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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Miguel Sanches Neto, agradeço a leitura atenta do Vagem de Vidro e a carta generosa

Ricardo Alfaya, obrigado pela leitura e a gentileza da bela manifestação crítica

Oi, Salomão,
Chegou hoje à tarde seu Vagem de Vidro.  É uma obra densa, complexa, de estrutura singular.  Um livro de poesia de fato diferente.  Vc realiza uma colagem de textos e imagens numa velocidade vertiginosa, explorando inúmeros efeitos surrealistas, a começar pelo título; a quebra ou mesmo eliminação da pontuação formal acarreta por vezes a sensação de estarmos diante de um hipertexto – por sinal, a influência da Internet no seu fazer literário se evidencia em vários momentos.  Alguns poemas marcaram-me mais, como o que fala em Ulisses.  Destaco também “E se todos nós  decidíssemos pela ausência?” -  Esse poema, aliás, caracteriza uma das tendências que percebi em seu estilo: a criação de uma espécie de universo à parte, totalmente feito de palavras (signos), em que tudo é possível.  Algum dos seus apreciadores notou, com propriedade, a presença de um tom um tanto solene, grandioso, em seu discurso; por exemplo, no poema que começa por “A palavra definitiva”, há…

Memórias de Nilto Maciel

Quase mensalmente tenho recebido um livro novo de Nilto Maciel. Pensando bem: escrevi pouco (quase nada) sobre esta obra que já goza de espaço no registro da literatura brasileiro, mas ainda sem leitores. Ela tem sido lida quase que só pelos confrades. O que é uma pena, pois se trata de produção que goza de desenvoltura e de consciência inigualáveis. E ainda não será desta vez que irei fazer um artigo ou resenha sobre a obra de Nilto Maciel. Será apenas um registro circunstacial, de lembrança e memória de um amigo.
Um destes livros que ele me mandou é "Menos vivi do que fiei palavras". É de um sinceridade rara, que raia o perigo. Basta ver uma frase no prímeiro capítulo sobre o livro Os morcegos, do meu amigo José Godoy Garcia. "Nenhuma literatura sobrevive (...) se o escritor se deixa enlear nas malhas das circunstâncias". Nesta época, já alertávamos ao Godoy para o perigo de deixar explícitaa a crítica poética a figuras políticas do período (Kissiger, Delfim). M…

Livreiro

Surpreendi-me com a matéria que saiu neste sábado, 23.02.13, no caderno "Pensar & Agir", do Correio Braziliense, sobre a comercialização de livros no Brasil. Sobretudo sobre a sobrevivência da profissão de livreiro. A matéria surpreende pela paixão nela contida. Afonso Borges, o autor, não fica só no informativo. Transvere às palavras a sua paixão pelo livro e pelo conteúdo dos livros. Isso também é importante para a divulgação dos livros. Os jornais, as revistas, os poucos suplementos - não abordam mais os livros com paixão. Não fazem mais matérias intimistas. Os livros são abordados sempre com técnica. E o que transvere ao leitor a vontade de ler não é a técnica, mas algo que sobressaiu de outro leitor, algo que imprima uma intimidade com o livro antes mesmo de sua leitura. 
Vejamos o que Afonso Boges diz sobre poesia e Whitman dentro da matéria: "Poesia, esta raridade absoluta nas grandes livrarias brasileiras. E em pleno século 21, quando a neurociência prova q…

Um poema do livro "Vagem de vidro"

Deixa um retrato
um pedaço de angústia
o desejo
a cola rachada da lombada

Deixa uma fresta
das janelas do corpo
um pedaço da paisagem
onde fixaste um foco

Deixa uma fatia
de limão sobre a ferida
uma brecha de meu corpo
a rasgar-se em tua boca

Deixa uma marca seca
na minha roupa
um vazio
na minha imaginação