Postagens

Mostrando postagens de 2018
Imagem
Imagem
Quem me ajuda a analisar esta estrofe de uma ode de Fernando Pessoa?
Quando um poema me destrona do conforto, indago-me o que ele contém para gerar um andamento de emoção. A emoção, o desconforto, a satisfação, a saciedade - sempre surgem de uma ingestão. O que uma estrofe assim carrega de carga de construção para que possa ser medida depois da leitura? O que contém para me deixar saciado após a ingestão?
Primeiramente, começa com uma evocação: VEM. Tudo que nos chama já exige uma resposta imediata. Após, utiliza-se elementos eternos da versificação para criar efeitos encantatórios de linguagem. Primeiramente, sobrecarrega-se de repetições e aliterações. São 19 “i” e 14 “n”, 9 “d” que geram rimas internas. E não pode passar despercebido o efeito que fecha a quadra: a aliteração com o “j” de lantejoulas e franjado. E ainda a intensidade dos 11 "t" criando rimas e soniridades internas.
O tema é bem comum: a noite, mas que gera algo lúgubre, por isso Rainha destronada, mas anti…

Quem se preocupa?

Cidade visível

Delmo Montenegro

Imagem
Neste ano de 2018, em 3 de junho, além do Centenário de Nascimento do poeta José Godoy Garcia, comemora-se o 70º aniversário de publicação de seu livro "Rio do Sono", que, em 1948, viria a consolidar a introdução do Modernismo em Goiás. Como a capa do livro não está na internet, deixo aqui o registro, inclusive o autógrafo do poeta no exemplar que consegui.

Piedad Bonnett

enquanto fazíamos a viagem de Bogotá e Ibagué, eu e Kori Bolivia traduzimos o poema Contabilidade, da poeta colombiana Piedad Bonnett. Enquanto as montanhas espreitavam nossa viagem.

Contabilidade

Piedad Bonnett

O deve e o haver
dupla coluna
que o tempo vai ajustando
sobre o livro de contas dos dias
com mão minuciosa
e rigor que não admite apelações.
Tarde checas o balanço,
as dívidas, as carências,
as pérfidas mexidas do contador
que fez que um cruzasse muito cedo
e este muito tarde em tua vida.
E está aquilo que não vês,
consignado com miseráveis tintas invisíveis:
a porta que tomaste dez minutos depois
de alguma despedida. A voz que nunca ouviste,
a rua não atravessada, a parada
onde tiveste medo de descer.
E no vermelho indelével,
a cadeia de pactos e tratos e traições,
a irreversível linha que te soma e te diminui,
a que te multiplica e te divide.

luê

não sou crítico de música mas é um desperdício não divulgarmos um novo talento
a paraense Luê é um desses casos
seu disco Ponto de Mira traz canções leves bem mixadas numa voz constantemente melodiosa e com o diferenciado das composições que não se embrenham pelo escatológico primando por poeticidade convincente
a voz enfim de Luê é sensual e clara
com muito prazer pela audição eu a cumprimento e desejo acesso ao sucesso e vida longa em muitos outros trabalhos exitosos
Virão enfiar o dedo
estatelar o olho
Em época de muro
eu prefiro ser um furo

Senta-
se a cavalo
o moleque
e bate em cadência
o calcanhar no
olho do muro

A lagartixa
a botar ovos
Nascem lagartixinhas
de um furo

Para os ninhos
pássaros juntam cisco
Mais uns furos
e o muro corre risco