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Mostrando postagens de Agosto, 2006

Naguib Mahfouz

Sempre me comove a morte de um escritor. Fica aquele vácuo de saber que ele não mais contribuirá com novas construções de sustentar a humanidade. Digam o que quiserem, mas o Prêmio Nobel nos obriga a pensar nestes construtores de barragens contra as ameaças que buscam solapar o humanismo.

Aos 94 anos de idade, faleceu nesta data (30/08/06) o egípcio Naguib Mahfouz, aos 94 anos. Autor de mais de 50 livros, dos quais 9 títulos foram traduzidos no Brasil (traduções na maioria esgotadas). Tenho várias destas traduções, mas que, por falta de tempo, ainda não li. Há mais de 10 anos que quero ler a trilogia "O Jardim do Passado", "Entre Dois Palácios" e "O Jogo do Destino", da editora Record.

As informações abaixo foram retiradas das agências de notícia:

Seu estado de saúde começou a se deteriorar em 1994, quando um fundamentalista islâmico cravou uma faca no seu pescoço. Ele havia sido acusado por líderes extremistas de ir contra a religião. O atentado causou gr…
Agradeço ao Paulo e à Mina o encaminhamento da minha foto com o Marcelino Freire na oportunidade do debate na UnB.
Trechos de comentários sobre o livro Ruínas ao Sol, lançado em 31 de agrosto, no estante da editora Thesaurus, na 25ª Feira do Livro de Brasília, realizada no térreo do shopping Pátio Brasil (início da w-3 Sul - Brasília).




“Observem-se em cada verso a carne e a plumagem das palavras. Intuição e razão não se excluem, complementam-se na composição das tantas imagens, imagens estésicas, que habitam este poemário, conjugando significado e significante.”

Hildebrando Barbosa Filho
Caderno Pensar (Correio Braziliense)

“Aqui não há o lirismo fácil, mas a construção exaustiva feita pelos poetas laboriosos. Observa-se operosidade formal na formulação temática e na escolha especular do vocabulário. Desde as construções como as pequenas “dos lábios nas bocainas do engenho” até uma maior como “o empenho em desligar as ogivas” percebe-se que não há gratuidade no jogo de palavras, mas uma tessitura arrojada de um poeta que merece toda a atenção da crítica por sua inventividade.”

Ronaldo Costa Fernandes
P…
Consegui resgatar contato com Anito Steinbach, poeta e meu professor do segundo grau.
Mandou-me do sul as suas impressões sobre o meu livro Estoque de relâmpagos:

Recebi seus livros. Muito obrigado! Examinei, no final de semana passado, "Estoque de Relâmpagos", garimpando metáforas, que constituem a essência da expressão poética. Sou hoje, aliás, um caçador de metáforas. Vale a pena às vezes passar na batéia todo o cascalho de versos de um livro de poemas para, de repente, ver cintilante o diamante de muitos quilates de uma metáfora.

Dito de outro modo, o livro de poemas é um universo com muita poeira cósmica e espaço vazio, onde luzem raras e ocasionais estrelas de um verso ou estrofe criativa e sabiamente construído em imagem metafórica.

Encontrei em "Estoque de Relâmpagos" as jóias que abaixo transcrevo. Em breve, examinarei "Ruínas ao Sol", cujo título luz já intensamente.

Abraço

Anito Steinbach

Não manipulo nada
apenas transporto sentidos
E é pouca a página
p…

Enquete de Francisco Nobrega Gadelha

O argentino Ricardo Piglia, em O último leitor, recentemente lançado pela Cia das Letras, lembra que vem do romance Robson Crusoé este hábito de fazermos a pergunta sobre os livros que levaríamos para uma ilha deserta, pois, em seu isolamento, Robson Crusoé fica lendo passagens aleatórias da Bíblia para reconfortar-se da solidão e lembrar-se que veio da civilização.
A minha resposta é feita assim sem muita avaliação, com espontaneidade. Talvez eu até substituísse (logicamente acrescentaria muitos outros) algum título:

1) Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima
2) Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
3) A Divina Comédia, de Dante Alighieri
4) As Elegias do Duíno, de Rilke
5) A Metamorfose, de Kafka
6) Memórias do Subsolo, de Dostoievski
7) La Oveja Niegra, de Augusto Monterroso
8) A autobiografia de Ghandi
9) A Paixão Segundo G.H, de Clarice Lispector
10) S. Bernardo, de Graciliano Ramos
11) Madame Bovary, de Gustave Flaubert
12) O Grande Gatsby, de Fitsgerald
13) O Visconde Partido ao Meio, de It…

Enquete de Alexandre Marino

Alexandre Marino está preparando uma matéria "para jornal literário Traça, bancado pelo Walter Silva, da livraria Entrelivros, que será lançado na Feira do Livro. Minha colaboração (diz Marino) será como editor e autor de alguns textos. Um dos textos é uma reportagem sobre os escritores estabelecidos em Brasília que se comunicam via internet com sites ou blogs. "
Para a matéria, respondi a seguinte enquete:

1 - Há quanto tempo você tem seu espaço na internet?
R: é recente a minha atividade de blogueiro. O http://www.safraquebrada.blogspot.com/ foi criado em 13 de junho de 2006. A minha intenção era criar uma página específica, mas o blog tem uma interatividade ágil — o que facilita para a inserção de pequenas notas.

2 - Por que um blog/site na internet?
R: desde que suspendemos a edição do zine Chuço, sentíamos um vácuo destinado à divulgação de nossa atividade literária, e registro de material recebido, pois estamos encerrando a nossa faceta de criador de polêmicas. Mas não quer…
Participamos nesta terça-feira, 15 de agosto, na Universidade de Brasília, juntamente com Marcelino Freire e Nicolas Bher, de uma mesa do Encontro Nacional de Estudantes de Letras (ENEL), destinada a debater os caminhos e descaminhos da literatura brasileira contemporânea. Carpinejar apareceu rapidamente como ouvinte, talvez interessados em ouvir Marcelino ou Nicolas Bher, pois escapuliu antes de nossa fala. O tema proposto não foi abordado com correção, pois os outros dois debatedores aproveitaram para tratar de divulgação da própria obra. Talvez tenham — por experiência — agido assim por prudência, pois tão logo apontamos algumas questões da poesia brasileira, algumas de nossas observações provocaram alguns desconfortos. Fico com a impressão que mesmo os estudantes de letras — é certo que não em sua totalidade — preferem uma poesia modernista descartável, amarrada a correntes nada progressistas. Não sou academicista, mas a poesia brasileira só terá vigor futuro com desdobramentos da…
Luiz de Aquino está programando vir a Brasília no início de setembro, a convite de Ana Ramito, para um diálogo com os muitos amigos que tem na cidade. Aproveitamos para agradecer a crônica Proseando com o poeta (diga-se Salomão Sousa), que ele publicou na edição de 12-08-06 da Tribuna do Planalto (relembre-se: editado por nosso amigo Vassil Oliveira). Vassil, quando fecharemos a introdução do Safra Quebrada?
Na edição de 12 de agosto do caderno Pensar, que circula aos sábados no Correio Braziliense,
saiu a primeira resenha em que Ruínas ao sol (editora 7Letras), de nossa autoria, merece abordagem específica. Hildeberto Barbosa Filho, paraibano dr. em literatura brasileira, considera que nosso livro traz um "lirismo de índole filosófica embasado em tessituras de imagens finamente elaboradas". Deixamos de especificar o link da matéria em razão de o Correio Braziliense bloquear a sua página àqueles que não são seus assinantes. A resenha alia a nossa linguagem poética às de Marcos Siscar e Heron Moura, que também foram premiados no Festival de Poesia de Goyaz.

Comentário de Rachel Moura

É da minha amiga Rachel Moura, do Rio de Janeiro — estudante de geografia, poeta, de um ótimo espírito — o comentário abaixo sobre o livro Ruínas ao Sol, que já pode ser encontrado em algumas livrarias ou encomendado em livrarias da internet. Bjão para você, Rachel.


Não sei nenhuma teoria literária para explicar os poemas do meu amigo Salomão Sousa. Contudo, creio que a poesia pode e deve ser uma janela pela qual vemos e experimentamos o mundo. Nesse sentido, meu ser entende muito bem quando Salomão diz que há “uma noite de pensamento”. Por que será? Talvez seja porque ainda haja “um sol longínquo” ou por que temos profundos motivos para “iludir a morte, “para tecer o corpo” e, ainda, “motivos para sedas nos casulos”.
Também compreendo as infinitas tempestades do eu expostas nas palavras de Salomão: de amor, ódio, conflito, que surgem nas estrofes como arrebatadoras de algo. Tempestades essas que nos levam a navegar no dia-a-dia, ou que às vezes não aparecem: “a tempe…
Noutro dia uma amiga de Curitiba me mandou pelo msn uma música da cantora Céu. Não sou crítico de música, mas, por gostar de jazz, surpreendeu-me a as sutilezas dos arranjos, que primam por levezas, e as interpretações, que não necessitam de sair por aí aos gritos. Agora estou aqui ouvindo o seu disco — Céu, homônimo —, e as 15 faixas confirmam as minhas impressões iniciais. Como poeta, eu diria que as letras precisam se aproximar um pouco mais dos movimentos da poesia brasileira, com maior sonoridade interna, sem contar a necessidade de maior envolvimento com a nossa realidade. Mas, oh, dá de dez em muita gente que tá por aí sendo vendido como a grandes promessa. Céu não promete, éhhhhh!!