morte ou de alegria

Se há amplidão, fora de mim ela se esgota
E não há outra procura, outras perdições
Se houver outros guerreiros, outros heróis
em minha história não transitam

Não digladio com as ferramentas dos cuteleiros
E certamente forjam com fogo
e certamente martelam martelam
à espera dos guerreiros

Não me irradio com as lâmpadas
que certamente trouxeram ao Levante
Deixei-me sem a combinação das palavras
Deixei-me sem balas e o bônus de uma mão

Se há lugares para ilustrar plumas de explosões
fora de mim tudo se ilustra
Se há pólvora e se há herói
fora de mim tudo pensa fogo e tudo vence

@ Salomão Sousa
Poxa, este meu blog completou um ano e nem teve comemorações!!!

Escrevi hoje para a página virtual de Silvânia (www.silvaniense.com.br) uma pequena croniqueta para afirmar a necessidade de esta cidade histórica estar presente, de forma mais precisa, na consciência dos brasileiros. Abraços ao Cleverlan. E obrigado ao Antonio da Costa Neto pela foto da igreja.


No final da década de 60, a ditadura decidiu investir algum resto de recurso no interior do País para disfarçar suas perseguições políticas. Silvânia já perdera filhos nas guerrilhas e sequer notou que aquelas sobras de orçamento chegavam para investimentos que desfigurariam ainda mais o seu retrato histórico. Com a construção de monstrengos de concretos na praça do Rosário — uma passarela que não leva a lugar nenhum (cansei de subir e descer e retornar sem nada encontrar) e uma fonte luminosa que até hoje deve dar dor de cabeça aos administradores para que permaneça ligada —, mais patrimônio histórico foi ao chão.

Naquela época, …

poema de VANESSA PAIVA, amiga de Juiz de Fora (MG

Eu quero saber do que está perto,
Do que quase me toca, sopra, venta

Eu quero saber do que me cheira,
Me olha, me atenta, e aqui estou, à mostra

Eu quero saber do que não importa
Aos grandes, mas do que ficou na gaveta
Do que cheira guardado – pó – do que está
Por debaixo das coisas

Eu quero saber dos rascunhos, das palavras ditas,
Dos gestos no ar, das despedidas, dos
Abraços lançados via vales-presente, desenhos de beijos,
mensagens telegráficas, gravadas, audiovisuais,
Vídeo-tele-conferência, centrais, webcams, cartões postais gerais (qualquer lugar).
Dessas coisas de banca, esquina, lan, grandes salas, teatros, escolas, todos os não lugares, lugar nenhum.

Que são esses lugares? Que me trazem? Por onde saio?

Quero saber o que é isso que me provoca e me fere,
Isso que não se deixa ver
Mas que, escancarado, me engole.

E salto, sim, para o fundo.

lançamento em Silvânia

A caravana pegou a estrada para o lançamento do meu livro "Safra Quebrada", em Silvânia, no último dia 30 de junho. Vários amigos foram para o evento — Antonio Miranda, Fábio Coutinho, Robson Correa de Araújo, estes dois últimos com as esposas Bizé e Beth. De Goiânia, não podiam faltar Vassil Oliveira e Euler Belém, e eles fizeram a caravana de Goiânia.
O evento seguiu o script. O Palas, sob a batuta do Edmar Cotrim, emocionou todos os presentes. Arrancaram sangue deste poeta. Maravilhosa a decisão de fazer banners com meus poemas para exposição itinerante em escolas e em órgãos públicos.
O Célio Silva nos chamou para o "Giro da Cultura", na Rádio Rio Vermelho, que ele dirige. Uma hora e meia de debate sobre a imprtância do Palas como agente disseminador e formador de cultura. Tá gravado.
Deixo os detalhes da festa para outros divulgarem e analisarem. Como homenageado, sou suspeito. Mas foi uma festa insuspeitável!
De nossa estadia em Silvânia, escolhi cinco fotos pa…
Dois lançamentos de livros nesta semana, de autores de Brasília.

No sábado, dia 7 de julho, a partir das 18 horas, lançamento do livro "O champanhe", do meu amigo Adrino Aragão. Será na livraria Sebinho (406 norte), organizadora do III Festival de Inverno
da Rua da Cultura. Eihn!, Adrino, o Nilto Maciel "devias vir", como diz o cancioneiro!

E nesta quarta-feira, 4 de julho, a partir das 20 horas, noite de autógrafos do livro "Eva - Poesia em Verso e Prosa", de Amneres (Bilau). Acontece no Bistrô Bom Demais, no CCBB.
Por volta das 21 horas, a autora fará recital especialmente para os convidados que comparecerem.

Poesia goiana

Estou auxiliando o Antonio Miranda a ampliar a participação da poesia goiana em sua página — que é uma das mais representativas da poesia ibero-americana no ambiente virtual. (www.antoniomiranda.com.br). Aqueles poetas goianos que puderem auxiliar, remeter currículo e poesias para o meu e-mail, e também uma fotografia.
Preparei hoje os verbetes de Tagore Biram (é de Valdivino Braz as referências bibliográficas do Tagore), e da amiga Yêda Schimaltz. Veja o verbete que preparei sobre a Yêda:

Tenho as tuas cartas e bilhetes floridos e perfumados. Desenhados com a percuciência de sua sensibilidade. E, na parede, o meu rosto entre lírios construído com o teu olhar de pintora cibernética. Na orelha de Rayon (1997) — um de seus últimos livros —, declaras: “Eu não sou poeta não, este lirismo todo é só reclamação. Goiana sou: é só observar o não repetido na frase anterior. E também essa quantidade de livros: não creia que sou uma escritora — isso tudo é só teimosia, vontade de contrariar, de de…
Está acertado. Dia 30, em Silvânia, o lançamento do meu livro Safra Quebrada. O evento está sendo organizado pelo PALAS — entidade que agrega a boa juventude da cidade. Cada cidade brasileira devia ter um Edmar Cotrim!!!
Hoje, numa navegada pela intrenet, descobri um poema que Júlio Polidoro, bom poeta de Juiz de Fora (MG), dedicou a mim. O poema integra uma série de poemas dedicados a várias escritores brasileiros (Glauco Mattosos, Domingos Pellegrino, e.....). Obrigado, Júlio Polidoro.

COLETA

A Salomão Sousa

Assina a ruga
essa rude instalação:
no corpo alquebrado
o rosto precário
e a rua
repleta de buracos.

E avenidas cortam,
novas, ao rincão
da pele, antes plana,
uma sucessão de quebra-molas.

Mil atalhos surgem
desde os cílios
e ladeiras íngremes
entornam
um rio de lágrimas
dos olhos.

Eis o tempo
e urge no meu rosto
a vital parcela do imposto
que esse mesmo tempo
agora cobra
Voltei a convidar amigos para uma sessão de cinema em minha casa.
Estiveram presentes, por ordem de chegada, João Carlos Raveira, Fábio Coutinho, Donaldo Mello, Robson Corrêa de Araújo e sua esposa Bizé (velocista vitoriosa neste domingo e noutras manhãs) e Ronaldo Costa Fernandes. E os que não chegaram: Antonio Miranda, Herondes Cézar (que estava em Belo Horizonte) e Ronaldo Cagiano (que estava em Paris depois de fazer palestra em Teerã).
Vimos "O intendente Sansho", do japonês Mizoguchi. Trata-se de cineasta que fez uns 100 filmes entre 1920 e 1956 (muitos deles perdidos). Só os dois últimos são coloridos. Foi forçado a fazer fimes publicitários para o governo (nazista, do Eixo?) na época da segunda guerra mundial. Daí, talvez, o acentuado tom social (principalmente reflexões sobre as condições da mulher — e também em razão de uma sua irmã ter sido vendida) dos filmes que vieram após a Segunda Guerra Mundial.
"O Intendente Sansho" trata disso. O Governo Lula devia b…
Ao almoçar hoje com amigos, o Carlos me dizia que não conseguiu ler os poemas do Safra quebrada. E me perguntava porque a poesia tem de ser tão difícil.
Eu não sinto a poesia como algo difícil. Eu entendo que a poesia é difícil para quem lê pouco poesia. Eu tinha dificuldade com Jorge de Lima, assim como tinha com Horderlin e Rilke. Mas, de repente, como se faz a luz, tudo ficou claro. Tão claro que não era preciso mais a realidade, mas só a luz da poesia.

O amigo Euler Belém escreveu uma nota na sua famosíssima coluna "Imprensa", que sai semanalmente no Jornal Opção, de Goiânia. Talvez por ser amigo deste poeta e da Poesia ele não tenha dito que a minha poesia é difícil, mas apresentou algumas alternativas para que ela não se pareça impenetrável. Mas o Euler tem a lâmpada nas mãos para nos auxiliar a pôr a poesia na frente da realidade. Meu abraço ao Euler, e obrigado.

Supersafra de boa poesia

Leio o livro de poesia Safra Quebrada, fusão de livros anteriores com os inédit…
No dia do lançamento de nosso livro Safra quebrada, faleceu em Goiânia o amigo Aldair Aires, que nos últimos anos residia em Silvânia. Nossa amizade vem desde encontro de escritores realizado em Goiânia, organizado por Geraldo Coelho Vaz. Estava alegre com a turma de Letras de universidade do Mato Grosso, onde lecionava naquela época. Seu último livro de contos se encontra em minha casa com sua dedicatória gentil.
Para mais informações sobre Aldair Aires, consultar o blog do amigo Aemir Bacca:

http://ademirbacca.blogspot.com/
Tue, 15 May 2007 15:17:47 -0300
Olá, poeta, olá, amigo!
Gostaria de estar com você em mais este momento (estive prazerosamente em muitos outros).
Desta fez, entretanto, não vai dar. Outro compromisso, já agendado, intransferível.
Parabéns, vez mais.
Obrigado por ser mais um (e não são muitos) a emprestar seu talento à arte, à poesia.
Que o Safra Quebrada repita o sucesso das obras anteriores.
Beijos pra Chiquinha.
Vamos ver se a gente marca aquele pão de queijo (que só o Salomão sabe (sabia?) fazer.
Sérgio Souli

Salomão quero agradecer pelo convite, infelizmente não vou poder ir porque tenho aula, mas
quero te dar os meus sinceros cumprimentos, desejando-lhe sucesso neste novo lançamento!

Abraço,
Karina Garcêz
Wed, 16 May 2007 16:05:18 -0300
Mano,
se alguém tem que agradecer, este alguém sou eu.
foi um prazer estar contigo, sua festa foi linda.
Muito obrigada por tudo, eu não merecia tanto.
Bjs.
Rosa

Wed, 16 May 2007 13:01:31 -0300
Meu nobre poeta goiano, natural de Sllvânia, onde os pássaros voam…
É com muita emoção que agradeço a todos amigos o comparecimento à noite de autógrafos de meu livro Safra Quebrada. Amigos e mais amigos, duzentos presentes (?), milhares de amigos, pois muitos ficaram impedidos de comparecer e com o pensamento em nós e em nosso livro. E que a minha poesia possa corresponder com alegria a essa alegria que os amigos trouxeram com suas presenças. Depois eu colocarei mais mais emails e fotos. Obrigado, amigos.
Tue, 8 May 2007 23:33:37 +0000
"brasigois felicio carneiro felicio"
Amigo-irmão Salomão Sousa! Parabéns pela bela coletãnea, muito bem editada, reunindo sua obra poética. Você merecia isto. Você é um poeta de grande poder de expressão, além de ser intelectual ativo, e crítico inteligente.


Tue, 15 May 2007 09:37:07 -0300

Prezado Salomão,

acabo de ver o convite ao seu lançamento. Receio não poder comparecer, por causa de problema de saúde. Se amanhã à noit eu estiver melhor, compareço.
Obrigado pelo convite. E, é claro, meus votos de integral sucesso para o seu livro.
Alaor Barbosa.


Tue, 15 May 2007 04:28:54 -0300
"Jorge Karl de Sá Earp"
Caro Salomão

Muito obrigado pelo convite para o lançamento do Safra Quebrada.
Infelizmente não poderei ir. Estou morando em Bucareste desde fevereiro de 2006.

Sucesso, abraço

Jorge


Tue, 15 May 2007 00:32:43 -0300
"Fernando Marques"
Salomão:
Teria sido boa idéia, sim!
Abraço!
Fernando.

> Pô, Fernando,
>
> Libera a turma para o lança…
Este é o núcleo inicial de minha poesia. Lembro-me de nós ali, sentados, ouvindo Chico Buarque em tempos que nem se pensava em abertura. Ronaldo Alexandre e Wil Prado, é bom guerrear num bom combate. Nosso abraço saudoso (e sei que vocês endossam esse abraço) ao João Antonio, ao Ignácio de Loyola Brandão, ao Wander Piroli.
Nessa roda, a nata da escritores de Brasília. Danilo Gomes, de pé, João Carlos Taveira, Ronaldo Cagiano e Ronaldo Costa Fernandes (reponsáveis pela fortuna crítica do livro), Luiz Carlos Cerqueira e Napoleão Valadares atrás dele. E nesta mesa estiveram o Ésio, poeta que está em São Paulo, o Antonio Miranda, o Cazarré, perdão peço àqueles que deixo deixo de citar.
Anderson Braga Horta, que nos prestigiou a noite toda com a sua presença. Ao fundo, o amigo Wálter.
A presença silvaniense e familiar em meu lançamento. Antonio da Costa Neto, estudioso da educação e do comportamento social. E a mana Rosa, linda, a quem o livro é dedicado.
Poesia e aniversário. A minha amiga atriz BIA. Obrigado e feliz aniversário.
Enquanto estou organizando o lançamento do meu Safra quebrada, dia 15, a partir das 19 horas (Carpe Diem, 104 Sul), aproveito para traduzir um poema de Vicente Alexandre. Com a tradução, sinto-me menos inoperante e mais próximo da poesia. Sempre me encantou a poesia deste pr^mio Nobel da Espanha. É uma poesia cheia de cintilações. Pois a vida não é só a ordem, às vezes ocorre ao mesmo tempo o lagarto, o vômito e o beijo.


A felicidade

Vicente Alexandre

Não. Basta!
Basta para sempre.
Fuja, fuja; só quero,
só quero a tua morte cotidiana.

O busto erguido, a terrível coluna,
o colo febril, a convocação dos carvalhos,
as mãos que são pedra, lua de pedra surda
e o ventre que é sol, o único extinto sol.

Seja erva! Erva ressecada, raízes amarradas,
folhagem nos músculos onde nem os vermes vivem,
pois a terra nem pode ser grata aos lábios,
a esses que foram, sim, caracóis do úmido.

Matar a ti, pé imenso, gesso esculpido,
pé triturado dias e dias enquanto os olhos sonham,
enquanto há uma paisagem azul cálida e…
Enquanto não acontece o lançamento do meu livro Safra Quebrada, no dia 15 de maio, a partir das 19 horas (Carpe Diem, 104 Sul, Brasília), onde aguardarei os amigos, vamos ler um poema do venezueano Juan Liscano, em tradução de minha autoria (outros poemas de Juan Liscano podem ser lidos em tradução de Antonio Miranda (www.antoniomiranda..com.br) :

MARCAS

Juan Liscano

As marcas nos confundem.
Procedem de toda parte.
De ontem, deste momento, de amanhã.
São passadas intermináveis
uma invasão de rastros vorazes
um solo de estrondosos passos.
Idas e vindas, migrações
famílias errantes em nós
que nos cruzam sem cessar, que saem, entram
deambulam por todos os rincões
em cada lugar do andar
e até nos muros onde suas marcas digitais
são largas feridas sangrentas.

O vento sopra em vão sobre esses rastros.
Não pode aventurá-los para outros lugares
talvez regue-os pelas moradias
pelos aposentos
pelas covas onde vive o louco da região
entre as samambaias da colina
onde pasta o cavalo
nas rochas onde eu divertia Prometeu…
Amigos: tudo pronto. E aqui não vale o lema de Marcos Aurélio, pois não posso contar só comigo. A poesia só se realiza com a amizade! O lançamento está todo preparado!!! o livro ganhando o verniz final!!! Em primeira mão: a capa!!!
Gosto destas leituras adiadas por anos e que nos comovem quando acontecem. Há anos vim retardando a leitura das Meditações de Marco Aurélio. Trata-se de um livro de pequenas máximas, que não chegam a ser um sistema fechado de filosofia — quase um livro de auto-ajuda. O livro foi escrito em papiros e passou por diversas mãos até chegar a nós na versão que conhecemos. Algumas edições trazem o título A mim mesmo, e agora a Planeta — edição que tenho nas mãos — optou pelo título de O guia do imperador.
Quantos estão precisando de fazer leitura deste livro!!! Para ganhar serenidade!!!! Para descobrir a fragilidade da vida, a importância de nossa presença da Natureza!!!! Só com a descoberta da fragilidade o homem dá importância a todos os seus atos, e procura aliar todos os seus atos aos atos dos demais!!!!
E me deixa um vazio em alguns verbetes, pois chega a parecer com Schopenhauer. Veja:

"Quão rapidamente, num segundo, desvanecem todas as coisas, os corpos no espaço, e a memória desses…
Acabo de chegar de Silvânia, minha cidade natal, onde estarei lançando o meu livro Safra quebrada, com evento que vem sendo organizado pelo PALAS, que reúne a juventude silvaniense sábia.
Venho do 76º aniversário de Dona Fiinha, minha mãe, que é a personagem principal de meu primeiro livro de poesia (A moenda dos dias). Estavam lá todos os personagens da sagrada família.
Pesquisando na internet se alguma coisa nova surgiu nalguma página sobre a minha obra, encontrei no Jornal Opção (http://www.jornalopcao.com.br/) uma matéria que eu, João Carlos Taveira e Ronaldo Costa Fernandes escrevemos tempos atrás para servir de orientação àqueles que querem entrar no terreno da cultura. Quem quiser conhecer a matéria na íntegra, entrar na página do jornal, procurar o link do Opção cultural, e ela estará lá.