Pular para o conteúdo principal
Tardiamente, registro aqui— com orgulho — o poema do meu amigo Lívio Oliveira, de Natal (RN). O poema foi lido na sessão plenário do Senado Federal — em Sessão Solene — de homenagem a Che Guevara, quando se comemora os 40 anos da morte desse herói revolucionário. Lívio, ainda ouviremos muito jazz, ainda acreditaremos muito nos movimentos que trazem as mudanças. E nos livros de poesia, às vezes cor de telha — que são a casa da alegria.


POEMA DA LIBERDADE

Livio Oliveira

Declaro, em mim,
e aos ventos e mares de Cuba,
toda a liberdade.
E o homem livre já vive o céu.
Aqui, na terra, o homem verdadeiramente livre
desenha os contornos de um céu
azul como o da Áfricaou dos sertões do Brasil.


Meu grito libertário já chegou à floresta da Bolívia
e, ao contrário do que pensam alguns,
não cessou.
Meu punho está firme,
pronto e rijo.
Já penso no próximo combate.

Travarei esse combate entre as palavras
e a ignorância.
Travarei esse novo combate entre o pão
e a fome.
Travarei esse velho combate entre a luz
e a obscuridade.


Lutarei, desesperadamente, sem sentir
qualquer dor.
Os meus amigos e camaradas
irão curar minhas feridas
com o bálsamo da verdade
e da honra.


Desafiarei os perigos
e correrei montanhas e todos os riscos.
Minha guerrilha não cessará
enquanto houver um homem,
uma mulher,
um velho,
uma criança,
sem casa,
sem chão,
sem o arroz da ilha
ou o feijão do continente.
Não cessará minha batalha
enquanto eu ouvir a canção
da Latino-América.


A fadiga não me alcançará,
enquanto – nas madrugadas –
eu sorver o orvalho fresco
e a seiva
que escorrem sobre as folhas
das árvores imemoriais da paz
e sobre a minha fronte sangrando.


Não interromperei minha luta
e minha gargalhada ainda ecoará,
apavorando meus algozes,
enquanto existirem povos
sem olhos para ver
o rumo certo,
sem ouvidos para ouvir
o poema da liberdade,
sem língua para gritar
e buscar, no fundo do peito,
o espírito altivo e forte
da AMÉRICA INDEPENDENTE!

Natal/RN/Brasil, 09 de outubro de 2007.

LÍVIO OLIVEIRA — Advogado Público Federal e escritor.Lançou seu primeiro livro em 2002, ''O Colecionador de Horas''(poesia).Em 2004, lançou uma pesquisa sobre livros e bibliófilos do Rio Grande do Norte, intitulada ''Bibliotecas Vivas do Rio Grande do Norte''. Em 2004, ainda, lançou ''Telha Crua'', livro de poesias vencedor do prêmio Othoniel Menezes- FUNCARTE- Natal/RN, daquele ano. Em, 2007, lançou o livro de haicais e poemas curtos ''Pena Mínima''.É o Diretor designado da Revista da OAB/RN.É ex-Presidente aclamado para a Diretoria Provisória da União Brasileira de Escritores, seccional do RN, tendo proposto junto à Assembléia Legislativa o Projeto da Lei do Livro do RN, já tramitando na Casa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha sobre o filme "300"

Por Ana Paula Condessa

Todo filme tem seus méritos, seus pontos fortes, mas também tem furos e contradições. O filme 300, já em exibição, surgiu da história em quadrinhos “Os 300 de esparta” - criada e desenvolvida por Frank Miller. É impressionante a grandeza da produção do filme que chega a representação, com muita propriedade, por retratar a batalha que enfrenta o rei Leônidas -,os soldados espartanos, seus aliados contra o exército persa de Xerxes, na Batalha das Termópilas -, desfiladeiro da Grécia. Esparta - é uma sociedade que é toda voltada para a arte da guerra e todos os indivíduos, que dela fazem parte, são instruídos para tal. No filme é passado muito do que era Esparta e seu contexto, algo de muito valor para compreender a essência da Batalha das Termópilas - . A guerra é o meio de vida dos espartanos e, antes mesmo desta grande batalha que ficou para a história e, cujos métodos e estrutura de guerra foram usados por muitos anos em batalhas posteriores, eles moldaram um im…

SAUDAÇÕES AO ROMANCE DE WIL PRADO

Wil Prado é uma de minhas amizades mais firmes desde que cheguei a Brasília. Desde nossos passos iniciais na literatura, foram vívidos debates e percursos juntos pela cidade. Por muros vários que atravessam a nossa vida, Wil Prado demorou a publicar seu primeiro livro. E é com alegria que vejo que figuras importantes da literatura brasileira, de cara, se manifestarem favoravelmente ao seu romance SOB AS SOMBRAS da Agonia, editado pela Chiado, de Portugal, do qual foi leitor desde as primeiras versões até o momento de escrever a apresentação. Acredito que são poucos que merecem uma manifestação eufórica de Raduan Nassar.  E, ainda, de João Almino, que acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.
(...) SOB AS SOMBRAS DA AGONIA me tocou sobretudo pela linguagem, por palavras novas, metáforas bem sacadas, e os empurrões articulando o entrecho. Além disso, o romance arrola no geral gente do povo, ao lado de uns poucos salafras da elite, com caracterizações convincentes, inclusi…