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Mostrando postagens de Dezembro, 2015

A poesia em 2015

Qual o balanço dos lançamentos de livros de poesia em 2015? Há dificuldade para esse mapeamento, pois as pequenas editoras passaram a ocupar o espaço da edição dos livros de poesia, geralmente com difícil acesso às edições. Até hoje, por exemplo, não consegui o livro Corpo de festim, de Alexandre Guarnieri, que ganhou o prêmio Jabuti de 2015. Mas, pelos poemas esparsos na web, é um poeta que vem afirmar o caminho de reconhecimento das sensações do corpo na realidade. Foi editado por uma pequena editora: Confraria dos ventos. E também por uma pequena, Mondrongo, o livro A Dimensão Necessária, de João Filho, que parte de uma poética tradicional para sinalizar que está disposto a despojar as formas, se é que ainda é possível despojamento na linguagem. Este livro ganhou o prêmio da Biblioteca Nacional. Algumas edições de poesias reunidas: Orides Fontela, que está chegando ás livrarias, e Ferreira Gullar e Adélia Prado. Saiu pela Companhia das Letras a nova Reunião da poesia de Carlos Drum…

Martim Vasques da Cunha

Nos meus tours pelas livrarias, noutro dia me deparei com o livro "A poeira da Glória", de Martim Vasques da Cunha. Surpreendeu-me os poemas que apareciam no final da obra, de Alberto da Cunha Melo. Não comprei o livro de imediato. Mas sempre que me lembrava dos versos de Alberto da Cunha Melo, algo me instigava. "Um livro que cita um autor que não está canonizado na história oficial de nossa literatura, deve conter bastante crédito." Encomendei o livro por uma livraria virtual, pois assim o seu preço caia para menos da metade do preço. Mas de cara, irritei-me com a apresentação. O apresentador já faz algo pernóstico ao dizer que o livro estabelece "um diálogo íntimo com o meu", e cita o seu livro. Quem está apresentando quem? Nesse gesto já estabelecia que a crítica brasileira é egocêntrica, arrogante e pernóstica. Por isso prefiro Chesterton, pois o que torna algo atrativo é a inteligência e a sagacidade. O importante é que não consegui ir além de um q…

João Filho

A POESIA INAUGURAL DE JOÃO FILHO Assim que foi divulgado o resultado do Prêmio Biblioteca Nacional de 2015, vasculhei a web para buscar informações sobre o poeta João Filho, que levou o prêmio com o livro A dimensão necessária. Não eram muitas, sequer possui perfil no Facebook –pelo menos não localizei. Então encomendei o livro diretamente na editora Mondrongo. Logo No primeiro poema já vem algumas indicações da trajetória que João Filho deseja palmilhar. A cidade se redesenha nos sapatos velhos e gastos, mas com desejo de renovar o gesto limpo. E vai nesta afirmativa de reservar uma reverência à tradição: “porém não lave os sapatos, não porque registre tantos itinerários, andanças, mil labirintos urbanos, a fuligem aí pousada,”  Com o andamento do livro, observa-se um excesso de respeito a estes sapatos “um pouco velhos e gastos”, com sonetos referenciais a temas específicos, como locais de Salvador, a alguma amada, a terça rima para sagrar o riacho. Em outros poemas, a demonstração ao trági…